Quantas e tantas vezes as idas e vidas do dia-a-dia nos amarram na monotonia de fazer as “mesmas coisas diferentes”, né? As vezes paro aqui pra escrever e o assunto é zero. Fico imaginando o quão tenso deve ser pra quem é pago pra fazer isso diariamente. No meu caso também é, pois com toda a humanidade que me cabe, não é todo dia que saem boas artes, boas marcas, bons projetos. Bons textos, então…

É nessa hora que entra no jogo todo o nosso feedback, tudo que esta mesma prática nos ensina. O tempo e o volume de serviços vão construindo nosso piloto automático, para tirar nossas obrigações de letra quando nem a cabeça quer. Pra criações “artísticas” este meu piloto anda refinadíssimo, e às vezes nem eu acredito que em 9 anos de carreira conseguiria “automatizar” tantos jeitos de criar. Já para escrever há um tanto de ferrugem, pois mesmo sendo os iguais 9 anos de rodagem,  houveram muitos em que nem um oi eu precisei digitar e assim como andar de bicicleta sem as mãos, precisa andar muito pra pegar a noção ideal de equilíbrio. Pra ver como minha trava anda forte é o volume de postagens, que outrora fora diário, ter sido reduzido ao semanal e, em boa parte deste ano, agendado. Num mundo ideal faria o inverso: agendaria o trabalho e usaria este tempo pra aprofundar outros assuntos sobre os quais gosto de escrever.

O prêmio por escrever tanto sobre um pouco do tudo é comunicar-me com clareza com a equipe de trabalho, formal ou oralmente. Se na leitura constante de blogs parece que aprendemos a voz de seus autores, ao vivo fica mais simples pra você buscar analogias que façam com que o outro lhe entenda da mesma maneira como se comunica. Ajuda muito nas demais relações para o momento de ouvir, pois você muda os sentidos: ouve com os olhos, lê com os ouvidos, e a atenção que dá ao outro é refinada. São recursos que mesmo a ferrugem de escrever não nos blinda, justamente por prescindir dos outros sentidos.

Assim atravessamos as idas e vindas do dia a dia fazendo as mesmas coisas de formas diferentes sem nos tornar vitimas delas. Assim praticamos nossas melhores habilidades de um jeito natural, e não esquecemos que o resto é apenas só o resto.

[] “If I had to do it all again / I wouldn´t take away the rain / ‘Cuz I know it made me who I am…” / Again, Faith Evans.

One thought on “travar, quem nunca?

  1. Faz muito tempo que eu não escrevo no meu blog, e eu tenho plena consciência disso. Às vezes eu abro a página principal, clico em “novo texto” e absolutamente nada sai das pontas dos meus dedos. Por um lado, não me preocupo. Sempre haverá um espaço, online ou offline, para escrever. Sempre haverá algum lugar para “descarregar” as coisas da cabeça, independente se alguém vá ler o que tenho a escrever, o que passa aqui na cabecinha do lado de cá da tela. Porém, acho que de qualquer forma, não interessa quanto tempo a gente leve para sentar e escrever, contanto que algum dia a gente sente, pare e escreva, muito ou pouco, palavras bonitas ou duras. O que importa é escrever, sejam textos quilométricos ou apenas uma frase.

    De qualquer forma, em qualquer tempo, sempre estarei aqui para ler o que você tem a escrever. :)

    Beijos! ;)

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