Naquela casa, tem silêncio.

Não o silêncio fúnebre de uma segunda de trabalho sem ninguém em casa, com a luz do sol beijando o pano grosso de cobrir sofá, e de esquentar roupa no varal. É o silêncio de um sábado à tarde com dois pra lá, dois pra cá: ele com o livro, ela com o tablet.

Naquela casa tem os dias com a pressa do oceano em virar mar.

Tem noites de olhar nos olhos e não parar de conversar. Noites de olhar pras telas e só trocar olhares. Noites de “agora vamos”, de “você tá bem?”, de “páááááára, áááaaa, AAAAAAH! Hahahahahaha….” na infinita competição de quem chora de rir primeiro com cócegas.

Tem tardes de “o que vamos comprar no mercado hoje?”, de “eu queria que você fizesse tal comida pra mim na quinta”, de “bem que você poderia fazer aquela lá, né? Aquela faz tempo…”, tardes de sentar com xícaras grandes de café na mão e um grande pequeno problema para resolver, enquanto o vento do inverno lá fora trás “fumacinha da boca” ali dentro, ajudando timidamente nos desenhos murais feitos com os farelos do lanche.

Naquela casa tem o sossego de domingos de não fazer absolutamente nada, só viver.

Tem todas as horas que quisermos para ficar na cama, todos os segundos para sair dela, nenhum momento para sonhar que a vida deve ser diferente daquela que a gente batalha pra ter, e efetivamente merecer.

Tem a ideia, mais que sincera, de que a vida é mais e o resto, o resto vai ser sempre só o resto.

[♫] … the very thing that keeps two hearts entertwined / a promise is a promise, you can’t deny…”, Promisses, India Arie.

2 thoughts on “naquela casa.

  1. Oi, Tony!
    É a tranquilidade de alguns dias que nos faz ter forças para atravessar dias de turbulência.
    Adoro preto e branco ou seria preto no branco? :D
    Nesse final de semana, só penso em dormir, dormir, dormir… até estou pedindo uma chuvinha!!
    Bom finde para vocês!!
    Beijus,

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