Senta ai, e presta atenção no que vou lhe falar.

Más notícias: Somos sempre sozinhos. Sempre. Indiscutivelmente. Você é uma pessoa sozinha.

Mesmo que você tenha fé e creia em algum tipo de Deus, que caminha ao seu lado, você é sozinha. A solidão é uma condição humana [ainda que falemos dela como um estado], desenvolvida graças a uma feliz proporção biológica [dada por alguém, pq pelo visto não temos mais tanta capacidade pra tão prodigiosa evolução]: dois ouvidos, uma boca; uma cabeça, dois braços, duas pernas. Um coração.

Mesmo quando você transfere suas responsabilidades aos outros, de ser feliz a pintar a unha naquela cor bacanuda que a atriz divulga, ou fazer 3 gols dados no futebol da semana. Mesmo quando você acha que o mundo conspira contra você, como se ele não tivesse mais o que fazer para prestar atenção numa única pessoa. Principalmente quando você reclama sem parar, quando mede os problemas / posturas / opiniões alheios(as) pela sua régua, e cria uma série de subterfúgios e posturas para que o seu egoísmo prevaleça ante qualquer situação. Principalmente quando você acha que o “espaço” [on ou offline] é [a única] válvula de escape para as suas dificuldades. Você, você ai de zoinhos grudados na tela, é sozinha.

Você pode dividir sua casa com 18 familiares ou apenas com um cachorro / 2 gatos, quando encosta a porta do quarto e bota a cabeça no travesseiro, é você e sua consciência, se ela existir. Quando você deita de conchinha com seu thutchuco ou com sua tanajurinha também: teu coração tá batendo no mesmo lugar e a gente nunca vai descobrir o que circula nos neurônios de lá. Quando desabafa com seus amigos / colegas, que prestam toda atenção do mundo, mas não vão resolver nada que lhes pertençam [mesmo quando apenas ouvir é uma solução sugestiva]. Quando vai pra uma ilha ou está numa metrópole, você é sozinha. E foge disso todo dia, loucamente.

Ainda não vi ninguém resolvendo alguma situação de sua vida, fugindo dela. [Se conhecerem alguma história assim, me contem!] Matuto esse post por alguns dias e ainda não entendi muito bem porque a solidão é mitificada nos ambientes em que convivemos. Qual é o mal que há nisso? O que há de negativo na solidão, que eu ainda não enxerguei?

Vejo é uma falsa celebração da sua inexistência, quando artistas / celebridades depressivos, que por trás daqueles sorrisos de dentista chique escondem seus poços de magoa, madrugadas insones em hotéis, poltronas mais que exclusivas no jatinho particular, festas onde a diversão é abusar do que se construiu; um conjunto entre diversos exemplos que poderia pegar, esconde uma situação que não deveria ser tão complicada: cercados de gente, sozinhos como num útero.

Vejo ainda que deveríamos pensar melhor a respeito daquela proporcionalidade biológica e nela, enxergar algo além: somos por nós mesmos, e ninguém mais o será antes disso. Se queremos nos sentir inteiros, completos de alguma forma, precisamos ser primeiro uma metade inteira. Se desejamos companhias que valham a pena, devemos ser esta companhia, em primeiro lugar; precisamos sê-la para nós mesmos. Se quisermos ter menos coisas do que reclamar, é preciso colocar [ou retirar…] as lentes com as quais enxergamos nossa própria vida. O sentimento da solidão é muito forte? Reconheça e admita sua condição, para redimensionar as expectativas de como supri-la. Ainda não vai te livrar da carência, mas vai te ajudar a matá-la com as ferramentas, coisas e pessoas certas [para esta fase que você vive. Poderia falar de viver as coisas em cada dia, mas isso é pra outra oportunidade].

Pensa nisso, e nem precisa ser só quando colocar a cabeça no travesseiro. Quando a solidão bater, revide: surre-a de cinta ou com o cabo do mouse. Espanque a maledeta até cansar. Ela vai aprender, assim como você. O resto é o resto.

[♫] “nothing to doooo, no one to beeeee, is it really haaard to see, why I’m perfectly lonely…” – Perfectly Lonely – John Mayer.

10 thoughts on “Pra sempre assim.

  1. é, já diziam por aí que cada um é uma ilha cercada só de água…..
    p.s.: vc gosta de john mayer que eu reparei ;) hahahaha
    Beijos e bom começo de fim de semana hahahah :*

    1. alguém pegou a analogia da imagem, aeeee \o/\o/\o/
      gostaaar loucamente, não digo. Mas os dois ultimos discos dele há algum tempo passeiam nos meus players, e disso comecei a prestar atenção no que / com quem / onde ele já tocou.

      bjo!

  2. é… vou ter que discordar. eu acho que solidão é estado de espírito, é opção. quando alguém se sente sozinho, ele se sente. logo, é sentimento, é emoção. não é uma pré-condição humana.

    mas, gostei da honestidade. (: beijos, Tony! **:

    1. e as pessoas que vivem cercadas de gente e ainda assim consideram-se [dizem e sentem-se] sozinhas? As excluídas nos mais distintos grupos [trabalho, escola, família, etc]?
      Levo ao “status” de condição porque somos responsaveis por tudo aquilo que queremos enquanto vivos; mesmo quando dependemos de pais na infancia, reza um velho ditado, “quem não chora não mama”; o mesmo vai evoluindo com o nosso “envelhecimento”… ainda assim, não exclui o sentimento da solidão, que sempre pega a todos.

      bjo!

  3. Eu li o título ao contrário, li “assim pra sempre” (dislexia?) e fiquei com uma boa e velha música na cabeça que diz “Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente.” (Meninos e Meninas, Legião Urbana) E ser sozinho é assim: fica complicado e diferente. Vindo de uma pessoa que sempre foi sozinha, desde pequena, independente de com quem morava, e que vive sozinha há 2 anos e meio, só o que digo é que concordo com sua visão da solidão. Somos sozinhos, e não adianta bater o pé tentando provar o contrário. Claro que às vezes o bicho pega, como diz a música, vai ficando complicado. Mas até nesses momentos complicados algo acontece para fazer diferente. Fazer diferente faz a diferença na vida de uma pessoa. E é o que ajuda a espancar a maledeta até ela sair da minha cama, voltar pela janela, e me deixar dormir em paz…

    Adorei o texto!
    Beijos! <3

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