A maneira como vou organizando e vivendo os dias acabam me levando para algumas zonas neutras. Entro em imersões de estudar, ou acompanhar demais a opinião alheia sobre o meu clube de coração, ou de ler discussões acaloradas sobre táticas e estratégias de gestão de marca, com pausas conduzidas por podcasts e/ou programas esportivos. Acabo me desligando do resto, que “só volta” em alguma conversa com a primeira dama e/ou quando ouvimos com mais atenção as noticias dos jornais, nosso “som ambiente” predileto para as refeições que conseguimos fazer juntos.

O lado bom é ter um foco aceitável pra bom naquilo que estou investindo. Absorvo legal os conteúdos e vou formando novas ideias com maior retenção. Em especial nos dois últimos anos, não caí mais na tentação de ser dono da verdade ao compartilhar uma opinião sobre qualquer assunto. Exponho meus pontos e contraponho aqueles q considero diferentes, com uma ou outra subida de tom, mas jamais “em busca da vitória” de algo que, bem conversadinho, mas bem conversadinho mesmo, é um tempo investido de maneira desnecessária [nestes ambientes onde o espaço é de discussão]. Quase nunca ouço um pedido de desculpas diante de uma ofensa, mas nunca mais me doeu pedir desculpas para quem leu errado o que escrevi ou se ofendeu gratuitamente. Se em 12 anos de mídias sociais a gente não aprender a ser adulto, vai aprender quando, né?

Essas zonas neutras também ficam facilitadas pelas formas de fazer as coisas, a separação em horários para algumas atividades, mais os momentos “inalterados” dos dias [ir e voltar do trabalho, em especial]. Contudo, o lado ruim é que, se a concentração não “encaixar”, já era… e fico dando voltas e mais voltas nas próprias atividades do dia, importantes ou não. Me parece ser algo pelo qual todos passam e apenas dão dimensões e nomes diferentes; Aqui, no universo ao meu redor, me incomodo em alguns dias que gostaria de estar resolvendo alguma coisa, mas estou “distraído” em outra[s]. E crucificado na acusação de “quando você planeja algo, ai do mundo se as coisas mudam”, concordo: se for algo pelo qual nutro alguma expectativa, e os planos mudam por circunstancias “bobas” ou “evitáveis”, fico sinceramente puteado, a ponto de sequer conseguir disfarçar.

A soma disso é que, de zona neutra em zona neutra, a vida é mais leve. As voltas dadas nos problemas adquiridos e nas escolhas exercidas ficam menos cansativas, e na hora de ligar a “chave foco”, se pega de primeira, é certeza de no mínimo conseguir o melhor até o primeiro erro, que é uma nova lição. A soma destas zonas criam um universo mais harmônico, mesmo com as influencias externas querendo sempre nos arrancar a paz que sempre está aqui, na gente, nos cabendo escolher o quanto permeará nossos dias. O quanto vai permitir que o resto seja sempre só o resto.

[] sem música!

One thought on “Zona neutra

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