Nunca antes na história teve tantas emoções e se coubesse premiação, minha intuição passaria o rodo nos troféuzinhos para este ano. Meu otimismo foi exposto a uma série de percalços e minha fé foi testada. As circunstâncias me expuseram a outro tipo de maturação e se não chega a ser, por enquanto, um ano inesquecível, foi dos mais desafiadores.

O saldo do otimismo depositado nos 365 dias deste ano pode ser chamado de válido. No copo meio cheio, eu continuei ganhando mais dinheiro que nos anos anteriores (e alcancei aquele estágio onde só não se pode comprar – ainda – os grandessíssimos bens), dei um passo (para o mundo) adiante no meu relacionamento e um passo na diagonal (adiante, amém!) na carreira; sai de férias e fiz tudo que deu pra fazer. No copo meio vazio, todas as pessoas próximas me decepcionaram de uma maneira incorrigível, eu perdi o encanto acerca de um pacotaço de coisas do meu cotidiano e literalmente perdi o ar por alguns segundos, aqueles que já havia perdido em sonho, materializados num acidente de trânsito. Continua valendo a pena ser otimista, mas o preço ainda está sendo digerido.

30-meses

Eu noivei! A porra coisa sempre foi séria, mas era preciso esfregar na cara das famílias e de quem não bota fé nessa nossa história dar um formalismo que, se não mudou a maneira como respeito e me dedico para a Carolina, explica pro resto do mundo que as duas partes já fizeram uma escolha. Uma escolha que não vem de agora e não ficou mais ou menos responsável porque a joia mudou de cor na mão. Uma celebração no meio de um terceiro ano de relacionamento que foi mais conturbado do que preciso. Mas que reforça a lição, ao menos para mim, de que amar é um ato, jamais é um discurso. E renova, de um jeito surpreendentemente doído, de que palavras são apenas palavras; o ato de dizê-las é que tem peso, e a falta de ações, mais ainda. Comentar esse assunto em primeiro lugar, só reforça que prioridade isto tem na minha vida e teve no meu ano… ser chefe de família não é brincadeira! De duas então, menos ainda. Como a segunda está em processo de construção, procuro em cada palavra dita e ouvida, em cada atitude praticada ou deixada de ser recebida, entre muitas (muitas mesmo!) outras coisas, consolidar os acertos que vi nas duas famílias que viemos para nos oferecer a possibilidade de erros novos, pois os das nossas famílias já sentimos na pele, e carregamos em nossas personalidades, o que foram capazes de construir. Cada um com o seu jeito e com as suas coisas a melhorar / evoluir, caminhamos para a construção de uma história ainda mais espetacular. Só faltam alguns detalhes que já comentei outrora.

O ano profissional foi imenso, pesado e instrutivo. Imenso, pois fazer 16h de jornada não é a coisa mais legal do mundo, mesmo sendo com algo que se ama e no final das contas não parecer tanto com trabalho, mas até lidar com paixões desgasta. O preço é grande, o saldo nas contas bancárias continua em progressão “semi geométrica”, o que ilustra que dos planos sob os quais tenho maior responsabilidade em torná-los realidade os resultados tem sido bem positivos, apesar de continuar pensando que conforto material algum valha uma saúde abalada por mais anos do que a natureza / tempo nos impor. Foi pesado, pois a responsabilidade “como chefe” foi transformada com a saída da equipe anterior de trabalho, que na imaturidade de ser transparente acabou se valendo dos mesmos princípios que supostamente questionavam no ambiente de convivência, que eu nunca escrevi aqui que era bom, pois não é mesmo.
Tive que atravessar a barreira da transparência para ilustrar os erros que estavam levando a empresa a uma derrocada incorrigível se algumas posições não fossem evoluídas.
Dei um voto de confiança na relação construída com o dono (uma relação única) mesmo não querendo mais conviver com os que ficaram, falando ainda menos e trabalhando sozinho, cumprindo com o serviço que era de três. Liderei a reformulação do time de criação e com poucas mudanças de atitude que vieram de quem errou, seguimos a vida. De minha parte, definitivamente sem encanto pelo “onde e com quem”, focando em não perder o encanto no “o que”. E com a cabeça o mais aberta possível para absorver nas lições do ano, para não repetir os erros na hora que for na minha empresa. Instrutivo justamente porque o que erram comigo / na empresa eu procurei fazer certo e ainda melhor no ambiente de frila, e deu muitíssimo certo. No fim das contas, o copo é mais cheio que vazio, apesar das tristezas / incômodos que ainda guardo.

No infinito particular, mais uma vez me mudei de residência e por ter “entrado em contagem regressiva” para o primeiro imóvel próprio, desencanei em definitivo do apego ao melhor lugar onde podemos estar. A procura por novos imóveis era algo que consumia minha paz de um jeito especial, e toda renovação de contrato dos últimos 6 anos eram meses em constante sinal amarelo. Mesmo com tudo dando certo até aqui (desde que passei a administrar a casa junto com quem ficou nela), a pulga fica lá, pentelhando. Mas faz parte… é o aprendizado pra quando for “só por mim”. Minha saúde foi um pouco mais instável do que o comum, tudo que eu não reclamei o corpo gritou sem cerimônia. Minha busca por evolução teve capítulos com mais altos e baixos, e faltou muito pouco para trocar um pacote completo de escolhas. Permaneço com a fé baixa nas pessoas com quem convivo e os planos b / realidades alternativas ficaram mais próximos do que aqueles gostariam que estivessem. No que está sob minha responsabilidade, continuo construindo pequenas mudanças de hábito / postura / atitude. E em tudo que aconteceu de bom, encontro os motivos para não esquecer que os passos estão certos, por mais que eu não esteja tão à vontade quanto antes com o caminho percorrido.

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No universo ao meu redor, o trétis simbolizou o perfil de um brasileiro que não assistimos ser exaltado: aquele que se planeja pra fazer tudo dar certo. Mesmo tendo em seu seio o mesmo naipe de bandidos que se escondem em outras torcidas, vai continuar dando exemplo ao Brasil de como se faz futebol profissional de fato. A cidade onde vivo e o estado do qual ela faz parte estão quebrados por escolher políticos pelos nomes dos pais deles e pelo lado b do crescimento econômico, caminhando lindamente para o status “irremediavelmente falidas”. Mas como o paranaense adora uma pose, fazem de conta que tá tudo certo.

A Copa chegou e boa parte do que os pessimistas profetizaram se concluiu: nem todo o legado ficou pronto, toda a burocracia ajudou, toda a politicagem influiu, e o “imagina na copa” renderá muito aos especialistas de coisa alguma. Copa que a seleção só perderá se não jogar também com o coração. Na política, o mesmo pacote de escândalos de sempre omitidos ou expostos massivamente conforme a conveniência do grupo de comunicação. A onda de protestos de uma “nova geração” foi a verdadeira marolinha da história brasileira, pois em janeiro aumenta tudo e dessa vez a rua não vai ser a maior arquibancada do Brasil. Arruaceiros que antes se escondiam entre outros grupos culturalmente mais interessantes agora são os black blocs. A Dilma vai se reeleger sem forca, e pra desespero de uma parte considerável da população, o pobre vai continuar sendo a prioridade, vai continuar sendo “tipo enriquecido” pra levar o país a um patamar um teco menos vergonhoso.

Que venha 2014 e que tudo que é o resto continue sendo só o resto :)

[] Sem música!

2 thoughts on “sobre este 2013

  1. Cada ano tem uma evolução. Na fase da minha vida, quando já confiei muito no ser humano, depois do passar dos anos, não espero nada mais de ninguém. É melhor assim. A tática é viver sem medo porque alguma coisa sempre acontece na vida. Senão, é estar morto.
    Boas festas!

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