Nossa jovem democracia passou por mais um processo eleitoral.

Cada um dos pleitos nacionais tem sido mais acirrados em segundo turno e coincide também com o fato do aumento das discussões sobre o assunto, especialmente online [goste você ou não, nos últimos 12 anos houve um aumento significativo da formação dos brasileiros].

Noves fora quem venceu (e principalmente quem perdeu), o que estes papos e o expressar de opiniões tem revelado?

Que falta muito para amadurecermos como nação.

É lindo terceirizar a responsabilidade pela sempre presente (apenas ampliada neste período) cultura do “nós” (sul e sudeste, ricos e branquinhos, independentes de programas sociais) contra “eles” (norte e nordeste, pretinhos e pobres, que vivem apenas de bolsas e outros programas sociais), mas não é a imprensa sozinha que fomenta esta discussão, não é um único politico, não é uma pessoa de fora.

É cada pessoa que se acha melhor ou pior do que a outra por causa de uma opinião. Isso nos aponta para outra falha gravíssima de cultura.

Somos um país extremamente preconceituoso.

Sim, é somos mesmo, no plural, porque é cultura, não é exceção. Somos escrotos em diversas escalas.

Não adianta ficar lindinho dizendo ainnn que absurdo as pessoas falando mal do nordeste e colocar foto de luto pelo país ou simplificar o voto de quem o colocou em quem ai está dizendo que fora apenas uma confirmação de que aprova a corrupção, como o inverso é válido: não adianta falar que o voto na atual oposição é querer a volta do passado ou a prioridade total aos ricos “só porque ele é elitista”.

E olha que usei só os preconceitos mais leves que acompanhei neste período. Basicamente é um problema de falta de coerência. Por quê?

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Somos um país de características parecidas, mesmo com regiões completamente diferentes.

É comum ouvir na metade de baixo do país de quem mora na parte de cima não sabe votar. E se você responde para estas pessoas que as maiores dinastias / currais políticos estão justamente em mais estados do sul, sudeste e centro oeste do que no norte e nordeste?

E quando o pessoal destas regiões diz que não tem pobre no sul e sudeste, descobre que os maiores índices de desigualdade social estão justamente nas capitais, e que nelas tem beneficiários dos programas sociais nacionais e regionais? Você descobre uma outra coisa.

Que a noção de realidade da maioria dos brasileiros é distorcida.

Pois o limite do que ela considera efetivamente importante só alcança o que lhe convém, e alcança um percentual medíocre da população brasileira: as pessoas que voce conhece / convive. Literalmente, uma meia dúzia em relação a 200 milhões. [E se você acha que a imprensa te leva tudo que você precisa saber, inocente ilusão…]

Logo, as pessoas tratam como “todo mundo” apenas aquelas com quem convivem, sem pensar numa escala maior de pessoas e problemas. Quando discutem sobre problemas do país, limitam-se a discuti-los ate o limite do alcance de interesses particulares / específicos [o que basicamente é a essência do ser politico], tornando o papo egoísta e quase sempre raso, ignorante, pobre, simplista e xenófobo.

E qual seria a realidade do brasileiro?

É uma miríade de situações, justamente por existir problemas específicos para cada cidade e região. Não é sensato generalizar a partir de modelos específicos. Sobre a realidade da minha região, falei neste post aqui. Uma realidade que precisa…

vamo mudar, o Brasil precisa mudar, a palavra de ordem é mudança.

Outro chavão clássico da cultura do brasileiro. Ouço desde q me entendo por gente, e os filhos dos nossos filhos também vão ouvir, das vozes dos filhos dos filhos dos caras que concorrem agora. Porque o brasileiro é sua solução e seu principal problema.

O grande problema do Brasil é o brasileiro.

O brasileiro padrão, que considera caráter algo relativo, que não vê problemas em pequenos delitos [lembre-se: o politico corrupto é uma pessoa como você que não vê problemas em pequenos delitos, só utiliza outra escala…], que transfere o problema sempre para os outros, que espera acontecer, que só reage em períodos específicos, que não se instrui, que se reduz a pensar sobre o que convém… esse cara tá realmente preocupado com o futuro do Brasil? Nanana.

Tá preocupado com as contas do final do mês. Tá preocupado em dar uma vida melhor pra si e pros seus, custe o que custar [em todos os sentidos do termo]. Tá preocupado em construir uma vida melhor. Ele tá certo e tá errado, porque esse resto não é só o resto e eu explico o porquê na próxima postagem.

[♫] “And I hope one day you’ll see

Nobody has it easy,

I still can’t believe you found somebody new

But I wish you the best, I guess.” / Everybody Knows, John Legend.

One thought on “Sobre política e você.

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