… olha, que surpresa. Você não a conhece; também não conhecia há instantes. Consegue se imaginar longe daquela cidade, daquela companhia maluca, daquele desastre que você chama de vida? Pois é, eu não imaginei: vi. Teu corpo e tua cara, mesmos dedos gordinhos, mesmo gestual de mão de fumante, mochila meio menina meio mulher aconchegada entre o corpo e o espaço para não atrapalhar as outras pessoas, um livro (possivelmente obrigatório) para defesa de doutorado, fones do ouvido, óculos estilo ray-ban, cantando em inglês alguma musica de alguma banda que, como as que você ouve, não faço a mínima ideia.

Só faltou conversar comigo pra contar mais uma vez sobre como a sua vida é uma merda. Fez melhor: o smartphone tocou e ela começou a contar que a tese estava indo de vento em popa, que ela estava terminando mas estava assustada, não por terminar, mas por conseguir fazê-la sem parar de viver e que viver estava sendo uma sensação muito, muito boa para ela. Estava a pé porque preferia ir de ônibus aquele dia, já que é cicloativista, como a versão original. Só não ficou mais curioso o papo pois os nomes são diferentes. Mas o jeito de andar era o mesmo. A maquiagem mais dark, também. A gana por aprender, idem.

Talvez em comum tenham também um conceito abstrato de felicidade. Você com seus problemas para os quais tem todas as descrições e diagnósticos, mas não tem nenhuma maturidade emocional para escolher dispensá-los. Ela comentando que o problema que tinha para resolver era simples, “não é muita coisa, mas é uma coisa. Uma coisa que vou resolver assim (fechou e abriu uma das mãos), como o (nome que não entendi) interpreta bem na (nome de série que também não entendi) que passa quinta”. Espero que quem encontre minha outra versão por ai não tenha interesse em me apresenta-la. Não que fizesse diferença saber se tem outro eu mais feliz do que eu, mas é que não precisamos de comparações com as vidas alheias para fazer a nossa vida melhor, ao menos eu acho. Maaaaas, se você encontrar com ela por ai, dê o mesmo sorriso que me dá, converse da mesma maneira entruncada mas compreensível… só não marque com ela pra “sair qualquer dia”! Vem é sair comigo :)…

[♫] Mas tudo bem, cê tava por aí também

Mas, tudo bem, eu tava por aí também” Tava por ai, Mart’nalia.

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