Aoooooooooooowwwwww! Musica sertaneja.

Sabe porquê ela está na crista da onda do sucesso outra vez? Porque quando eu e toda uma geração de um teco mais de dezena de milhões de piazotes e guriazinhas tínhamos da metade para menos de nossas idades, era ela que fazia sucesso.

Agora, que nosso potencial de consumo vai pras estrelas, que pagamos por tudo que nos convier, nada mais fácil e mais lucrativo do que ter uma música que na base nos remete a infância, e na pratica nos remete a um “comportamento padrão” ao qual o modelo de felicidade imposto por parte da sociedade e da mídia se encaixa.

Parte um: as musicas da nossa (turminha nascida na década de 80!) referencia.

Zezé de Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, Daniel, Chitaozinho e Xororó… músicas para nossos pais, que ouvíamos seja por falta de opção, seja por imaturidade.

Musicas que falavam de um amor mais autossuficiente, que valorizavam a dor [de corno], que colocavam a mulher num ponto mais alto que o seu na relação, ainda que ela também tivesse q te perdoar se você fosse um filhodumaputa.

Músicas até mais bobinhas, que representavam o rapaz do interior que veio contar as suas historias “na cidade grande”. Herança dos dinossauros do sertanejo brasileiro: Tonico e Tinoco, Sérgio Reis, Matogrosso e Mathias, Duduca e Dalvan, Milionário e José Rico, entre muitos.

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O meio: Bruno e Marrone, Gian e Giovanni, Rick e Renner, Daniel, Leonardo, Victor e Leo.

Os baluartes do ponto de virada. Pegou uma geração que era adolescente quando a parte um estourou, bancou / consumiu eles, e que foram a outra metade da base musica do segmento que temos hoje.

Mantendo os rótulos, seriam os irmãos daqueles caras que vieram primeiro para a capital e também cantam sobre as mesmas coisas, sobre um ponto de vista mais estável da vida e dos relacionamentos.

Nessa altura do campeonato a mulher já tinha sido colocada um degrau abaixo na idolatria, mas a conversa não passava muito sobre equilíbrio. Com as mortes e separações de algumas duplas, o “sigo a estrada sozinho” também ganhou voz nesse discurso, e já se começava a ouvir uma ou outra coisa mais “agitada”.

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O hoje: Fernando e Sorocaba, Michel Teló, Luan Santana, Gustavo Lima [e você!], Munhoz e Mariano, e mais uma galera. A música que é feita pra minha faixa etária pra baixo. Dos filhos daquelas duplas pra nossa geração juvenil.

Os agroboys sucedidos que podem ostentar riqueza, esnobar mulheres, passar o rodo em e com qualquer uma, e viver a vida intensamente, já que ela é uma só e a gente tem que aproveitar. Quer argumento ainda mais adolescente sendo estendido na marra para a nossa vida adulta?

Então toma: o rótulo universitário, como se essa turma fosse jubilar em alguma disciplina e/ou desaparecer em 4 anos. A batida é bem mais acelerada, e virou música para ouvir e dançar, música pop de botas e saias curtas.

Deixou de ser a história do interior pra ser um “interiorano fazendo funk”, numa levada de agito. No amor, o jogo mudou e o importante é a quantidade, e bem bêbado de preferência.

No modelo musical, irmãos são raridade. Ou é parceiro da vida, ou comercial, ou vamos por conta pq dá ou pq saí de uma banda.

E nessa turma toda, além da velha guarda, existem apenas duas exceções que nos levam sempre a galerinha da década de 90: Paula Fernandes e Victor & Leo (os últimos atravessaram “atualizados” pelos anos 2000).

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Claro que não foi só o sertanejo que passou por esse refresh para pegar a minha geração.

O pagode tá ai na dele (só no sapatinho, tudumpish!), e o pop também tem feio a cabeça da piazada de agora, pra voltar junto com outro e novo sertanejo, daqui uns 10 anos.

É esse tipo de coisa que faz a gente dizer “no meu tempo as coisas eram mais legais”, mesmo que durante a respectiva época nos comportássemos como se ignorar ou ficar de mimimi com certos estilos fosse um selo de importância… O resto é o resto!

[]  óia a lista completa aqui. Para ouvir + no play de cá, siga por aqui :)

2 thoughts on “no play de cá #09

  1. Oi, Tony!
    Acho que esse gênero passou por uma mudança que descaracterizou o sertanejo. Na verdade, eu ouvia música sertaneja quando era criança e ia para a roça. Talvez por isso eu associo a esse lugar e não consigo aderir à uma cidade um pouco maior. Quando soube que haveria show de sertanejo universitário nos Arcos da Lapa, demorou para assimilar. Quando vou para Minas também ouço quando estou na estrada, acho legar a ambientação. Deu para perceber que para cada lugar, gosto de curtir um gênero musical. A minha lembrança mais recente com a música sertaneja foi quando visitei meus irmãos em Campos do Jordão. Minha irmã mora em um bairro bem bucólico, cheio de verde e vizinhos a uma boa distância. Mesmo assim, cedinho ouvi a música sertaneja no fundo e o cheiro de café. Mas não me pergunte sobre títulos de música e seus interpretes, que estou completamente por fora.
    Acho a Paula Fernandes boa, tem voz potente e canta músicas agradáveis. Porém não colocaria quando estivesse em uma roda de amigos. Acho que a música sertaneja começou a mudar depois de Chitãozinho e Xororó; eles ficaram com um pé no passado e outro no presente. Se continuar a mudar tanto a música sertaneja, daqui a pouco não poderemos pensar em futuro para ela.
    Beijus,

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