Raras vezes reposto textos antigos. Estava começando cá um sobre a constância dos nossos dias, aquela certa rotina que de chata só tem as nossas perspectivas (algum dia o escrevo). Até que a frase “chuva lá fora” lembrou-me de um texto de 2008, não diretamente por seu conteúdo, mas porque ele também diz que nessa constância nós começamos e encerramos coisas; sempre teremos algo para levar e algo para deixar; Algumas, mesmo que substituíveis, não são “esquecíveis”. Assim, ele que diga o resto, que é…


De um dia sem aula (março,2008)

Noite de verão, chuva lá fora e eu aqui, pensando em mim. E abrindo um sorriso a cada lembrança infame trazida seja pelo verso da música que faz pano de fundo pro som gotejante de São Pedro, seja pela própria mente que propriamente viaja numa noite de corpo cansado e mente em paz.

Noite de verão, chuva lá fora e eu aqui, pensando em mim. Pernas quase pro ar, uma pose estranha [porém confortável] para grafitar a penúltima folha de um caderno que tem nada mais nada menos que 4 anos de cartas a amigas e amores, que vezes foram as duas coisas, noutras um de cada, ou um pouco, ou ainda nada disso; posts [como esse!] pra um blog, relatos, rabiscos, idéias, pensamentos soltos traduzidos em palavras pra que qualquer dia eu pudesse ver o que entendi [ou não] nesse tempo. Folhas amareladas, sinais visuais de que o tempo passa e passatempo escrevendo pode ser divertido.

Noite de verão, chuva lá fora e eu aqui, pensando em mim. E num versinho assim, rimadinho com im, começo meio e fim. E nas músicas que cantei. E nas mulheres [as vezes só meninas, noutras tão mulheres] que encantei, sem pensar pq com todas elas me decepcionei. E que aquela, aqueeeela, num encontrei. (hei de encontrar, sei!) e até lá vou como antes: viverei. (eeeeeeeii!!)

Noite de verão, chuva [parando] lá fora e eu aqui, pensando em mim. A pose mudou um pouco, a música mudou bastante, e enquanto o sono não vem as linhas azul [muito] desbotadas vão sendo preenchidas. Como uma vida vivida. Como o som das poucas gotas. Como o silencio dos meus pensamentos. Como as minhas letras tortas letras. De forma. Deforma. De forma simples, como um sorriso feminino, um olhar inocente, um bjo na face, um gesto sincero, uma expressão singular. Ouço a chuva continuar. [não] vejo a hora passar. Fecho o post e passo a régua, pq deu uma página inteira de caderno e até numa noite de verão, com chuva lá fora e eu aqui pensando em mim, o resto é o resto.

[♫] therrgooos my beibeeeee with-a som-one nuuuuu… she sure looks happy, i sure am bluuuuu…” – Bye Bye Love – Ray Charles.

10 thoughts on “Pedaços (d)e lembrança.

  1. Pensando que faz tempo não fico com esse tipo de pensamentos! Não porque ainda não valeu a pena pensar e sim porque tenho a nítida impressão de que quanto mais longinquo o fato, mais temos a tendência de colocá-los junto com as nuvens de algodão e torná-los bonitos. Saudade só sentimos de coisas boas e nessa, as coisas ruins são tapadas por essas mesmas nuvens. Por isso o não pensar! Pensar leva tempo!! Boa semana, Tony!!

    1. fato… mas também vai de como levamos a vida? Tem gente que tem a péssima mania de dourar todas as pilulas, sem aprender nada com a vida que leva, sem levar nada de interessante da vida que tem. Assim como tem gente que só se empenha em ter saudade ruim, viver magoado com coisas que não poderá mudar, independendo quantas vezes pense. O lado que se olha pro copo… =)

  2. As mudancas….eu vivo sempre mudando. As pessoas, muitas vezes, nao percebem. sempre temos que nos dá a chance de mudar. Algumas vezes, silenciosamente…mas, viver, requere, mutias vezes, mudancas de toda ordem.
    belo texto, Tony

    1. acredito que somos todos feitos na mudança. Temos uma essencia [que não muda e impulsiona nossas transformações ao longo da vida], mas em cada piscada podemos ser alguém diferente. Até como citei num texto anterior, depende de quantas lentes colocamos ou retiramos no nosso dia-a-dia pra entender / perceber / mensurar / querer avaliar isso…

  3. É bem bom quando a gente relembra textos antigos, e consegue sentir um pouco do que sentia enquanto escrevia.

    Mas é bom também quando escritos soltos de tempos atrás vêm confirmar fatos da atualidade.

    E é ótimo “saber” que não somos os únicos “perdidos” em pensamentos…

    Adorei o texto, meu bem.
    =)

    Beijos. ^^

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