Nas conversas com conhecidos e desconhecidos, um tema é recorrente e acredito que não o seja só pra mim: o que a gente faz na / da vida.

E cada vez mais, ouço as pessoas falando do que têm. Ou querem ter… a habilitação e/ou o carro; a moradia fugindo dos pais, ou própria agora que se casa e aquela frase diz o clichezinho.

As roupas que vestem / querem vestir, os gadgets que preciiiiiiisam comprar, as necessidades de exposição ao próximo [recadinho sobre o que fazemos, pontinho sobre onde estamos, fotinho de nada com efeitinho pra mostrar o smartphone, etc etc], as viagens a se fazer mais para contar aos outros que para vivê-las, a balada que se vai ou não vai como se em todo final de semana ela não estivesse lá, no mesmo lugar, terminando no mesmo bate horário do café… ter, ter, ter.

Do que já possuem, sobram reclamações: relacionamento imperfeito, colegas imperfeitos, ambientes imperfeitos, marcas que não prestam, posturas que não prestam, pessoas que não prestam, nada está bom, nada é valoroso.

Do que não tem, as histórias contadas como mitos, ritos de passagem para um mundo fora do alcance de todos os infelizes não-assalariados, o terço rezado, de uma compra à outra, sem parar, só chiar. E nada de olhar no espelho… nada de fechar e abrir os olhos só um pouquinho… mi, mi, mi. Mimimi.

Por mais curioso que possa ser um publicitário [!] escrever isto, eu acredito [não sei dizer se em excesso ou não] na simplicidade, no sentido mais absoluto da palavra [e que não tem nada a ver com hippie-chic e/ou mendicância 2.0].

Fazer por onde, para ganhar “o que se quer”. Não ter nada que não se precise.

Esquecer que a vida não se resume a quantas compras nos fazemos num mês, e tenha mais a ver lembrarmo-nos de quantos sorrisos somos capazes de dispor, gratuitamente; quantos elogios distribuímos sem mais nem porque, e quantas gentilezas somos capazes de fazer tal qual reclamamos que vez ou outra, não recebemos.

Lembrar do que as pessoas conversaram conosco mais do que quais eram as marcas das roupas que ela estavam vestindo, ou onde / como / o que estavam indo fazer.

Acredito que o valor das coisas não tem [nunca teve…] a ver com quantos pontos e vírgulas o símbolo monetário sucede, mas com quanto dura a sensação que nos é proporcionada por aquilo que conquistamos e/ou ganhamos.

Pare 30 segundos. Pouco? Tenta dois minutos, então [clicando aqui].

Nisso, tenta lembrar das suas coisas inesquecíveis. Aposto meu pacote de 7 belo e dou mais um de butter toffees se entre elas não estiver ao menos três que não tenham absolutamente nada a ver com compras, investimentos, dinheiro.

Mais que levar da vida a vida que a gente leva, precisamos vez ou outra caminhar sem sapatos, principalmente aqueles maiores que nossos pés ou menores que nossos egos.

Pés no chão às vezes machucam, mas é para isso mesmo que foram feitos: para que sintam e passem para o resto do corpo que a estrada não tem único destino certo, só tem passagens.

E que, invariavelmente, não serão as montanhas a nos servir de obstáculos: serão as pedras. Pequeninas pedras… dadas gratuitamente, ou encontradas por nosso livre arbítrio. O preço, nós é que fazemos. Quer pagar quanto? O resto é o resto.

[♫] “some people want diamond rings, some just want everything, but everything means nothing…” – If I ain´t got you, versão ao vivo do Maroon 5.

8 thoughts on “Mais, um pouco.

  1. Sabe, o tema ‘menos é mais’ foi um super assunto entre mim e minha irmã ainda esta semana. Ela, como boa caloura de ‘design’ já está super adepta ao lema ‘menos é mais’ e eu, depois de uma final de smeana de ‘ricos e famosos’, onde eu voltei pra casa com mais dor de cabeça e ressaca do que bom papo e animação, fiquei com vontade de tatuar essa máxima no pulso que me sobra. Sabe aquela vontade de dizer: pare o mundo que eu quero descer? Simplicidade é tudo, por isso tenho certeza que muita gente tem tanto dinheiro, tanto pra mostrar, tantos bens materiais que, no final, não tem nada, não VIVEU nada. #desabafo

  2. Oiiiiii Tony! Estava com saudade do seu blog, sabia?
    Como pude ficar tanto tempo sem visitá-lo?
    E acho não poderia ser diferente… Adorei seu último post! :)

    “É isso aí, como a gente achou que ia ser, a vida tão simples é boa…”

    Eu também andei pensando bastante nisso. Acabei não faz muito tempo de ler o livro “Comer, rezar, amar”, que me fez refletir muito sobre a questão de ser feliz como se é, e não pelo que se tem (o que eu já acreditava). E também na minha última viagem quando fui visitar minha família… Por alguns acontecimentos que me deixaram chateada.
    Por que as pessoas se preocupam tanto com o dinheiro, sendo que passar um dia com um amigo é tão mais maravilhoso do que estar em um shopping fazendo compras?

    Também acho que são as pequeninas pedras que preenchem nossos caminhos de alegria e felicidade. Principalmente se elas são obstáculos para ultrapassarmos e nos tornarmos mais fortes e experientes.

    Adoro refletir depois de posts seus! Continue escrevendo, viu?
    Beijos, e ótimo resto de semana! :)

    (Desculpe por escrever tanto!)

    1. Tempo corrido para todos, acontece :)

      Diria que as pessoas fogem para as “materialidades” ao invés de criarem coragem para olhar nos olhos, diante do espelho. E nessa incessante fuga, perdem-se de si mesmas. Viram esboços de essencia, resumindo-se a “pareceres”, e não a personalidades.

      Bjo ;)

  3. O mundo anda ansioso e ah, o link não funcionou pra mim, acho que é o meu navegador!

    Esse comportamento consumista tende a mudar, o mundo está em colapso! Reciclar é menos, é mais!

    Reciclar ideias também! Se entre os “classe média” acontece isso, não pense que entre os ricos isso não acontece – Pois agora estão classificando ricos em classes A, B e C. Sim, as pessoas querem ser especiais e como originalidade, criatividade, bom humor, saúde e amor não se compra na esquina, são compradas outras coisas para preencher o vazio e a ansiedade de “está faltando um pedaço de mim”.

    Bom fim de semana! Beijus,

  4. O comportamento consumista é incentivado pelo sistema que se baseia nele, isto é, comprar faz a economia mover-se. Para alguns gastar dinheiro é felicidade, para outros é fazer o dinheiro rolar. Se uma pessoa tem muito dinheiro tem que gastar mesmo ; vai deixar parado no banco? Mas vc tem razão, a vida simples dá menos trabalho e neuroses.

  5. Pois eh Tony, este teu post veio bem a calhar hj, que tomei um baita tombo da vida. Pois tenho a imbecil mania de viver intensamente o ser e reviver e fazer valer onde quer que eu esteja. E percebi que o ser significa absolutamente nada, que valores sao como papel de bala e as relacoes estao cada vez mais egocentricas. Bom, mas bom de verdade, saber que ainda existam seres por ai disfarcados de gente comum, que fazem da simplicidade da vida sua verdadeira essencia.
    bjs e obrigada pela visita
    desculpe, meu teclado esta sem acentos.

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