Como você reclamava há 5 anos atrás a respeito das coisas da vida? No twitter não era. Em alguma comunidade do Orkut, talvez? Ou em algum dos blog-alguma-coisa, repletos de gif´s animados [que digivolveram para as mensagens em PowerPoint] e caixas de comentários muito, muito estranhas? Quando não tinha CQC, qual era a sua referência de “jornalismo diferente” [as minhas eram Piauí e Carta, e só.]? Aliás, o quer você fazia na segunda-feira à noite, heim? O que você faz na segunda à noite?

Numa insônia qualquer estes pensamentos passaram por mim… como era e como está falar a respeito das pequenas grandes coisas das nossas vidas, e como vivemos as grandes pequenas coisas dela. Sempre será curioso perceber o ciclo do tempo e as transformações que nem sempre são tão grandes, mas surpreendem.

Já parou pra pensar que estamos há alguns dias de fechar a 1ª década do “nosso” novo século? Se você é como eu que comemora coisas bobas, deve ter lembrado disso ao menos de bobeira. Se não, digo que nos últimos anos compilamos informação, útil ou não, suficiente para ter com o que ocupar-se pelos próximos séculos [por dia produzimos mais informação do que em todo o ano de 2003!]. Mudamos COMPLETAMENTE nossa forma de ouvir música e buscar conhecimento, evoluindo bases que se arrastaram pelos séculos anteriores. E essa foi a menor maneira que encontrei para dizer quanta coisa já rolou, e tem rolado. Um ciclo de evolucionismos [ou quase isso, segundo um baita entendido do assunto] que, torço, ainda esteja só no começo.

Ciclos e música me puxaram para uma afirmação: seus [nossos] filhos vão ouvir pagode, axé e sertanejo, talvez até com o mesmo rótulo [universitário]. Porque? Simples: eu e você ouvíamos [ou tentamos escapar de ouvir] isso há 10, 15 anos atrás [alguém falou Só Pra Contrariar? Terrasamba? Eu vi um cartaz do Bruno e Marrone ali atrás, não adianta esconder!], e fomos pegos novamente pela “onda”. A criançada que tenta fugir de ouvir hoje será relembrada [leia-se: cederá à pressão social] e também gostará disso daqui há 10, 15 anos. Ou você acha que os anos 60 a 80 voltaram com tudo nos últimos 5 só porque trendsetters são bons de pesquisa? Em mais 5 anos, os anos 90 virão com tudo e aquele vídeo que joguei lá no primeiro link do post arrancará lagriminhas de marmanjos e marmanjas, ouviremos a musica que a Angélica cantava em bares temáticos, e por ai vai.

Para sustentar esses ciclos, os gêneros contemporâneos. Rock, MPB, Pop… atemporais, atravessam gerações graças as novelas e as lembranças intimas que geralmente essas músicas, arquetípicas, conseguem captar. Mesmo eles enfrentam suas fases [cadê o CPM 22, tios do “emo rock” nacional?], tal qual o rock que hoje está representado / rotulado pelos coloridos do Restart [abre parênteses grandão aqui. Deixem a garotada gostar disso em paz… são músicas que funcionariam com você | funcionaram! | quando você tinha 13 anos, e ainda são melhores que dançar na boquinha da garrafa , ou te dar muita pressão, assim assim, fecha parênteses], mas constroem nossas referencias de passagem de tempo; ao menos servem para criar uma referencia de gênero a se curtir.

Já sobre passagem de tempo, uma pergunta Tostines: temos trabalhado mais do que há alguns anos, ou ao usar um bom tempo com a web temos levado mais tempo com trabalhos pequenos? Os dois, na minha humilde opinião. Temos feito mais coisas em menos tempo, mas esquecemos um pouco de nós mesmos, meio que invertendo a relação social: estamos querendo cada vez mais parecer como marcas, enquanto elas [as marcas] querem parecer [e ser, de certa forma] pessoas. Daí esse tantão de reclamação, seja pelas grandes pequenas coisas ou por pequenas grandes coisas. Mas vamos nos acertando, já que o tempo não para. E o resto é só o resto.

[] ”come over here, Ladireee… let me wipe your tears away…” – Heal Over, KT Tunstall.

9 thoughts on “Sobre as coisas e [do] tempo.

  1. meio o ovo ou a galinha.

    anyway, esse negócio do tempo é tão complicado. e fiquei envergonhada: nunca tinha passado pela minha cabeça que completamos 10 anos do novo século. putz.

    “não para, não. não para.” [impossível não lembrar do cazuza. sorry, não resisti!]

    beijos e bom resto de semana, Tony! **:

    1. quando me dei conta dessa “bobice” fiquei quase mais duas horas sem dormir, lembrando e tentando lembrar do que “mudou o mundo” nessa década: o trio de outro da Apple (iPod, iPhone e iPad); a consolidação do Google; Wikipedia, Orkut, Facebook, Twitter, Forsquare, internet pela rede elétrica; Um sem-número de excelentes interpretes em todos os estilos [em especial Amy Winehouse, Alicia Keys, John Mayer, e a consolidação da Ana Carolina]; Um negro presidindo os EUA e uma mulher aqui; os símbolos que atravessaram os anos 90 para serem lembrados cá; pokemon, digimon, harry potter, crepusculo, trilogia homem aranha, filmes realmente decentes do batman, 3d bacana, nintendo wii, celulas tronco pra valer, digital signance… ih, tem coisa :D!

      também lembrei de cazuza quando escrevi :P… bjo!

  2. Outro dia estava na estrada em carro coletivo e o rádio estava ligado, rodas as pessoas ao meu redor cantavam a música que eu nunca havia escutado.
    Não tenho mais tempo para curtir letras…
    Ouvir música…

    :(

    Seu post me deu idéias: Vou ouvir musica neste feriadão…fazer pipoca e ver uma comédia romantica…na terça volto a vida louca, rsrs

    Xerooooooooooooooo

  3. Tony, pode parecer loucuras mas, na minha familia, todos dizem que EU VIVO!E VIVO BEM!
    E nao falo por que eu viva onde eu vivo. Mas, sim, por que eu saio de onde vivo e vou á luta.
    tenho vivido, nos ultimos meses, adrenalina pura e, portanto, estou investindo em sonhos.
    Nao tenho ouvido tanta musica, mas tenho visitado lugares, antes visitados e que me mostram facetas diferentes.
    Um dia, anos atrás, eu vaticinei: NAO QUERO IR A SEGUNDA VEZ A UM MESMO LUGAR.

    Tenho ido. E tenho adorado. Agora, vou como fotógrafa e me pergunto, Tony: ONDE EU ESTAVA QUANDO EU FUI A PRIMEIRA VEZ?
    Será que meu olhar mudou?Meu senso ou sexto sentido?Nao sei. Sei que fui à Africa, entre setembro e outubro e vi, tudo muito diferente. Agora, em marco, eu vou ao Brasil,fotografar as belezas do Rio de Janeiro e carnaval, idem, Argentina e Uruguai e eu quero sentir se vou sentir o mesmo.-
    Pena que eu nao vou á sua cidade e ter um dedinho de prosa contigo. É que, você foi uma das boas pessoas que cruzaram meu caminho…via BLOGGER. E FOI MUITO BOM.
    MAS…
    Mas meus filhos???Nao.:eles abominam blogs…

    bjs e dias felizes

    1. E é verdade =)… diria que conforme nos levamos a vida, nunca vamos 2 vezes ao mesmo lugar: ou nós, ou o lugar, mudou. Geralmente, ambos. Você é um dos melhores exemplos que tenho a respeito.

      Pena mesmo que o caminho não esbarra por aqui… mas quem sabe um dia, né?!?!

      beijo :)

    1. Isso é. Mas acredito que desde os anos 60, a partir da consolidação do Elvis e o nascimento dos Beatles, temos muita “revisita” nos estilos musicais, em todos eles: surgiram novos e fantasticos interpretes, mas nenhum estilo definitivamente novo.

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