Nunca fui de pensar muito no “agora”: fazia uma escolha, me enfiava de cabeça nela e só saia com o assunto resolvido ou com uma mágoa do tamanho de alguns dias de desgosto / incomodo para posterior lição [e consequente reflexão aqui neste local, aí na porta da sua década de idade].

Não parava para pensar no que me motivava a fazer tudo que fazia, em especial no período 2005-2009, onde o conjunto geral de projetos, paixões e realizações foram fantásticos.

Até alguma conversa com meu pai, que categoricamente: “esse é o tipo de coisa com a qual não deveria ficar triste. Você sempre é tão focado no que faz que, vai passar por isso mais rápido do que pensa. Você sempre tem mais com o que ocupar-se”.

Ali foi a primeira de muitas vezes desde então que ouvi outras pessoas me definindo como “focado no que vive”.

Dali em diante é que fui entender o que significava o tal do foco, assunto que já abordei aqui de diversas maneiras, mas nunca com esta palavra.

Foco ainda é lei por aqui, é da minha natureza; não sei resolver o que realmente busco e desejo se não for como descrito no começo deste texto.

Entendo por foco um desejo maior de realizar tudo que você escolhe para sua vida.

É esse desejo maior que me trouxe a quase uma década de carreira profissional, e que me deixa alheio a distrações profissionais ao longo deste período. É

o que me faz atravessar as vitórias e derrotas do dia-a-dia de cabeça em paz, consciência tranquila, sono variável apenas pela quantidade de atividade física exercida no período. E é o que me faz pensar na dificuldade alheia em ter foco no que faz e no que vive. Conjecturemos, então!

Porque poucas pessoas conseguem ser focadas nas duas principais esferas de sua existência: vida [família, amores, amigos, sonhos] e trabalho? Porque levam tão a sério a infeliz [e cada vez mais verdadeira…] frase “ou você trabalha ou você vive; os dois, não conseguirá fazer”? Acredito que não adquirem equilíbrio [ou maturidade] suficiente para entender que as duas coisas, na verdade, são uma só… trabalhar e viver são contextos diferentes de uma só existência: vivemos para trabalhar e trabalhamos para viver!

Ocupam-se de empregos que dão dinheiro e não satisfazem; ou estão em empregos que satisfazem mas direcionam a falta de algo na vida para esta ocupação; gastam mais do que possuem, e acham que o emprego remunera mal diante de pouco ou nenhum esforço na carreira… são inúmeras situações que demonstram que as pessoas fazem muitos planos, muitos sonhos, mas nunca pararam para pensar que o verdadeiro projeto de vida nunca foi construído!

Querem casas melhores, maridos e esposas melhores, filhos menos parecidos com eles mesmos na infância… multiplicam desculpas na vã esperança delas tornarem-se soluções somadas! Parece-me que não é bem assim que a vida funciona…

A vida é uma só e com a devida licença para o clichê, deve ser vivida.

Fora a falta de coragem e/ou a construção de um projeto maior, nada impede ninguém de trocar de emprego, de relacionamento, de cidade, de escolhas.

Ninguém fica do nosso lado dizendo “ó, viver uma vidinha é o que foi destinado a você, viu? Você tem que ter uma esposa que prefere dormir / ficar inativa 2/3 do dia (ou do tempo que tem livre para ficar contigo) para fugir de seus pequenos fantasmas, pois não precisa de uma parceria, precisa de uma ocupação ainda mais integral que vai suprir a carência dela. Você tem que ter um emprego onde ganha bem, mas não sai feliz, e só ganha bem porque precisa pagar muitas contas que foram sua escolha adquirir”.

Além da sua consciência, ninguém mais é responsável por fazer da jornada dos seus dias uma experiência repleta de grandes pequenas satisfações e pequenas grandes lições.

Quem julga as escolhas que fazemos aos 16 ou aos 80 anos no mínimo tem (a) inveja de não conseguir fazer o mesmo ou (b) pouca coisa com o que ocupar-se.

Quem prefere manter-se vitima de sua história / do que os outros pensam sobre ela / do que os outros dizem que ela deveria ser vs. o que realmente ela desejava pra vida, ao invés de aliada da sua natureza, não consegue entender que o resto sempre vai ser só o resto. [mas deveria!]

•)) sem música!

One thought on “Foco profissional / foco na vida.

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