Entre as vontades paralelas que alimentam os 5 grandes desejos que tenho para os próximos anos, está o uso de um conceito muito simples [a simplicidade é profunda…]: se 20% dos objetos que possuo ocupam 80% do meu tempo, eu tenho muita coisa. E, definitivamente, não preciso de tudo isso.

Tanto o onus de um passado com dificuldades sociais quanto o bônus de nunca me deslumbrar com personagens de vida que se apresentam por ai [gente financeiramente rica, as pessoas que precisam estar sempre dizendo que são felizes, realizadoras e etc, nas redes sociais], me fazem sempre que bate vontade, estar olhando pros objetos que me cercam. E em especial nos ultimos dois anos e meio, eu tenho enchido mais sacolas para doação do que comprado mais caixas organizadoras. O local onde vivo não é muito grande, então nem se eu quisesse poderia fazer dele um túmulo de celebridade [sabe, né? Quem não tem ou não teve um cantinho em casa cheio de tranqueirinhas armazenadas pq simbolizam algo que láááá no fundo você nem se sente representado mais pq fica enfurnado no celular em todos os espaços preenchiveis do seu tempo], poderia.

Todos os objetos que tenho cabem, hoje, aproximadamente numas 8 a 9 caixas organizadoras pequenas. Não ocupa nem o espaço de uma cama de solteiro. Por que sinto tanto essa necessidade de não ter? Acredito que quanto menos objetos temos, mais leves ficamos. E mais práticos nos tornamos: não é um exercicio de detalhamento limpar uma casa [ou, pra quem o faz, viver o estresse de pagar alguém pra limpar a sua casa e nunca ver as coisas onde e como vc quer], não é um parto fazer uma mudança e, o essencial: voce ganha em tempo.

Tempo é a moeda mais valiosa que possuimos em nossas vidas. E com tempo, você faz mais do que quer. Fazendo mais do que quer, você entende que as coisas mais valiosas que podemos amealhar na vida não são objetos colecionáveis, imoveis grandes, ambientes grandes… são as experiencias que vivemos [pagas ou não; e veja, com menos coisas compradas, mais dinheiro sobra, com mais dinheiro, mais oportunidades para sair vivendo experiências]. Vide vários desses “tumulos de celebridades” que fazemos, que são objetos que geralmente simbolizam lembranças. Ou seja, uma ponte para algo que está dentro de você. Pois é só o que levamos conosco, ao nosso avançar de idade e até que chegue a nossa vez: as memórias do que vivemos, o prazer das experiências, o desejo de ser feliz de um jeito único. Fazendo o resto ser apenas o resto 😊

[♫] “Fatou”, disco da Fatoumata Diawara

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