Esse ano foi um pouco mais fast forward que os demais, principalmente pelos acontecimentos dele. Tinha um ritmo até fevereiro e, com o falecimento do meu pai, um combo de dias muito parecidos, divididos entre reorganizar a casa, e dar outro passo adiante no perfil profissional, a fim de cimentar a base de um projeto futuro. Bora à ele.

Meu melhor amigo pode finalmente dar descanso ao corpo um tanto doente, depois de um muito de alma amargurada. Quando da segunda nublada e ainda sem anoitecer, minha espera do último ônibus do dia ao som de Let’s stay together foi interrompida por “onde vc está? É que seu pai tá passando muito mal…”, dos ainda imensos 50 minutos para vir uma ambulância que já havia sido pedida há 30 (e nem enfermeira nem socorrista/motorista sabiam chegar ao destino de socorro mais próximo) nos quais ele ficou apertando a minha mão, e de colocá-lo na maca, eu sabia que era algo sem volta. Não é a imagem que fica dele, assim como não é a do caixão, com um leve inchaço na cabeça, muito menos a do último domingo de vida plenamente lúcida, onde a siszudez típica estava acentuada e nem ele mesmo tava muito pro arroz que tinha feito, que queimou um pouquinho.

A imagem que fica é a do Sr. Servilio que, quando chego em casa e vou dizendo oi a todos, ele vai me dando tchau. Repetia o oi, mas ele me dava tchau. Quando você sonha com essa cena, não precisa nem ir ao hospital durante as três semanas de UTI, como não fui, e sequer fazer muita questão de velório, como “não fiz”. O fato é que a minha casca ganhou mais algumas camadas de grossura, pois até hoje eu sou o único Sousa que não chorou essa perda, e que desde então teve que lidar com o tamanho dela, ao resolver em alguns meses o que ele estava há alguns anos sem conseguir dar jeito.

Ficaram tantas lições, tantas conversas, um exemplo tão pertinente do que ser e de como não fazer na vida, que permaneço sendo movido pelo respeito e carinho que o homem mais importante da minha vida me dispôs mesmo quando a forma era até inaceitável [conforme seu nível de maturidade]. Não tem mais quem me entenda sem precisar me perguntar, não tem mais quem me pressione por minha própria evolução [e não por vaidade, ansiedade ou defeito similar], não tem mais quem realmente me ouvia, mesmo quando eu não queria dizer nada. Um ciclo natural, que não só aceito como respeito, sem ficar apego, sem fixar uma saudade que não posso matar, sem mimimi. Mais que uma lembrança, é uma marca tatuada de dentro pra fora da e na minha vida, e é isso. É a propulsão do motor que conduz as demais coisas dela, a força com a qual vou sempre precisar contar para ter mais que a vida que eu mereça: uma vida que eu também escolha viver.

2012, como os últimos anos, também é de evolução profissional. Passado o primeiro ano como diretor de criação, digo que lidar com gente é razoável, chato mesmo é lidar com seus defeitos. Sempre acreditei que um bom ambiente de trabalho não possui chefes, mas líderes, e nesse sentido trabalhei este pedaço da minha vida profi. Eu tenho tanto, mas tanto pra aprender, que até as cagadas alheias foram escola pra mim. As minhas, de um jeito mais torto do que queria, consegui resolver. A maior das lições do ano nesse quesito é: mesmo que você queira ser um líder, algumas pessoas precisam de chefes. É que só a família é plenamente confiável.

Como diretor de arte em si, algumas coisas que eu não conseguia praticar mais voltaram a fazer parte da minha rotina, e incrementei de um jeito quase absurdo as coisas que eu tinha que fazer sempre, a ponto de transformar a execução de uma campanha que leva no mínimo um dia inteiro de trabalho a pouco mais de 3 horas. Como gestor de marcas, permaneço estudando, e o que já tinha absorvido é transferido diretamente na criação de novas marcas, que já nascem com um conceito ou muito maior ou levemente relevante, deixando para o cliente uma responsabilidade um teco menor em fazê-la crescer.

Isso tudo significa também que, a partir do segundo semestre, continuei trabalhando como se não houvesse amanha, e praticamente tou fazendo meu salário dobrar mais uma vez. Um desgaste com preço, literalmente. Um tiro na cabeça, pra quem queria no mínimo 6 meses de noites disponíveis e descansáveis para fazer mais com menos. Mas foi nessa parte, o melhor acerto do ano [se sem descanso eu dobrei de novo a minha renda, imagina quando conseguir desencanar um pouquinho e descansar um tantão]. E como é por um excelente propósito, vamo que vamo!

O proposito está diretamente ligado as partes incondicionalmente relevantes do que e de quem tenho como relacionamento. Já disse que com a Carol há um projeto de vida [daqui 3 anos é logo ali!], e tanto para ele quanto pra família que venho a renda é parte necessária para aquilo que uma maior autonomia exige. Com estes, ao estar um pouco mais no centro das decisões de tudo, a preocupação reciproca ficou maior, a responsabilização também, mas conseguimos, aos poucos, evoluir diante de tudo que nos foi ensinado. Nem todos, mais velhos do que eu, tiveram e permanecem sem ter maturidade para lidar com a ausência do meu pai, mas cada um tem seu tempo de aprendizado. Só não pode esquecer que os demais familiares ainda existem. Com a 1a. dama, completar 2 anos de relacionamento é ver uma jornada que está bem no começo ficar maior e mais divertida. É como jogar Zelda no nintendinho: você tem um mundo todo pra explorar, mas se apertar select, tem mais outro inteirinho, pronto pra ser resolvido. E como já disse explicitamente e de muitas outras formas, ainda não importa qual é o final, desde que a gente permaneça deixando a caminhada completa, apaixonante e divertida, como é. Os mistérios e os monstros bônus eu procuro dispensar, mas são parte do jogo, né!? Vamos jogar ;)…

Isto posto, digo também que nossa jovem democracia escapou na ultima hora de misturar politica com religião ao não eleger alguns prefeitos, ainda que alguns projetos em andamento no congresso queiram beber na mesma excelente fonte quando serve para autoconhecimento, instrumento de aprendizado e ensino [e não para castração mental, como algumas PESSOAS em TODAS as religiões gostam de fazer]. O PCC fala cada vez mais alto em São Paulo, mas ninguém que discutir que, na mesma esteira do crescimento econômico, a criminalidade e, em especial os assassinatos, dispararam nas grandes regiões metropolitanas em todo o Brasil. Que nos mostrou mais uma vez que heróis de verdade no esporte, só os paralimpicos (Falando nisso, sabe pq mudou de paraolimpico pra paralimpico?).

Um ano onde fui menos ao cinema quanto queria, mas quando fui, passei 3 meios-dias ;D… um ano que, assim como o escriba, não foi capaz de dar todo o melhor de si em tudo, mas tudo que fez certo, com paixão e esmero, deu certo para caraleo. Outro ano feliz, mesmo não sendo todo positivo. E que os dias de 2013 sejam tão desafiadores e interessantes quanto [um grande acontecimento me aguarda :)], pois me parece que o quintênio 25-30 é onde estamos mais preparados e mais a vontade pra fechar a base do que mais realmente seremos na vida [e quanto mais idade tenho, mais legal eu tenho achado viver!]. Viver pra fazer desse ano imenso e sem feriados outro ano diliça. Pra manter o resto sendo só o resto ;).

Excelente natal, ano novo massa, e inté 2013!

•)) sem música!

One thought on “e foooi foooi fooooi…

  1. Ah, também não gosto de feriado! Quebra o rítmo do trabalho e me sinto de mãos atadas.
    Poxa, Tony!! Sabe que, não chorei quando perdi o meu pai, porque não compreendia o que era a morte. Mas daí, fui perdendo mais pessoas, percebendo que a morte nos separava fisicamente e que não iria mais ver essas pessoas. A falta veio mais tarde, após a fase adolescente. Foi tomando outra conotação a partir de quando me tornei mais consciente da vida e de suas responsabilidades. Houve uma certa revolta por perceber que a irresponsabilidade de médicos, me privou de conviver com uma pessoa que foi muito significativa para mim em pouco tempo de convivência. Há dois anos perdi minha mãe, o que me fez perceber um dos motivos para que vim nessa vida. Não pude chorar, tive que me manter forte – Eu, rapinha de tacho fui a força para meus irmãos, muitas vezes confundidos como “tios” pelos meus amigos. Enfim, o sentido da perda vem quando você tem que justificar para outras pessoas a ausencia, para um filho quando você o tiver. Ele não terá os avós para mimá-los e botar bedelhos na educação. As conquistas que não terão mais o prazer de serem vistas no olhar de nossos progenitores. Mas é melhor não pensar e deixar para quando acontecer. Não vamos apressar o rio.
    Tony, me orgulho de suas conquistas e seu esforço, mas principalmente como consigo captar a sua alma – pode ser que não seja a mesma alma que carrega todos os dias – mas a energia que chega para mim é muito boa.
    Um natal de luz para você e sua família! Não deixem de comemorar e não se entristeçam. A vida segue!!
    Torcendo para esse casamento acontecer antes dos 3 amos :)
    Beijus,

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