A casa diz muito sobre quem mora nela, e a maneira como a pessoa cuida dela diz mais ainda. Nosso lar é uma extensão da nossa vida, e em especial, da nossa personalidade. Geralmente a maneira como cuidamos dela revela como cuidamos de nós mesmos.

Uma pessoa que tem preguiça de cuidar da casa tem pra fazer muitas coisas. Quem geralmente não vê problema em deixar louça acumulando por dias (semanas) na pia, acumula compromissos para pouco tempo, acumula coisas que não precisa de maneira alguma, e tem dificuldade para se comprometer em projetos / assuntos mais específicos. Quem não cuida do lar cuida pouco de si também, pode reparar.

Facilmente ouvimos/lemos uma série de desculpas a respeito da dificuldade e/ou incapacidade de conseguir contornar isto, mas há a velha máxima: quem quer fazer encontra um meio; quem não quer, multiplica as desculpas!

É comum também sabermos de inúmeras reclamações das pessoas (alô, mídias/redes sociais! alô quase antigas comunidades do orkut ‘eu odeio isso/aquilo!’) sobre as dificuldades em manter a vida em ordem, o que está acompanhado de algum discreto comentário no estilo “preciso arrumar o meu quarto”, “meu guarda roupa esta uma bagunça”, “preciso dar um jeito na minha vida”, e por ai vai.

Na busca por ter coisas e manter pessoas na orbita da nossa vida, esquecemos e/ou nos omitimos de nos cuidar. Buscamos nas outras pessoas aquilo que nos falta, e em outras coisas aquilo que supostamente nos preenche, como se mais sapatos acumulados nos fizessem caminhar e mais roupas nos servissem mais como conforto do que como vestuário. Julgamos as atitudes alheias (exatamente como este texto sugere) e fazemos vistas grossas diante da própria humanidade, do pouco equilíbrio que precisamos para viver em paz.

Como queremos ser bem-vindos nas casas alheias se a nossa está sempre meio fora do lugar? Como vamos nos sentir em casa se não cuidarmos dela? Como você quer sentir-se melhor consigo (insira aqui um rotulo psicológico qualquer) se nem arrumar a casa você consegue, vivendo numa eterna esperança (covardia) de que alguma diarista surja do nada e faca o serviço?

Cuide da sua casa. Faça dela um templo. Seja um bom lugar para outros estarem. Não faca residência em qualquer coisa. Pra fazer o resto ser sempre só o resto.

[♫] “Como pode alguém sonhar o que é impossível saber? Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer…” – O Vento, Los Hermanos.

5 thoughts on “Mostre-me seus aposentos que lhe digo se quero conviver…

  1. Tony,
    Discordo de alguns aspectos. Há coisas mais relevantes que uma casa arrumada em diferentes ocasiões e contextos. Sou uma pessoa bem organizada, mas há dias em que não quero mover uma palha dentro de casa. Em outros, quero tudo brilhando.
    Abraço, garoto

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