Daqui, de poucos dias meu noivado, não tem momento mais conveniente para falar sobre isso. Tecnicamente, o penúltimo passo antes do matrimonio, o noivado é uma convenção social boba que transfere pro tradicionalismo a responsabilidade de um compromisso é a formalização social de um compromisso que dá mais um passo adiante: é a forma mais séria de dizer que você quer casar com quem está se relacionando. Eu sempre gostei de pular essa parte quando falei de relacionamentos (e olha que não foram poucas vezes que escrevi sobre isso!), pois dá pra saber desde quando se namora se você quer casar ou não com alguma pessoa, logo, não é por causa do noivado que ficou mais sério, e sim porque você se compromete com aquilo que escolheu viver. É a primeira troca de aliança, mas nem de longe é uma ampliação por si do compromisso, não ao menos para mim.

Isto posto, e como dito por cima num texto mais antigo (e aqui também), casamento é àquela hora em que você deixa de viver só pra você e passa a viver por você e por mais alguém. É escolher dividir a sua vida com outra pessoa, sem necessariamente dividir a sua essência: preservá-la, a fim de que duas pessoas inteiras, e na medida de suas perfeições e imperfeições, construam algo cada vez mais difícil numa sociedade cheia de rótulos e de “cultos a modelos diferenciados”: uma família, na essência do termo.

“Nós não temos um relacionamento aberto, temos um relacionamento em evolução.” (aqui)

Vi e vejo muitos amigos e colegas [com a idade “chegando” a turma da minha geração começa a matrimoniar] pensando nesta “instituição” como outras coisas: como a fuga oficial de casa, já que faltou coragem / condição pra fazer sozinho, e você junta o seu projeto com o de outra pessoa que pensava na mesma coisa; Em certas religiões, a maneira oficial de conseguir namorar e fazer sexo abençoadamente [e você achando que parte dessa galera casa jovem por “só” por amor, né? Estamos de olho, seus safadinhos!]; como forma de “prender” o [a] amado[a], um método por natureza falho; e o último, que eu achei que não presenciaria, por dinheiro. Todos, passos adiante no quesito ocupação, e não no relacionamento. Casar por casar, ou seja: brincar de casinha.

Casamento é saber que, além do textinho padrão de cerimonias e novelas, é juntar duas pessoas ainda não conhecidas por completo para dividir [d-i-v-i-d-i-r, e não trocar de pai ou de mae!] uma casa, contas, dinheiro, responsabilidades e papéis, todo santo dia, só não o dia todo, pois a vida dá para poucas pessoas a possibilidade de ter um dia-a-dia absolutamente alinhado. É respirar mais fundo, é olhar nos olhos ainda mais no fundo, é bom dia com bafo e boa noite com conversas filosóficas sobre “está tudo fechado, não esqueceu nenhuma porta / portão? Conseguiremos pagar tudo esse mês? Vamos até a casa de qual família neste final de semana, ou eles é que vêm para cá?”, é ficar puto e não ter para onde fugir, ter vontade de ficar grudado o dia inteiro no começo, pra depois entender que poucas coisas são tão boas para um relacionamento quanto um pouquinho de distancia [o que algo beeem diferente de distanciamento].

É, na hora de dizer “aceito”, sepultar com ele uma parte das dúvidas a respeito do quanto vai dar certo. É evitar que as fantasias construídas durante o período de realização do evento casamento não sejam maiores do que a maneira de estar juntos a partir daquele instante. É começar a entender que em breve, conforme as circunstâncias, vocês vão deixar de viver pra si para viver em função de uma, duas ou quantas pequenas pessoas vocês quiserem. É deixar para os encalhados, mal resolvidos e abobadinhos a velha frase do casamento que diz que “uma pessoa está certa e a outra é o marido”. É, de corações conscientes e cabeças abertas, permanecerem evoluindo, e lutando ainda mais juntos para fazer o resto ser tão somente o resto.

[♫]  ”Love ain’t a thing: love is a verb. So you gotta show (show show show me)…” Love is a Verb, John Mayer.

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