E hoje, as 14h, eu perdi o meu melhor amigo.

De hoje em diante, em definitivo, não tem mais o bom dia com dois beijos no rosto, e o boa noite com o  sempre zeloso aviso, vez ou outra: “to te avisando, não vai dormir tarde, depois você vai ficar muito mal”. Não tem mais o “se cuida” em cada vez que eu saia de casa, ou ia dormir.

Não tem mais as conversas enquanto ou eu ou ele estavamos cozinhando, ou temperando carnes, ou fazendo tempero.

Não tem mais conversas pela manhã, enquanto eu tomava café.

Não tem mais tutoriais de como usar o e-mail, salvar as senhas, e enviar uma mensagem pelo Facebook.

Não tem mais “aumenta as fontes naquele monitor, pois eu não estou conseguindo enxergar muito bem, embaralha”.

Não tem a lamentação por não ter mais condições de trabalhar de fato, e estar restando para mim a responsabilidade de ser o chefe da casa, o gestor das finanças, o equilíbrio da família.

Não tem mais as ligações em qualquer hora, seja para tirar uma dúvida, seja para confirmar se eu ia sair mesmo, se tinha avisado a mãe também, que horas eu ia voltar.

A única pessoa com efetiva moral para me julgar, absolver ou condenar, pois, como ele sempre dizia: “só eu e Deus sabemos o que tive que fazer para levar vocês até a idade onde vocês estão”. Não tem mais.

A única pessoa com quem  “me abrir” não era um desafio, mas um simples olhar, um único olhar. O único olhar que sempre soube me responder, com ou sem palavras.

Não tem mais as [justas ou não] cobranças, o espirito enorme de asa gigante de pai coruja, que vê seu filho crescer mas sempre enxerga aquela criança, e quer mantê-la por perto. Não tem as minhas reclamações com a “displicência” com a qual ele tratava da própria doença. Não tem mais aquela pessoa que sempre acreditou em mim, dizendo ou não. Não tem mais quem me fez crescer ouvindo que “ou você é o melhor no que faz, ou você não faz”. Não tem mais a confusão com do meu nome com o do meu irmão mais velho.

Não tem mais o meu melhor amigo.

E só eu sei o quão mais sozinho eu fico a partir disso. O resto é só o resto.

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3 thoughts on “Silêncio inevitável.

  1. Faz tempo que a gente não se fala, embora eu nunca tenha deixado de ler seu blog… O Sr. Servilio foi um grande homem. Fiquei triste com a notícia, meus sentimentos nessa hora difícil. Que Deus abençoe a você e a toda a sua família, e conforte os seus corações…

  2. Oi meu amigo.
    lamento tanto…mas há coisas inevitáveis, ha momentos que nao encontramos palavras que confortem.

    Lindo post…uma das coisas mais lindas que vejo no mundo é a amizade entre pai e filho e isso vc levará para sempre.

    Guarde isso, o amor, a imagem de grande homem.

    Bjs
    Inha

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