No mix entre o real e o virtual, existe um estereótipo comum que habita entre os dois planos: o sujeito triste, a bendita, os coitados. Ai deles, ai deles. Já reparou como tem muita gente “mal amada” na sua timeline, nas suas atualizações de rede social, nas noticias dos sites?

Não sei se é mania, fase ou estilo de vida mesmo, mas tá sobrando gente coitada no mundo. Prestenção: é fulano reclamando que nada dá certo, é ciclana decepcionada com amigo, amigo decepcionado com relacionamento, casal falando mal do parceiro, mas pagando pau… vou longe se ficar elencando. O fato é que a cultura do coitadismo tem imperado ante simplesmente viver, ocupar-se mais no real e dar um tempo pro virtual, que é de alguma forma depressivo, e depreciativo.

As pessoas fogem de suas próprias vidas pra cá. Covardes ao lidar com um emprego que não é dos sonhos [ou um estudo que realmente tenha brilhado os olhos], ou amarrados num relacionamento construído sobre os pilares do apego, atrelados a famílias que dividem o mesmo teto mas são mais estranhos que pra você que 20% dos seus contatos online [por pura falta de dialogo, do mesmo que investem-se horas nos messengers da vida], não buscam coragem para sair do lugar comum, do cômodo, quente e semiconfortável, e fogem. Fogem pro discursinho politicamente correto e pro mimimi. Fogem pras frases de efeito nos facebooks da vida. Fogem pras músicas supostamente definidoras de fases das nossas vidas. Fogem para situações piores do que as já vividas. Criam personagens, ou fingem levar uma vida relativamente distante da realidade, esquecendo que a alma, a essência, o ser incomodo e incomodado permanece o mesmo.

Assim, numa passagem de tempo muito rápida, a mesma pessoa incapaz offline é transformada na coitada online, que na frustração de não querer de verdade consertar suas dificuldades e levar uma vida mais simples, replica as posturas e comete erros ainda mais dolorosos online, que registrados e registráveis, podem ser lidos, relidos, destrinchados e (re)lamentados quantas vezes o tempo ocioso permitir.

As pessoas fogem de si mesmas, esquecendo que carregam consigo a responsabilidade sobre toda e qualquer [sim, toda e qualquer] coisa boa ou ruim que lhes aconteça. Na mesma escala, ter a consciência de que erra [como todos!] e não mudar ou achar que muda quando simplesmente replica aqui um ideal de falsa felicidade, é tão produtivo quando assobiar o hino nacional comendo farofa.

Quando uma pessoa é muito feliz, ou muito triste, ou muito dada, ou seja lá o que ela quiser ser extremamente, não tem tanto tempo assim para ficar contando sobre isso. Ela vive. Simplesmente vive! Ela curte aquele sentimento que está administrando no momento, sem fazer daquilo o supra-sumo de suas atualizações virtuais. Sem fazer disso sua novela pessoal.

Dito isto, sem mistérios, lamentoso leitor(a) que venha a vestir a carapuça sugerida por este texto: enfrente a sua vida offline, até porque, parando pra pensar, a vida não tem muito sentido senão escolher coisas que gostamos, desapegando automaticamente daquelas que nos incomodam e/ou não nos fazem bem.

Essa vidinha de polyanna as avessas já deu pra cabeça, não acha? Faça você também o resto ser só o resto.

[♫] ”… Tá vivo é uma coisa, se sentir vivo é outra parada / Vai, olha o que cê tem ao redor / Vale a pena, então levanta, dá o seu melhor…” – Eu tô bem, Emicida.

4 thoughts on “Tadinho(a) de você.

  1. Ai ai, Tony. Esses seus textos são sempre ótimos, mesmo. Sabe que vira-e-mexe eu fico me policiando pra avaliar se eu virei um desses tipinhos, mas acho que ainda não caí nessa armadilha, não. E nem pretendo, claro.

    Beijos! *:

    p.s: Obrigada pelos comentários. ^^

  2. Tony, as redes sociais estao cheias de pessoas que QUEREM SER OUVIDAS. ELAS NAO QUEREM OUVIR.
    Outro dia, eu tive uma discussao séria, no site da EPOCA, com uma brasilera que, vivendo na Suécia, pintava a vida de uma forma surreal. A versao dela era tao, mas tao fantasiosa que eu decidi relaxar e pagar para ver.

    Pronto…ela me achou no FB – antigamente, eu tinha um – e depois , via email.

    Nao, Tony…a versao dela era falsa, irreal…Nao entendo como uma pessoa, Tony, que vive uma vida tao naufragada, pode contar uma versao distorcida para milhares de pessoas e fazerem as demais, acreditarem nelas…

    Eu entrei em crise depois disso. Sai a deletar o excessivo de contatos via FB. Eu nao consigo ler algo e fingir que nao entendi.

    Eu nao recebo um email que eu nao venha a responder. Mesmo para falar que, sim, eu nao tenho tido tempo.

    Eu fui educada e educo meus filhos a serem assim…

    Outro dia, eu cai na real…eu estava, Tony, dentro de um curso, sendo guiada, feito cabresto, ouvindo a Diretora do Departamento dizer com todas as letras: SIM, VC NAO É A PRIMEIRA, MAS A FACULDADE SEMPRE CONSEGUIU REVERTER A CABECA DOS ESTUDANTES…POR QUE ELA É “O CARA!”

    Nao, Tony…naqueles munutos de conversa, eu revisei toda a minha vida. Os anos em que eu nao quis me filiar a politicos da familia e tomei caminho inverso.

    Como, Tony, eu defenderia uma tese nesses termos? percebi, desde o principio, através da Diretora que o tema da tese seria sugerido…Nao..eu nao poderia, por que eu já tinha meu tema de tese em mente.

    Hoje, muita gente fala que eu errei por ter dito NAO! Uma amiga falou: vc poderia continuar com o seu Mestrado, numa boa…

    Eu declienei, por que QUANDO VC LER, TONY, UMA LINHA NO MEU BLOG, SOBRE QUALQUER COISA, ACREDITE…AQUILO É O QUE , REALMENTE, ESTOU SENTIDO.

    DESSA FORMA, SEU POST NAO ME SERVE COMO CAPAPUCA.

    DIAS FELIZES

  3. Meu último texto tem um pouco a ver com este seu.Talvez o cerne da questão.O título do texto é Arrastando correntes. Disso tudo que você descreveu, pior ainda é quando , sem querer, notamos o falso e comentamos de modo que o demolimos .De tal forma que a pessoa volta-se contra você e parte para denegrí-lo pela net.Eu já me cansei.Quando comecei visitava dezenas de blogs e fazia questão de comentar . Hoje recebo visitas que não comentam e nem sei quem são. Não estou a fim de aturar gente desconhecida , doente e mal agradecida porque se voltam contra você quando contrariados.Por aq2ui se diz: Comem areia e arrotam tijolo.Ou ,comem carne moída e arrotam caviar.

  4. Tem toda razão. Sem tirar nem por. Ainda os coitadinhos se dão de postar textos de auto ajuda. Ainda a moda é tão arraigada que até o deputado cassado chorou em seu discurso final.Para não falar nos que perdem jogos, chorando a nível mundial. Segunda -feira é um dia triste porque vão às igrejas e voltam, pedindo a Deus o escambal como se a vida tivesse a ver com Ele.

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