Naturalmente existe uma saturação nas coisas que fazemos repetidas vezes, e isto fica acentuado quando trato do ambiente online. O click da vez é com as redes sociais, por dois motivos: modos ruins (na minha ótica) de fazer publicidade e a repetição das personagens que meu rol de seguidos e conexões fazem.

Nunca tive muita paciência para as filósofas de decote / espelho, nem para os ranzinzas políticos / supostamente politizados, muito menos pra turma da vida comercial de margarina 2.0 (aquelas pessoas q dão satisfação sobre absolutamente tudo que fazem aparentemente felizes, mas quando emendam uma conversa, demonstram a tristeza do cotidiano e a conveniente fuga que o ambiente online lhe dá, inclusos aquele sem-número de indiretas compartilhadas que sugerem o verdadeiro estado de espirito da galera). Troquei o tempo útil que utilizava para observar estas personagens por um filtro mais apurado de que tipo de gente assim manter, pra fazer outras coisas (trabalhar, trabalhar, trabalhar). E de longe, fica ainda mais bizarra a maneira como estas personagens atuam, principalmente no combo tv + rede social. Longe de fazer um julgamento de valor, não é isso.

É que é curioso como adoramos dar ao cérebro gaps de ociosidade e repetição, em ciclos curtos (entrar e usar todos os dias as redes sociais, sentir-se obrigado a comentar o que você está vendo, principalmente sobre coisas que você não gosta ou aceita) ou longos (aguentar em media 5 anos de uso dela, dizendo que a rede ficou ruim por conta própria, esquecendo quem é que a qualifica), e vira e mexe reclamamos da falta de interação, comunicação, ou do distanciamento entre próximos pela (suposta) aproximação com distantes. E mais curioso ainda, que vivemos ansiosos por smart devices maiores, mais rápidos, modernos, mas a ultima coisa que fazemos com ele é um uso smart.

Tanto se faz e se investe para que eles sejam mais finos, leves, mais humanos, mais acessíveis, melhor encaixáveis na obsolescência programada, pra no fim das contas fazermos o mesmo que fazíamos 10 anos atrás: trocar / publicar mensagens, com ou sem (no caso do nosso momento, a partir de) imagens, apenas com uma suposta agilidade maior. Estamos realmente fazendo melhor as coisas, ou estamos fazendo de conta que nos modernizamos? Ou apenas vivendo o meio de mais um ciclo, onde “estamos esperando ser surpreendidos novamente” por um device revolucionário que mude a maneira como nos comunicamos, para no fim das contas continuar fazendo o mesmo? Será que estamos mesmo deixando o resto ser só o resto?

[] Sem música! 

One thought on “offline, mas não tanto.

  1. Oi, Tony!
    Passo muito pouco tempo em rede social e quando acesso, sempre estou excluindo alguém que diz alguma besteira. Certo que damos chance, daí a pessoa se mostra, como você bem escreveu. A falta de qualidade talvez não seja apenas o nosso espelho, do esgotamento que sentimos pelo desgaste do uso, mas porque as pessoas passam tanto tempo on-line que sentem a necessidade de sempre dizerem alguma coisa e a qualidade, se ela não tiver bom senso, vai cair.
    Até mesmo do blogue merecemos um descanso. Antes eu escrevia todo dia e mesmo que eu sinta essa vontade, prefiro ir tomar uma água de coco na praia – podia comprar e ter em casa – mas não ter é um pretexto para sair e olhar mais uma vez o mar, por exemplo.
    Se não estamos trabalhando on-line, o melhor não é ficar nesse ambiente procrastinando – tudo demais cansa – melhor dar uma volta ou marcar de conversar com alguém em um lugar diferente daquele da sua rotina. Isso distrai a mente e inspira, nos deixando mais abertos socialmente.
    :)
    Beijus,

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