Pagode!

A música preferida de Deus Um dos ritmos mais característicos do que podemos classificar como música brasileira, o pagode vem há décadas marcando presença na vida e nas trilhas sonoras da vida de muita, muita gente. Das comunidades que possuem grandes escolas de samba em favelas maiores ainda, muitos apaixonados viram naquele ritmo frenético e na magia da criação coletiva, letras de exaltação à vida simples, aos amores complicados, e as histórias tão brasileiramente vividas. O que era sinônimo “das festas em casa” transformou-se em um dos gêneros mais aclamados da cultura musical brasileira.

A primeira banda que deu “alcunha comercial” para o pagode foi o Fundo de Quintal (cujas formações renderam mais alguns grandes interpretes). A primeira musica gravada por eles foi “você quer voltar”. Pega essa:

Nessa época (final dos anos 70, inicio dos anos 80), era um estilo ainda considerado como samba de raiz. Muitos (verdadeiramente) entendidos de música também preferem tratar com esta alcunha, apenas lidando com os dois nomes (juntar a turma é fazer pagode; gravou, é samba de raiz). Nesta “faixa de anos” vieram os EP´s individuais de alguns dos membros do fundo de quintal (Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz) e também um outro magrelão de voz potente:

Todos eles foram apadrinhados pela Beth Carvalho, diva maior do samba e literalmente, a mae do pagode. Houve a primeira consolidação destes artistas durante toda a década de 80 e nos anos 90. Aqui, começou a surgir a segunda geração de bandas de pagode. Raça Negra, Revelação, Só pra Contrariar, Exaltasamba, Soweto, Os Travessos, Katinguelê, Negritude Jr, Molejo e Art Popular (por exemplo) conseguiram deslocar o foco do pagode do rio de janeiro para o status de “nova parte” da MPB. E de 1996 até os anos 2000, houve o ápice destas bandas, que venderam discos como se não houvesse amanha, emplacando hits grudentos, melosos e/ou divertidos em todo o Brasil.

Perderam a queda de braço com o axé e com o resgate do sertanejo e de outras bandas e gêneros. Muitos (ganancia das gravadoras, um abraço!) optaram pela carreira solo ou por programas na tv. Se foi um semi enterro das “bandas gigantes” no circuito comercial, foi a base para que emergissem grupos como Tentativa, Sorriso Maroto, Jeito Moleque, Inimigos da HP (entre muitos outros), a chamada geração universitária, que, assim como no sertanejo, conversava com uma geração que cresceu ouvindo os grandes grupos e, agora que são senhores do consumo, tem a disposição um gênero e um estilo mais atualizado, que acompanharam sua maturidade.

Por fim, há cerca de pelo menos três anos, as contas começaram a ficar apertadas e os inúmeros fãs pediram, insistiram, encheram o saco, e seja por reformulações ou comemorações, todas as grandes bandas da década de 90 gravaram ou estão gravando seus discos comemorativos de 20, 25 e 30 anos de carreira. Uma celebração digna de um estilo musical que faz a festa em muitas festas do Brasil, e que também cresci ouvindo (parando de ouvir de vez nos idos de universidade).

Confesso que prefiro largamente os grupos e interpretes das duas primeiras etapas, mas é puro fruto cultural. Quando ouvi as bandas mais recentes encontrei muita coisa boa, muitas letras “de mesmo peso” que as mais antigas, apenas com interpretes um pouco menos “garbosos”, que acabam imitando mais a tchurma antiga do que firmarem seu estilo próprio. O que não é problema para quem lota os shows e se diverte com os nomes de agora, celebrando e agraciando os nomes que resistiram até aqui.

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One thought on “no play de cá #11

  1. Oi, Tony!
    Não costumo ir aos shows de pagode ou sertanejo, como também não costumo escutar. Gosto do samba mais antigão e também samba-canção. O Documentário da com a Velha Guarda da Portela, realizado pela Marisa Monte é show, recomendo! E também tenho escutado bastante Maria Rita.
    Bacana esse texto! Deu para revisar o que eu sabia e acrescentar muito mais.

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