De 2007 pra cá, consigo recordar e enchem apenas uma mão todas as vezes que chorei [chorado, sabe? Aquele choro sonoro, verbalizável, audível]. Não que tenha aquele machismo de homem não chora (e não foi plantado em casa, pq meu pai era de chorar com relativa facilidade e a minha mãe é tão na dela mas tão na dela que nem de chorar sente vontade), pelo contrário: considero tão humano que não prescinde de gênero. A pecha de frio, calculista, e duro, segue de pé e certas vezes até “jogada na cara demais”. Mas não é algo que possuo um controle “muito maior” que o esperado.

Várias vezes, como um copo que vai enchendo, o resultado da emoção vem, o peito enche, o corpo fica quente, o rosto fica vermelho, o olhar parece que vai marejar, mareja e… seca. É como se tivesse uma chavezinha que tem que “bater pra baixo” pra chorar e ela não vira. E não é algo que me orgulhe ou complete algum juízo de valor.

Apenas não tenho conseguido. Refletindo sobre o tema, creio que seja pela forma de ver a vida, de aceitar o imponderável das coisas, o imprescindível das pessoas, a liquidez dos dias e procurar vive-los um de cada vez. Creio que o próprio ato de racionalizar o meu dia-a-dia, de sempre estar pensando com antecedência no que tem pra fazer e no que não precisa mais ser feito, de ir cumprindo pequenas etapas que somadas viram algo maior, e tem sido uma vida melhor, vão reduzindo as pequenas grandes mágoas e as grandes pequenas tristezas (ou “deixando-as do tamanho que realmente tem”. Mas é relativo, como quase tudo na vida). Muito “se isso te incomoda, o que você está fazendo para tirar isso da sua vida e/ou para não incomodar mais?”, “qual é o sentido mesmo de investir tempo nisso daqui?”, “muda o que, de maneira prática, você argumentar assunto xy com pessoa AB?”, muito “putz, isso tá uma bosta… mas tudo passa”, “esse esforço está pra te compensar com o que?”, “você ainda lembra do que está plantando? Certeza que vai esperar colher algo diferente?”, bastante “fé em Deus, meu guri”, “obrigado por mais este dia, pela minha vida, pela minha jornada, pelos meus desafios”, “nem converse tal assunto com tal pessoa pq já sei o que vou ouvir”, “o que vai valer a pena hoje?”.

Há quem diga que o potencial terapêutico do choro é enorme, e quem sabe daqui algum tempo a minha chave “fique mole” e eu chore com mais humanidade. Até lá, o cachorro que estava conosco há 15 anos se foi, estou trabalhando o triplo para receber metade do que outrora (ciclos da economia), o preço da vida segue o mesmo mas o custo econômico me causa arrepios, eu não vejo nenhum vazio nos meus dias, mas ainda estou obrigado a conviver com um conjunto incomodo de pessoas vazias e o choro de quem sempre sente, muito, não me acompanha, ajudando a deixar mais claro que sigo muito sentindo que o resto é apenas o resto.

[♫] “esse meu rosto vermelho molhado, é só dos olhos pra fora…”. Homem não chora, Frejat.

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