Aqui estamos, completados um mês que me mudei de residência. Ainda há o que arrumar, tal qual uma vida onde um único dia muda nossa história por completo, dali em diante. Nem agora nem depois, isto não é assunto daqui.

Neste espaço, que completou seu sétimo inverno, ininterrupto – é tempo, heim? – apesar de todas as ocupações que os últimos 4 anos demandaram, é quase uma tradição escrever a respeito das mudanças que a vida me trouxe ou levou, bem aqui, no meio do ano. Pois bem:

Completa-se 10 anos que prometi a um menino [e é a primeira vez que eu digo isso com todas as letras] que dali a 10 anos estaria graduado, pronto para mestrar, ganhando o necessário para viver e amadurecido o suficiente para casar dali algum tempo, entre outras promessas que de 14 para 24 nada mais são que formas de ver uma dor na hora, uma magoa na outra, e lições de algum tempo em diante. Passado o período, o que eu posso dizer pro guri?

Meus parabéns, pra começo. Não só ele graduou-se como pós-graduou, com louvores de uma equipe organizada e competentíssima, orientadora mais empolgada que a equipe quanto ao tema do trabalho conclusivo, e avaliadores que já receberam uma propaganda efusiva da orientadora a respeito do nível do projeto. Pronto para mestrar? Sem dúvidas, mas no momento, sem bolso [mas com planejamento feito] para fazê-lo tendo que administrar a segunda parte principal da promessa: cheguei ao 3º ano de MMC Publicidade promovido [diretor de criação], ganhando o que em agências estratosfericamente maiores do que a minha, seria o que o diretor de arte sênior ganha no mercado local. O nome do cargo no fim das contas imputa mais responsabilidades pelo mesmo período de tempo e com um volume maior de trabalho para cumprir, dentro de um valor um pouco maior do que a situação anterior [já que o Tio Ben disse que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, bora encarar!]. Um excelente aprendizado e dentro desta fase cansativa [da qual trato especificamente abaixo mais além], uma ótima oportunidade para rever conceitos do trabalhar e de trabalho, de como fazer o que ama e permanecer amando o que se faz. A terceira parte da promessa, há 10 anos atrás, tratava de não sentir-se mais no fim da vida em cada final de relacionamento e/ou numa incompatibilidade de sentimentos [ = eufemismo para “gostar de quem não gosta da gente”, o que na adolescência é um fim de vida mesmo, convenhamos =D], e no período que seguiu tratou de um conjunto de lições, entre as quais incluímos aprender a gostar de quem gosta da gente, a distinguir amor de apego, a nunca deixar de ser recíproco, a não deixar que brinquem com aquilo que acreditamos e deixar sempre, incondicionalmente, a nossa companhia livre para ser o que ela quiser, principalmente ela mesma. Cá estamos, prontos para casar se você caro leitor entender isso como maturidade o suficiente para entender que a escolha de deixar de viver pra si com alguém [namoro e noivado] para viver pra si E POR ALGUÉM [casamento] deve ser realizada com a certeza não de que vá dar certo, mas de que você realmente deseja aquilo [esse tipo de relacionamento, com aquela pessoa, com todas as bonanças e adversidades da fase onde isso for feito], com sua alma em paz e seu coração leve.  Todas as outras coisas a respeito das mini-promessas neste caminho, foram realizadas com mais sorrisos do que lágrimas, com mais caras de paisagem de quem sabia o que queria ver “no final do caminho” do que desesperos que são só desesperos, nada além.

Que aquele menino enxergue outro guri, um pouco mais barbudo, pronto para manter-se homem. Que não se esqueça de sua natureza, que não seja distraído de sua essência, que mantenha o corpo são e a alma leve, para continuar buscando tudo aquilo que desejar. Nos meus próximos quatro anos [de um plano de 5 anos], chegarei a mais uma especialização ou ao mestrado, ganharei o triplo do que ganho hoje e estarei pronto para (1) ter a minha empresa e (2) casar, o que não quer dizer necessariamente realizar as duas coisas. Se conseguir, lindo! Se não, como chegar até lá já está na mente e no coração =). Eu continuo vivendo, continuo caminhando.

A fase que carrega todos esses planos, hoje, é de um cansaço extremo. Venho há dois anos e mais um pouco trabalhando sem férias, e com a pós-graduação encerro um ciclo de uma década de estudar como se não houvesse amanhã, devorando livros, virando noites até aprender a dominar softwares e linguagens técnicas [teóricas ou práticas], de fazer de um prazer a excelência, de fazer a paixão ter mais resultados. A cabeça precisa estar um pouco mais arejada para praticar o que se aprendeu, para que seja possível usar o que se sabe, acumular pequenos novos aprendizados e nisso constituir um profissional especialista em um tema, e especializado em todos os assuntos que cercam aquele. Descansar é preciso, para que se sustente o prazer em fazer o que se faz acima de qualquer local de trabalho, qualquer companhia, cliente, situação, condição, valor. As férias têm data marcada e até lá, há de se buscar mais energias em algum lugar e ir planejando os pequenos passos que fazem os grandes serem dados sem inconsciência alguma. Além disso, há também uma família para administrar, um relacionamento para curtir e parar de pensar demais a respeito do tempo, se me sobra ou falta, o que / como / pq faço o que faço com ele. E tenham certeza, não é pouca coisa. Continuar caminhando, continuar vivendo.

Lendo assim friamente parece muito metódico e muito simples [ou que chegar onde estou foi bem simples], e não foi, não é! É bom que não seja, pois as surpresas da vida farão com que cada desejo seja melhor saboreado e cada derrota seja uma lição valiosíssima. Cada passo permitirá que, com bom-senso, amor e respeito, consciência e paciência, não sejamos nada mais nada menos do que aquilo que quisermos nos tornar, muito ou pouco mudando. Afinal, as mudanças nos movem e os movimentos nos mudam. Há mais o que caminhar. Há mais o que viver. E que o resto continue sendo o resto =)

|| sem música outra vez :)

7 thoughts on “Mudanças que nos movem e movimentos que nos mudam – 2.

  1. Eu adorei chegar e encontrar esse guri mais barbudo, com tudo isso para viver, para contar, para caminhar. Adorei tomar a mão dele e caminhar ao seu lado, até quando, onde, (pra sempre?) o destino assim nos permitir. Adorei acompanhar cada mudança da sua vida, e vou adorar continuar acompanhando os movimentos que vão nos mudando, um dia de cada vez, um passo de cada vez, ao longo do caminho.

    Você me lembra de mim mesma. E eu estou aqui, caminhando contigo. É só olhar pro lado.

    =)

  2. mudar é uma coisa, às vezes, complicada. mas, quando você percebe em si mesmo a mudança… puxa! é uma sensação, realmente, muito boa. que os próximos passos sejam largos e longos o suficiente. e que o crescimento seja natural, como foi até agora. (:

    beijos, Tony! *:

  3. Parabéns pelo niver do blog e me faz lembrar que começamos na mesma época.Muita coisa aconteceu e um milhar de blogueiros desapareceram do mundo blogueiro.Lamento sempre esta perda.
    Neste tempo de nossa convivência, acompanho sua evolução e espero que permaneça caminhando rumo aos objetivos.
    Em tempo: Vc mora sozinho?

  4. estou na mesma fase…Cansada, estressada….Saindo de um curso e entrando num Mestrado..:A cachola dói de tanto devorar livros…Mudando de cidade, largando o filho e o marido para trás para enveredar num sonho.
    Dias felizes
    Feliz estou e estarei sempre torcendo por ti.Vc é do bem, Tony.

  5. Amadurecer é assumir responsabilidades e, isso realmente cansa!!
    Tony, você dentro do que traçou para a sua vida vem conquistando o seu espaço e espero que continue persistente em sua meta, porque o tempo não volta! Aproveite seu momento e que um dia, lá na frente, você se lembre dessa época com saudade e que pense: valeu a pena!
    Parabéns pelo aniversário do blogue e pela nova etapa em sua vida!
    Beijus,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *