Uso muito pouco as mídias sociais, mesmo passando uma considerável parte do dia [dá fácil quase 80%] próximo a um computador e, por extensão, online. De tudo que uso, o twitter é o que mais acompanho e o facebook o que menos interessa, na proporção inversa do que me intriga.

Não porque ele seja um flogão de humor, como bem definiu um conhecido no mundo do passarinho azul, mas por ser uma versão reduzida de estudo de microtendências. Da simples fuga de uma vida monótona [por opção] a um retrato do impacto que as outras grandes mídias geram sob nosso dia-a-dia, transformando-nos em mini-caixas de ressonância da opinião alheia e, por extensão, senhores de nossas verdades. [por qualquer bobagem, com qualquer coisa], mas por estar exercendo com excelência o papel de teatro da humanidade.

A microtendencia que “identifiquei” é a síndrome de coveiro que tem assolado as timelines facebookianas há pelo menos 9 meses, ou a partir do momento em que a TV Record levou para o seu segundo programa de maior audiência [Domingo Espetacular, incentivados por séries de reportagens que já vinham sendo exibidas na Band desde 2010] diversas reportagens a respeito de maus tratos a animais, principalmente os domésticos.

Dali em diante, semana sim semana também, aquele show de fotos e de repercussões a respeito de todo e qualquer acidente / crime / fato envolvendo animais. Quanto mais sanguinolento, melhor. Tanto mais deteriorados os corpos dos bichinhos, mais distribuído. Seria apenas lamentável, se o buraco não pudesse ir mais fundo.

O que vai impedir as pessoas de, daqui a algum tempo, passar a expor e distribuir imagens de acidentes de carro, de assassinatos em todo e qualquer lugar das cidades, de passar a ir produzir este conteúdo [em maior quantidade], e perder a linha entre fato, ficção e realidade? Se as pessoas estão anestesiadas a respeito da luta contra as drogas, a corrupção, entre outros tantos fatores que a imprensa, quando serve à alienação massificada, faz questão de expor até que se torne banal, precisaremos de quantos cães arrastados e gatos esquartejados ou jogados de prédios Brasil a fora para que isto também se torne “arroz” de todo dia? Uma pena que para as outras pessoas, tenha tanta coisa ‘mais’ importante sendo só o resto.

[♫] “Ninguém respeita a Constituição / mas todos acreditam no futuro da nação…” – Que país é esse, Legião Urbana.

3 thoughts on “Síndrome de coveiro

  1. Quer saber? Acho que a galera já perdeu a linha com esse tipo de coisa faz tempo! Vira e meche são fotos de animais atropelados, mortos, crianças com câncer e mais uma infinidade de coisas que por diversar vezes são montagens facilmente fabricadas no PS só para causa um sensacionalismo barato… Ao menos existe a opção de bloquear tais postagens!

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