Na primeira parte comentei sobre uma fração das coisas que fazem o país ser como é, e escolhi como culpados nós mesmos. E somos mesmo. Estamos sempre preocupados demais em atender um papel social, mas não refletimos sobre o que este papel realmente traz de benefícios para o todo. Consideramos de maneira muito pobre a interdependência que nos constitui como nação, a começar por muitas vezes sequer saber qual é nome do seu vizinho de apartamento, ou de rua. Regulamos nossas vidas por um modelo econômico ou por um continuísmo impensado e vamos tocando as nossas vidas com determinadas funções, propósitos e reclamações que simplesmente não combinam conosco, mas sequer questionamos. Fazemos porque precisa ser feito, porque foi sempre feito assim e não vai mudar nunca / não tem a necessidade de mudar. Atire a primeira pedra quem nunca ouviu uma das ultimas três frases, quando os assuntos são mais “cabeludos”. Agora, momento utopia:

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Imagine uma sociedade onde os mais ricos mantenham suas projeções de lucros, mas não façam disso norte para toda uma politica econômica. Empresários que entendam que os cenários internos e externos nunca vão permitir melhores resultados em todos os anos, e que a busca por isso nunca, eu disse nunca, deve custar o emprego do menos endinheirado. Uma sociedade onde o menos endinheirado tenha construído dentro de casa, desde o começo de sua vida, que ambição e corrupção são coisas diferentes, e que mesmo que por mais que ele se esforce talvez ele nunca chegue a ser uma pessoa absurdamente rica, mas que a plenitude da vida nem sempre está em ter ou ser o maior, o primeiro, o completo, mas o suficiente. Uma sociedade onde cada papel seja cumprido e a troca de papeis tenha mais a ver com vontade do que com todo o atual discurso terrorista de que “é um absurdo você ter vontade de fazer o que quiser! Tem que fazer o que eu acho que você precisa fazer”. Existem? Claro que sim, não 100% assim, mas existem.

O ladecá do planeta é relativamente novo, 500 e pouquinhos anos com perfil de nação é nada perto da Europa, por exemplo. E mesmo lá existem alguns absurdos que só não são noticiados por aqui porque não convém. Conseguiremos, brasileiros, amadurecer e nos tornar um pouco mais humanos na condução da nossa sociedade? Claro que sim.

Quando escrevi que estamos certos e errados quando defendemos o nosso, quero dizer que é certo conduzir a nossa vida com as ferramentas que temos e procurar sempre fazer o melhor com elas para garantir uma vida digna, estável, de progresso. Erramos quando perdemos os limites em prol destes objetivos. O que acontece? O riquíssimo, para não perder o lucro, escreve sobre terror e pessimismo, movimentando os preços nos mercados de ações conforme o humor, para garantir o seu. O bem rico, para não perder o dinheiro, segue as regras ditadas pelos preços. O rico aperta nas metas e cargos para cumprir estes objetivos. Os médios ricos entram em desespero porque enxergam uma possibilidade de ficarem distante do objetivo de serem ricos, e descem a pressão para os emergentes e pobres. Os emergentes sentem em demasia a pressão e tem dificuldade para produzir. Os pobres fazem o que precisam e mais um pouco para não perder o pouco que tem. E nenhuma das pontas para pra pensar de maneira bem sincera: qual a necessidade disso?

uma imagem para pensar… os conceitos estão corretos?

Longe de mim querer um modelo socialista, pois essa historia de igualdade social é uma falácia. Mas a desigualdade pode ser reduzida, e deve ser reduzida onde mais interessa: na capacidade de instrução, na formação social, e na construção de um papel na sociedade. Você continua entregando a responsabilidade de ser podre de rico ou humildemente pobre para cada pessoa, mas não torna isto a única possibilidade dela. E com formação, você amplia a capacidade de escolhas. Com maior capacidade de escolhas, vamos parar de discutir qual politico possui esquemas para roubar menos, se é o que está se perpetuando graças ao avanço social sem um real avanço cultural [PT] ou o que governa por profissão e monta uma rede de interesses que agrada aos mais pobres facilitando a vida dos mais ricos [PSDB] para eleger pessoas que estão nos propondo trabalhar mais de fato, por todos. Ai sim, faz o resto ser só o resto.

[♫] “Yeah I could dream more then

I could believe more then

That the world could only get better

I could be free more then

I could pretend more then

That this life could only show me good times” / once when I was little, James Morrison.

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