– Moço, oi. Posso te pedir um favor?

 – Oi, pois não?

 – É, rhhmmm… me dá um abraco? É que tá muito frio…

 – Heheh… por favor, venha. (Abre os braços), sem problemas…

Ela vai e se aninha como se aqueles braços fossem realmente conhecidos, e não o primeiro estranho que parou no ponto de ônibus daquela gelada quinta feira.

 – Levou um baile do clima, então?

 – Ah, não botei fé… teimei – diz, com um sorriso amarelo sedução.

 – Vai pra onde?

 – Comecinho do centro, e você?

 – Um pouco mais pra frente… vamos fazer assim: te empreso esta blusa, vc me entrega amanha, neste mesmo bat horário, pode ser?

 – Mazaaahhh, nem precisa… vcvaificarcomrrioenaoseeeei…

 – Nah, de boas! Pego sol quase o dia todo no lugar da sala onde trabalho.

 – Naaaah, não precisa, era só pra esquentar um teco mesmo…

 – Não? Então pq vc não saiu do meu abraço ainda?

 – Ahhhh é que tá tão bom…

Os dois dão risada como se aqueles fossem mais 5 minutos de uma longa história. Ele empresta a blusa e torce pro sol de outono bater na janela dele, ao menos na hora do almoço. Ela usa a blusa e passa o dia tentando, sem sucesso,  descobrir qual era o perfume – tão bom! – que estava ali. E devolve a blusa com um beijo e um chocolate. Ele recebe a blusa com um sorriso e ‘nanananana, e o meu abraço?”, devidamente retribuído. Começou…

[♫] “I really, really wanted to catch your eye

there’s something special ‘bout you

I must really like you

‘cause not alotta guys are worth my time

Oooh baby, baby, baby

It’s gettin kinda crazy

‘cause you are takin over my mind

 

And it feels like

OooOooooOOo…” You don´t know my name, Alicia Keys.

2 thoughts on “Outro tipo de calor.

  1. Ah, ah, que bacana! E assim começou! Viajei na história e imaginei a cena. Tão bom se a realidade fosse assim, com a gente compartilhando abraços e construindo laços. Sem desconfiança e sem maldade. Mundo utópico?
    abraço, garoto

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