Sou de uma das últimas gerações [senão da última] que nasceu offline, e só viveu do meio pro fim da adolescência na internet. Assim, somos talvez os últimos a conseguir nos desligar, de verdade, do mundão online. [Coloque MUITA ênfase no talvez].

Talvez por isso me surpreenda [sem me assustar] com o fato desse espaço cá ter espaço para tudo, mas principalmente para essa fuga de si, essa espera inútil para que algo ou alguém traga algo que apenas por conta própria somos capazes de ter e oferecer.

E por isso também consigo me sentir ainda melhor quando nutro um natural desapego pelo online. Valores que constitui offline e sustento aqui: acredito na sinceridade dos relacionamentos [independendo o suporte pelo qual ocorram], na clareza da comunicação, e passo “de lado” aos contatos [in]convenientes e no oportunismo arrogante, mesquinho, e incoerente.

Não morro se as 15-75 mensagens / dia acumularem-se no[s] meu[s] e-mail[s]. A quantidade de posts neste blog denuncia a “frequência” de uso do local [bem como a quantidade de visitas a vocês que lêem e vem retribuir o comentário]. Tuitar, orkutar, facebookizar então, vish… se qualquer uma dessas coisas acabasse amanha, meu mundo não mudaria.

Por que eu sei onde mais encontrar cada uma das pessoas com quem me importo, independendo se elas também se importam comigo e sabem onde mais me encontrar. Porque penso nelas mesmo longe daqui. Porque escrevo para elas, mesmo que sequer se disponham a me responder. E quando digo isso para elas, das mais distintas formas, ou estranham, ou celebrizam-se. Coisas da internet…

Acho curioso quando a pessoa parece “morrer” ou “te mata” quando o uso do online não é tão psicótico ou freqüente quanto o da desocupada interessante média. Também me divirto vendo como aqui virou um vasto território de nano, micro, minis e pequenas celebridades. Pequenos e pequenas divas correndo atrás dos seus 15 mil visitantes únicos de fama, ou outro qualquer número que sugira isso [fica feio se eu perguntar qual o porque, mesmo?]

Nessa pegada, temos transformado as pessoas em coisas. Nossos objetos de vangloria. Nossos macaquinhos repetidores, realejos digitais. Não temos amigos, temos fãs [que linda é essa palavra :)… banalizou completamente o sentido da palavra amizade =P]. E como celebridades, os tratamos como tais. “Não tenho tempo”, o mantra da procrastinação, é a regra. Tirar o melhor daqui para refinar algo de si, e ser verdadeiro com quem lhe compartilha atenção, exceção.

É incomodo ver que o relacionamento online está virando [ou sempre foi e só me dei conta agora] um jogo onde cada um batalha para demonstrar que sabe extrair muito dos outros e oferecer só o que convém como retorno. Que você vale a audiência que pode gerar. Que você é o tempo que investe no que há aqui.

Nessa linha, sou pouco então. Ainda bem. Antes um esporádico comentário que diga “gosto do que você escreve, me faz pensar em ser alguém melhor” que trocentas frases que repitam o que escrevi ou digam qualquer coisa para poder deixar o link “naquele lugar super visitado”. Antes uma resposta muito tempo depois, mas sincera, que mensagens “abre alas” para um despejar de bobagens, ou qualquer pedido por pedir. Antes um RT de duas frases comuns, que de links esperando por marqueteira retribuição.

Antes usar a internet para manter um pouco mais de si, e ser um pouco mais de si, do que “ser a internet”: muito mais do mesmo, investindo para continuar não sendo algo mais, agindo em prol de fugir. A vida é mais, fica a dica. E o resto é o resto.

[♫] wonder this time where she’s gone / wonder if she’s gone to stay…” – Ain´t no sunshine, na gravação de Michael Jackson.

7 thoughts on “Realejo digital.

  1. Adorei seu texto. Bom, eu nasci offline, mas tenho uma certa dificuldade de me desligar do on :S o que me traz muitos prekuízos, mas de certa forma, aqui não me sintomuitas vezes só, e o bom que eusempre estouinteragindo, sja lendo, conversando, qlqr coisa….
    É… seria bom se eu pudesse me desligar. Eu sei que posso, mas tenho coisas boas aqui, que tb me fazem bem :D
    mas tenho muito amor tb, por mim e pelas pesoas, que prefiro deixar fora daqui. A conversa olho-no-olho, me agrada e não há mais sinceridade que isso :D
    beijos querido
    tempo que não nos falamos! tenho boas novas pra lhe contar :D logo surgirá um meail pra você ^^
    beijos

  2. Tony, uso a internet para muitas coisas além desta ‘interação’ das redes sociais e da blogosfera. Mas separo bem! Tenho o momento de me desligar do mundo das redes para poder trabalhar online, mas uso o meu momento relax online para fugir do stress. E não é que descobri tudo isto que citou acima e que também me stresso, principalmente com gente sem noçao, que te cobra. Como odeio ‘cobrador’ no mundo real, que diria online?
    Agora estou lendo o seu texto, ouvindo esta música http://www.youtube.com/watch?v=7jgmgE-QDzA em minha casa. Aqui tudo é real e encaro o comentário que faço como uma conversa. Estou trocando idéias e bem, mudamos de postura dependendo da resposta que temos e pessoas que repetidamente notamos que entram no blogue ou participam da sua rede apenas para autopromoção ou mesmo para que você seja mais um, um número (como disse), tô fora! Até porque estou sem tempo para gente nonsense… concurso de blogues, nossa! Esse top blogues já deu! Todo mundo concorre, todo mundo te pede votos, todo mundo poluindo e enchendo de lixo o mundo virtual :P #prontofalei
    Às vezes sinto saudade extrema de quando comecei a blogar, não existiam interesses além de mostrar idéias, sabê-las, ir fundo para reformular as outras.
    E acho que está corretíssimo em ‘peneirar’, separar essa loucura toda!
    Ah! E estou adorando os beijus!! :D beijus,

    1. pra começo: a música é bacana [assim como a sua playlist no blip ;)].

      Psé, é uma ferramenta vasta o suficiente pra nos entreter com muito mais que novas traduções pra nossa vida. Pior que as pessoas que cobram, são aquelas que pedem, cobram, e ainda ficam de “má vontade” conosco [seja lá o que as motive para tal situação] :P…

      e justo por esses motivos que voce descreveu [penso igualim a ti], nunca fui de buscar uma rede gigantesca nesses 6 anos de blogagens. Top blogues, memes, correntes, ui… depois que caiu no mainstream e virou “mídia de massa”, deixando de ser mídia de consumo, fica cada vez mais complicado montar seu feed / pastinha de favoritos com aqueles blogs gostosos de ler, que independendo o tamanho da postagem há o prazer em ler e deixar sua opinião ali, ficando com o tamanho que ficar. E sabe que a pessoa logo vai responder, de alguma forma.

      então tão, mais beijões aqui também :D!

  3. Fato: ainda não inventaram nada melhor que enviar e receber uma carta com selo carimbado. Mas que os blogs são legais, ah, isso são… são meio que uns armazéns desarrumado na cidade dos supermercados.

    Nem é propaganda não, mas há muito tempo fiz um texto que se chama Primórdios de Internet lá no blog. Acho que ‘cê vai gostar.

  4. Cara, eu nasci completamente offline. Gosto disso. Comecei a usar a internet com 13 anos, acho. (hoje eu tenho vinte e dois). Não sei se foi a idade certa. Também não sei se tem idade certa.
    Só não acho legal minha irmã de sete anos ter orkut, tuiter, msn e essas porras todas. Um dia ela adicionou a comunidade “Eu já comi uma Silmara”. Por que? Porque o nome da mãe dela é Silmara e ela não sabia muito bem o fazia na internet. Como também não entende porque tira vinte e cinco fotos iguais dentro do banheiro de oculos de sol e posta no orkut. Sim, eu já falei pra ela que meninas bonitas e inteligentes não fazem essas coisas..
    tsc tsc.

    1. Ah, não tem idade certa não [só tenho 1 ano a mais]. Tenho uma sobrinha com 13 anos, e todas esses “brinquedos” da geração dela foram devidamente explicados antes dela usar, ou não [tem orkut, mas não pode usar foto dela; twitter, tem mas não usa; msn, os pais sabem o que se passa nele]. No caso da sua irmã acredito que o “problema” [se é que há algum] está em quem cuida dela… no fim das contas, ela está “imitando” o comportamento de alguém, em casa ou do grupo que convive [que, assim como nós, fazem algumas coisas que não entendem muito bem, mas para não ficarem desde já excluídos, seguem a manada].

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