De todas as doutrinas religiosas existentes, o espiritismo é a que está mais próxima de mim, especialmente pelo estilo de vida que levo e pela simples e óbvia (por isso tão difícil) humanidade que possui.

A ideia de que estamos aqui numa missão de aprendizado para nossa evolução, os deja-vus inexplicáveis e as sensações que algumas pessoas nos proporcionam são amostras constantes de que cabe acreditar, um pouco que seja, nessa forma de pensar. Ou a vida tem algum outro propósito maior que o aprendizado e posterior transmissão de lições, direta ou indiretamente?

Assim, vamos falar um pouquinho mais sobre este escriba, que crê ter descoberto um pedaço da sua missão por aqui. e ela é: não viver apenas para si, e possivelmente, viver mais para [servir a]os outros.

Do ponto onde a independência-base foi constituída, não tenho lembrança alguma de ter, em algum momento, a egoísta (e salutar) oportunidade de fazer algo única e exclusivamente por mim. Estudar e trabalhar no que gosto, para ganhar não o maior, mas o melhor dinheiro para garantir a estabilidade financeira da minha família, da qual sou um pouco mais chefe desde que meu pai desencarnou. Ter em cada dia, todos os dias, o pensamento firme nos detalhes mais simples: eu posso comprar a calça que preciso, ou vai faltar para a comida do final de semana? Posso juntar algum dinheiro por X meses para viajar [insira algum outro desejo semifútil], ou para dar para a minha mãe viajar e ver seus parentes? Se comprar aquela coxinha gostosa lá do centro da cidade, vai sobrar pra fechar o mês? Tem como eu comprar pra todos em casa? Quantas vezes vão comentar pra mim do valor da comida, da água e da luz, e quantas vezes temos que calcular para comprar um ptc de bolacha, que tem que alugar outra casa? pequenas, humanas e efêmeras causas, mas que apontam para uma outra consequência: nunca viverei só para mim,

e isso é uma constatação, e não uma reclamação.

Depois da família que venho, tem a família que constituirei, o que até já tem data marcada para começar “no papel”. E viver também por essa família a ser constituída é viver para aquela pessoa que lhe acompanhará, planejando juntos a hora de deixar de viver pra si para viver para uma, duas outras vidas pequeninas que depois crescem e seguem. E deixando o tempo passar, ensiná-las tudo que atrás fora aprendido. Até que a missão nesta carne esteja cumprida e seja hora de voltar para fazer coisas novas, aprendendo o que ficou pendente.

Nesse meio tempo, ainda há um tanto que ver e aprender: o aprendizado mais difícil por aqui é [n]a convivência diária com pessoas fúteis em diversos níveis, rasas no pensar porque tem medo da profundidade de seus vícios, virtudes e medos, imaturidades e conflitos pequenos, ociosidade que gera um suposto desequilíbrio, que na verdade nada mais são que atalhos de fuga das possibilidades de aprender com o que se vive. Além da manutenção do equilíbrio entre ambição e frugalidade, personalidade e impetulância, foco e buscas vãs.

As demais coisas para aprender: a não medir o cansaço e preguiça alheios pelo seu; a manter distante as pessoas que não fazem bem; a evitar expectativas a qualquer custo; nunca esquecer que absolutamente tudo tem 50% de chances de dar certo; que não devemos nos deixar pressionar pelas expectativas e planos alheios nos quais você é incluído. E que sempre estarão nas pequenas coisas as maiores satisfações de viver.

Ao não ter nenhuma possibilidade de viver sem ser “em função” dos outros, as vezes parece que a sua essência vai se perdendo durante o percurso.  A solidão inerente a nossa vida amplia a sensação de inoperância ante coisas menores, e as batalhas diárias ganham proporções maiores, pois ninguém mais humano olha por e para você, nem que seja para dizer o maior conselho de todos os tempos: “o esforço compensa. tudo passa” [afinal e naturalmente, as pessoas tentam ocupar-se apenas com as suas vidas e com as suas frustrações, notoriamente sem sucesso pleno].

Não tenho muitas perguntas a respeito da vida, mas percebi que ela vai nos moldando respostas a cada instante. Ela mesmo nos questiona e nos guia, nos dá as decepções e as ferramentas para clarear as respostas. E aprender, enfim. Ou a vida tem algum outro propósito maior que o aprendizado e posterior transmissão de lições, direta ou indiretamente?

As respostas que tenho são estas: permanecer dedicado e fiel as escolhas que fiz na vida, a todas as pessoas que tenho para acompanhar. Pra que esta jornada seja o quão proveitosa conseguir. Para que o resto seja sempre só o resto.

[♫] “.. mas tão habituado com o adverso, eu temo se um dia me machuca o verso. E o meu medo maior é o espelho se quebrar…” – Espelho, João e Diogo Nogueira.

Siga por aqui:

3 thoughts on “um pouco de espiritualidade.

  1. É por isso que eu detesto aquela máxima de que religião (credo, crença, fé) não se discute. Isso é desculpa dos que gostam somente de atacar a fé alheia. Belo texto, Tony. Também acredito que todos viemos a este mundo com um propósito. Abraços!

    p.s: o vídeo novo deve sair essa semana, ainda. (:

  2. A consciência da vida te faz ser mais capaz de compreender os fúteis. É preciso ter paciência. Às vezes penso que estamos nessa vida apenas para aprender a ter paciência, pois já viu que a tudo precisamos da dita cuja? Somos testados desde a hora que acordamos e até a hora de dormir. É preciso ter paciência!
    Gosto de ver em você um exemplo de continuidade, até porque já te leio a tanto tempo e sempre me confirma a pessoa especial que é.
    Estou com o seu blogue aberto desde quinta ou sexta. É, durmo e acordo com pc de casa ligado e só quando volto do trabalho ou tenho um tempo mais posso realmemte me “conectar”. Deixei aqui nesse post, para primeiro comentar e nesse dia passado, em que abri seu blogue e li a postagem, indiquei a leitura para a minha amiga Rute (a que me convidou para a Blogagem “Amor aos pedaços”) porque sinto que ela também é alguém que valoriza as pessoas que realmente valorizam a existência e sabe do compromisso que é viver. Não estamos aqui de férias!
    Boa semana!! Beijus,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *