(ou um pouco de cotidiano).

Quanto custa ganhar mais dinheiro do que você precisa, para ali na frente não trabalhar mais do que você realmente pode? É o preço que tenho ido descobrir nos últimos meses. Queria tirar um tempo de descanso depois da pós-graduação, mas a vida sempre te pede um pouco mais quando o que você mais quer é viver outras coisas. Cola isso numa pessoa semi-isone e imagine o resultado… É uma escolha [como todas as outras], que encaro com um sorriso no rosto, acompanhado de olheiras cada vez maiores e com alguns cabelos brancos dizendo “oláááá tudo beimmm?” de forma bem marotinha.

Assim, os dias têm passado de uma maneira mais cíclica, ritmados pelo nível de cansaço. No momento deste post, por exemplo, em condições normais de temperatura, pressão e horas na cama, escreveria em alguns minutos. Levei exatamente uma hora. Música, muita música, uma paciência que já não lembro mais onde adquiri, um olhar cercado por cabelos cacheados (ambos espetaculares) e o infinito desejo de construir um padrão de vida do qual me orgulhe, e não que agrade aos outros, são as motivações necessárias para que isto tudo dê certo, seja lá o que “isto tudo” significar ao longo dos próximos anos.

No universo particular, mesmo com tudo isso acima, eu nunca me senti tão bem. Cada manhã olhando pro sol curitibano enquanto atravesso a cidade de ônibus me dá a impressão de que esses [daqui dos 25 aos 30] são e serão os primeiros anos de ouro da minha vida [os próximos são daqui mais 30], onde corpo e mente estão em sua melhor forma para ampliar ou reencontrar o equilibro para as demais coisas de viver. Meu primeiro ano como diretor de Criação me ensinou que dá pra fazer bons trabalhos com pessoas ruins, mas eu ainda prefiro fazer trabalhos melhores com pessoas boas. Fui lembrado de um jeito muito bacana que a simpatia, acompanhada da sinceridade, deixa portas escancaradas só para quem tem capacidade de dar o melhor de si. E um relacionamento que evolui naturalmente para um projeto de vida é mais que algo que se diga puxa, ou que se escolham meias palavras para dizer sem dizer sobre ele… é viver sem ter medo de ser feliz, seja lá o que isso significar ao longo dos anos.

No infinito ao meu redor, eu não tenho nenhuma outra palavra pra usar a não ser receio, ao ver que a “invasão cristã” no mundo político vai gerar prefeitos e vereadores, nas maiores cidades do Brasil, com uma tendência perigosíssima para (A) trazer o preconceito/dogmatismo religioso para o centro da relação social dos brasileiros e (b) dar um motivo para o judiciário começar uma ditadura bem infame, liderada por em definitivo por quem tem bolso que pode mais.

Disclaimer: tá com tempo? Dá uma lidinha nos posts anteriores também! Uma dosesinha a mais de música e imagens sempre faz bem :)

Eu vejo as pessoas que estudaram comigo há 10 anos atrás comportando-se hoje da mesma maneira que naquele período e fico mais tranquilo ao saber que cada um de nós, de fato, só tem e vive o que merece. Fui relembrado também que quando uma pessoa que quer ser vítima de suas escolhas, você não pode, e não deve, fazer nada por ela. E como o resto é o resto…

[♫] “And it might take time, take time / coz’ this life has taken it right out of me / I wanna change my perspective of reality, be a much better version of me…” – Person I should heve been, James Morrison.

2 thoughts on “Um post de nada sobre coisa alguma.

  1. Essa invasão cristã acontece na cidade que moro. Aqui é muito difícil, por exemplo, fazer um evento que toque somente rock, mas hipocritamente eles promovem o rock gospel. Vai entender!
    Tony, durma mais, senão você não vai aguentar!!
    Boa semana!! Beijus,

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