Todo dia, santo ou não, há uma notícia que nos permite exercitar a respeito do futuro, do amanhã.

Aliás, qual [uma das] a graça[s] da vida senão ficar exercitando sobre o que pode vir a ser, ou perder horas a fio discutindo sobre como certas coisas foram e deveriam, ou não, terem sido?

É bacana, e dependendo de como encaramos a nossa própria vida [além daquela cara feia que nos é peculiar], serve muito bem para intensificar como vivemos o hoje.

Mas têm duas notícias, uma não tão recente e outra de dia desses, que dão patamar para estes exercícios de futuro. Vou fazer alguns, também.

Com o sucesso na pesquisa de bactérias sintéticas, chegamos a uma nova linha entre o artificial e o real, na vida.

De uma bactéria a uma planta é um pulo [ou um pouco mais, calculando proporcionalmente a quantidade de divisões celulares necessárias]. E de uma planta a um clone, dois pulos.

Avanços médicos? Novidades nos tratamentos? Vida prolongada? Combustíveis não poluentes? Produtos e soluções 200% eco-friendly?

Certamente, já tem gente trabalhando por isso e não precisamos apenas desta novidade para que nosso “fim” permaneça, de certa forma, distante.

Novas armas químicas? Super-safras em países intermediários / em crescimento simplesmente “broxando do nada”, graças a alguma praga nova e sem remédio no mercado [remédio esse que, olha só, justo um país mais desenvolvido já possui]?

Surtos e pneumonias avassaladoras, que serão direcionadas para algum animal da cadeia produtiva [ou para os cães, dependendo do sádico que espalhar o vírus], que também um só laboratório / país possuirá, a principio, a cura?

Não duvide disso também, pois quando qualquer governo passa a investir seriamente nesse tipo de pesquisa, não carrega apenas boas intenções [e esqueça ética, tratados, etc etc. Pois qualquer tipo de poder corrompe a mais lúcida e pacifica cabeça].

E, puxando ali a nova linha que citei, descrevo: a nossa vida já é, em muitos aspectos, artificial.

Só falta essa artificialidade biológica. Ou melhor, não falta mais.

Dá uma bela olhada nesse comercial. Olha de novo. Outra vez. Mais uma. Entra no site do produto.

Um PC portátil? Um smartphone sem a função de telefone? [mais] um leitor digital?

Isso tudo, e o primeiro a nos levar para a era do entretenimento digital, a qualquer hora, em qualquer lugar, dentro de uma [enfim] interessante experiência, tanto de uso, quanto de consumo.

Não sou Applemaniaco [mesmo sendo admirador de tudo que faz a empresa ser o que é: referencia em 4 dos 5 mercados que estudo / trabalho / convivo], mas me curvo a tudo que o produto está trazendo em seu propósito. Você precisa de um desses hoje? Te garanto, não precisa.

Mas daqui 10 anos [pra ser otimista], você não vai conseguir ficar sem um desses [assim como hoje você não fica sem celular, ou o controle da TV].

Você acha que hoje os calígrafos são profissionais em extinção? No período entre a primeira e a segunda década a seguir, serão mesmo.

Pois ao invés de caligrafia, aprenderemos tipografia. A minha geração vai escrever ainda pior [no sentido caligráfico] do que hoje.

E assim como nossos pais malemá souberam nos ensinar algumas contas sem prescindir de calculadora, não saberemos ensinar nossos pimpolhos a escrever.

Este post mesmo, que estou escrevendo no começo da madrugada de uma terça-feira, à frente de um PC e de 1 conjunto quase ergonomicamente bom, poderia [e será, daqui algum tempo] escrito a caminho de casa, no metro / busum.

Cabos? Sim, e vários, para recarregar baterias. Óculos ou células sintéticas que sejam capazes de inibir / retardar dificuldades na visão? O que estiver na moda.

E a telefonia? Conseguirá algum outro propósito menos popular, mas altamente funcional, para ser algo mais que suporte da internet.

Livros e revistas? Alguns, tarados por essa palavra, dirão que eles vão morrer. Aliás, já dizem isso para todos os meios de comunicação. Nananinanão.

O suporte muda. O formato evolui. O nome será o mesmo [por uma questão de referencia social e cultural, que só nossa humanidade malemá explica, ainda que já saiba o porque].

Num suporte digital, esses produtos serão interativos. Mas ainda serão livros, revistas, jornais, rádios.

Plataformas de comunicação, de uma ou de múltiplas [e muitas] vias.

Para impressos, teremos menos papel e mais plástico [sustentável? Hmmm… depende do que estiver conveniente para as gigantes empresas: extrair mais petróleo ou plantar mais arvores].

Se for falar de TV, da maneira como seremos impactados pelas empresas, da maneira como vamos consumir todos os outros produtos, vai longe, dá livro e eu ainda não tenho todo o referencial para isso. Só tentei instigar, mas sem pertubar.

E… nós, como ficamos nisso? O que o nosso futuro nos reserva? 

Continuaremos sendo esse sugestivo [e acredite, delicioso] mistério.

Felizmente nascemos com um excelente defeito de fábrica: somos, todos, bipolares [cada um em sua medida].

Mesmo aquela pessoa absurdamente chata, é feliz com aquela chatisse.

Mesmo a pessoa mais feliz, é alguma vez triste quando criticada por esta felicidade aparentemente não-natural.

Quem aí não foi do céu ao inferno em qualquer período, por qualquer coisa ou pessoa, que me atire a primeira flor. Ou pedra. [Ou um pacote de bala 7 belo, hmmm…].

Temos todos aqueles dias onde queremos encontrar um panda e ficar abraçado nele, ouvindo serenatas ao luar, com cachorros fofinhos uivando e bebês imóveis sorrindo.

Ou vamos matar o primeiro que nos disser bom dia. Aqueles dias de falar. Outros de escutar. Outros de nem falar, nem escutar. Outros de brigar com tudo. Ou de chorar por nada. De sorrir por nada. De fazer nada. De mudar tudo.

Em momentos assim a gente se vê [ou vê aos outros] de diversas maneiras. E, talvez pensando no hoje, exercite o futuro ou discuta o que não muda ou o que poderia ser mudado.

Já que todo dia, santo ou não, algo nos inspira a fazer isso. Principalmente, porque seja lá o que for viver, tem que valer a pena. No mais, ouça isso:

E o resto, deixa ser o resto :)

[♫] at the core of my life. I’ve got no choice but to fight til it’s done…” – War of my life, John Mayer.

17 thoughts on “Exercícios de futuro pra todos, bipolaridades de cada um.

  1. Me desagrada saber, que o homem sempre luta contra sua natureza, e sempre busca retardar o envelhecimento, a morte, ou seja, a vida natural das coisas… o que seremos daqui um tempo? um aglomerado de células que não tem mais vida própria, comandados por um controle. Que gênios são estes? é um absurdo….

  2. putz, muito bom o vídeo. adorei o formato dos posts. obrigada pela visita e pelo comentário, sério! :) aah, eu também AMO 7 belo. sem dúvidas é a melhor de todos os tempos. até mais. :*

  3. E aí, velho? Texto sensacional, me lembrou um meio antigo filósofo e homem de comunicação, assim como você, o sempre atual Marshall McLuhan.
    Um abraço!

    1. Rapaz, que bom de ver por aqui [tanto cá quanto no post novo]!! o “Tio” McLuhan é atemporal mesmo, reli um texto dele e se tirasse uma ou outra palavrinha, dava pra dizer que foi escrito dia desses pra qualquer caderno de jornal gringo e com pose de “fodão”. Obrigado pela visita!

  4. A pessoa mal consegue deixar um comentário num Blog, que sá uda rum bixim moderno desses ai.
    hauahuahau
    Aiai querido, as x me sinto tao IDOSA, hahaha
    Meu filho de 8 anos entende mais meu celular que eu. E olha que eu criticava mainha qd se enrolava com o controle da TV ha pouco tempo.
    O tempo muda quase tudo, espero que nao transforme MAIS AINDA os homens em máquinas anti sentimentais.

    Xerooooooooo

    1. hauaua… idosos todos somos, de alguma forma!
      qdo vc puder usar um, vai perceber q é beem mais intuitivo [mas não necessariamente simples] usar um tablet pc!
      Minha mae também se bate com um dos controles da TV. Só eu sei programar o relógio do video cassete [sim, ainda temos um!]… acho q estamos indo por um caminho paralelo, na verdade: temos sentido cada vez mais. A dificuldade é traduzir, isso q ainda pega.

      xerim =D

  5. Tony, nao somos todos, totalemnte, santos ou demonios, nao é mesmo?
    Esse negócio de bactéria é cimplicado. Eu comprei uma roupa e usei sem lavar.Estou sofrendo horrores para me livrar de uma baceteria adquirida atrave´s da roupa.
    Ah…todo mundo tem dias bonas e outros, nem tanto.
    Eu, no momento, tenho vivido entre a luz e o cantar de passarinhos.
    Olha eu estou esperando a moca que vai organizar a minha exposicao dizer os dados, para eut e mandar algo e pedir para vc fazer o folheto da vernissage…Pode ser?
    bjs e dias felizes

  6. Ser bipolar é um problema real na minha vida. Vai alem de ter um dia bom e o outro mais ou menos. É se sentir feliz e no minuto seguinte completamente desorientado. Essas oscilações acontecem o tempo todo comigo. Bem, de qualquer forma é bom, seria pior ficar mal o tempo todo.

    Tony, você é muito sensível.. rs

    Beijos..

    1. Concordo que pessoas Jiló são dois pés no saco. Antes uma instabilidade que equilibre [ou não, :D] do que ser 1 coisa só, seja ela qual for.

      Sensivel, hmm… não muito! Te explico no seu blog :P… bjo!

  7. Toda a evolução tecnológica gera ansiedade de que alguma coisa possa dar errado ou ser usada para o mal… ao mesmo tempo em que a maioria das evoluções tecnológicas decorreu da guerra: vieram do mal, acabaram para uso pacífico.

    Não é o futuro tecnologico que deve assustar o homem, mas sim o futuro intelectual de sua raça. A tecnologia evolui mas parece que o homem, não. Basta ver o comportamento dos vileiros, dos countries, dos sertanojos e das massas em geral, cada vez mais alienadas, violentas, viciadas e amoralizadas.

    Não importa se no futuro as pessoas não tenham boa caligrafia desde que elas tenham bons valores, mas infelizmente, o mundo em que vvemos está extinguindo os valores e impondo os objetivos a qualquer custo. Ser rico, ser belo, ser sarado, ser popular é mais importante que ser honesto, é numa espiral assim que o mundo está entrando, justamente numa época em que a tecnologia poderia proporcionar condições materiais de vida melhor para todos.

    Mas pode ser que apenas eu sinta assim, e esteja errado… tudo depende de uma questão de ótica!

    1. Concordo, Fábio. Temos nos preocupado demais em resolver coisas, mas continuamos pessoas com “soluções difíceis”. Não deixa de ser uma forma de fugir, uma vez que vamos sempre criando mais e mais aparatos que virtualizem nossa vida, nossos problemas, certas dificuldades…

      Não é só voce que sente assim não.

      Cada dia mais estamos num sistema de parecer, o ser não tem importado tanto assim. Somos nossos nicks, os lugares onde vamos, os layouts que usamos, os hits que copiamos, uma efusividade inutil e uma ode ao que é vazio. E a culpa é da minha geração [nossa?] que, sem referencias dentro de casa, vai colocar no mundo outras gerações cujos problemas serão transferidos, assim como já fazemos. As exceções vão esconder-se ainda melhor. Veremos “idolos” ainda mais instantaneos. Cabe aquela frase: estamos falando tanto de um mundo melhor pra gente, mas não estamos colocando gente melhor pro mundo… tem faltado coerencia! Abraço!

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