Ao mesmo tempo em que a vida tem situações e questões complicadas de lidar, ela nos dá a oportunidade singular de alimentar paixão por coisas e pessoas, né não?

As circunstâncias nos condicionam a reclamar, não ser grato pelo que já tem, a olhar para o negativo, a tentar direcionar a maioria das nossas frustrações para o consumo. Mas, é possivel respirar fundo, checar o que te cerca, e lembrar que, sendo a vida uma só, dá pra passar por ela com mais quentinhos no coração do que com a cara amarrada.

 

O que desperta minha paixão

 

A profissão. Ainda não cheguei no ponto do uso de tempo x valor que recebo por usá-lo, mas nunca estive tão satisfeito com o que produzo quanto agora. E não é nem questão de trabalhos grandes ou pequenos, bonitos ou feios, ao meu gosto ou “100% como o cliente pediu”. É um simples terminar de jobs e “pqp como eu gosto do que eu faço, meeeu caneco”. Sem dormir, ou perdendo feriado [ou os dois], em cada trabalho que tenho entregue, extendo meu prazer pelo modelo profissional que escolhi e como posso administrá-lo.

 

Por ajudar. O envelhecimento vai mudando a nossa forma de pensar e de conviver. Sempre fui o orelha de ferro de amigos e amores. E continuo gostando de fazê-lo, seja para os amigos próximos, seja para pessoas desconhecidas que simplesmente sentam ao seu lado em algum lugar e começam a falar, sem parar.

paixão por ajudar
[não que eu acabe desenhando todas depois, heueue…]
Na maior parte dos casos, aprendo mais ouvindo as pessoas que falando sobre meus sentimentos. Até pq isso majoritariamente é uma via de meia-mão: quem quer falar não tá inteiro ou disposto o suficiente para ouvir; quem quer ajuda, raramente sabe ajudar. Assim acabo tendo um pouco de “auto terapia e regulação”, naturalmente.

 

Por ficar em casa. Isso eu sempre cultivei, afinal a severidade da criação acaba me deixando mais trancado que a maioria das crianças da minha geração. Nunca problematizei isso, pelo contrário: acabava tirando o melhor do que tinha dentro das minhas possibilidades, o que me forjou a sempre ter paciencia, com ou sem ansiedade, para conquistar tudo que fazia e faz meu coração ficar quentinho. Hoje, algumas coisas são tão fáceis de ter, que mais que valorizá-las, eu as vivo em plenitude.

paixão pela minha casa

paixão pelos meus projetos

E ter uma casa espaçosa – com espaço até para a belezinha aí acima – foi algo que demorou para poder ter. Isso me faz curtir cada cantinho que organizei, desde o escritório extremamente confortável até limpá-la em 2, 3h. Me faz ter gosto por sentar em cada cadeira, por cochilar no sofazão, e valorizar que tudo isso só é possível porque as minhas outras paixões me condicionam a alcançar.

 

Pelos meus projetos. Eu vivo uma vida consideravelmente simples, mas meus planos são ambiciosos. Desde dar um novo conforto para o menino que dormia num quarto minúsculo até uma carreira que brilhe “no modelo mais tradicional”, para chegar num pacote de anos para viver no lugar do planeta em que eu realmente me sentir à vontade, cada vez que reviso minhas listas, sinto o calorzinho bom no coração de quem tá passando por uma jornada sem tentar “ser como todo mundo”.

 

E viver desse jeito, com essas paixões, mais que deixar o resto sendo apenas o resto, faz com que a vida fique mais simples, mais leve, mais feliz. Permite que a gente consiga doar-se aos outros sem esperar nada em troca. A superar traumas convivendo com eles. A crescer de dentro pra fora. A entender de uma outra forma o que “sentido da vida” pode vir a ser… e sorrir sem mais nem porque.

 

Imagem da capa: http://sueterdevago.tumblr.com/post/153498703906

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