Não tenho uma palavra pra descrever o que é fazer um monte de coisas num espaço curto de tempo, saber que elas dão resultado, mas sequer “saborear” porque já se está entretido com outros afazeres. Nem procuro, por falar nisso. São divertidos aqueles textos onde, para você “fazer menos, tem que fazer algo mais”, já reparou? “10 dicas para isso”, “otimize seu tempo”, “leia menos”, e vários eteceteras.

Naquele e em outros tantos formatos, vendem-nos a vida como um carrinho de supermercado aonde vamos [em períodos cada vez menores de tempo] colocando uma coisa e substituindo outra, absorvendo uma coisa, descartando outra [e estamos cada vez mais tratando as pessoas como coisas, também! Isso dá outro post, pra breve]. E vivemos nos dizendo e nos fazendo cada vez mais “racionais”, quando até mesmo a racionalidade é algo emocional.

[han, Tony?] É, dizem que somos racionais. Mas a maioria absoluta dos critérios que utilizamos para racionalizar argumentos, seja numa conversa, seja numa compra [ou numa venda], tem como base alguma emoção que nos foi desperta, direta ou indiretamente, no campo onde guardamos conscientemente e/ou nos espaços quase desconhecidos de nossa capaz mente. De comidas que remetam diretamente a um momento em casa, aos equipamentos que nos permitam algum tipo de condição [e inserção] social, somos todos emoções, mais ou menos organizadas, fáceis de compreender, difíceis de assimilar. Acredito que é apenas porque não temos vontade de fazer isso: investimos nossas energias atuando em papéis sociais, muitas vezes nos damos conta de que somos mais personagens que autores [e temos vergonha de admitir isso], e no vicio de atuar por atuar, perdemos o jeito de agir por nós. Ficamos só encenando e, infelizmente, para os outros.

Encenamos então conforme a banda toca, a sociedade sugere [alguém vem dizer literalmente “faça isso, faça aquilo?” não! Então tão, você age racionalmente sob uma série de experiências emocionais que grudam em ti, de uma reles publicidade as pessoas repetindo padrões nas ruas], como a vida [dos outros] parece ser. O melhor exemplo que me veio aconteceu terça.

Acompanhando ou não futebol, principalmente a seleção, todo mundo tem uma opinião. Do contra. [só peguei uma genérica. Rode os sites de esporte, e divirta-se com o cardápio de criticas]. Não importa quem estivesse naqueles 23 espaços. Não seria a seleção ideal. E disso, fulano é burro, ciclano é isso, Mané é assado. E entre as várias maneiras que podem ser utilizadas para defender ou não essa lista, prefiro usar um exemplo, só por reflexão.

Digamos que você é dono de uma empresa, ou chefe de um setor. Preparou um projeto para ser apresentado dali 30 dias, um estudo de 5 anos. Você não pode errar. Vou repetir: não pode errar. Ninguém, além de você, será responsabilizado pelo projeto. Ninguém. Você usou uma equipe enorme para poder chegar nesse prazo e dizer: estamos prontos. Vem uma, ou várias pessoas que não se envolveram com esse projeto, malemá sabem o que você está fazendo, e substituem o seu comando, colocando no lugar de algumas peças essenciais do seu trabalho, gente que mostrou 1% do serviço que se fez nesses 5 anos. Se você gostar disso e achar a coisa mais normal do mundo, comenta ai pra mim.

Por outro lado, não me lembro nesses 20 e poucos anos e 3 copas acompanhadas “racionalmente”, do povo comentar tanto a respeito da seleção, de quem estar lá. Ou comentava sempre tudo isso, mas os meios para ouvir toda essa gente é que  funcionavam em ciclos mais longos. No mais, há 4 anos atrás eu disse que dois jogadores seriam os talismãs dessa copa. Só não acertei na mega-sena [ainda], mas noutras pequenas previsões, não falho :).

O texto pequeno [:::] Eu tive um sonho…

E nele o mundo não era justo. Ainda. Mas as pessoas eram sinceras.

Gerson era apenas um nome. Olhar nos olhos era tão comum quanto não mentir [principalmente a si mesmo]. Omitir voltou a ter o mesmo significado de sua origem.

Minha sociedade tem respeito às pessoas, não as suas marcas [de roupa, de carro, de estampas nas casas, dos bairros onde estas se situam]. Aliás, há ainda mais respeito quando as marcas estão no rosto. Nos diferenciamos pela igualdade, mas já tínhamos, algum dia, nos igualado pelas diferenças. Éramos medíocres.

Nesse lugar, nós discutíamos menos, estávamos muito ocupados fazendo: ou o que amamos, ou o que gerasse algum bem comum. E quando fazíamos alio, era sobre valores, e não sobre pessoas; era sobre política, e não sobre politicagem. Nós consumimos tudo que quisermos, precisando ou não. Mas isso não custa a alma de ninguém, em toda a cadeia do produto, terminando na natureza.

Quem não tem paz, soube onde encontrá-la. E todos levam consigo um espelho, uma das principais peças de qualquer casa. Viver, importava acima de um sem-número de coisas. Escolher era essencial, e natural. Sofrer, opcional. E eu não pensava nisso sozinho.

Eu tive um sonho e quando acordei, fui [re]construir minha realidade.

O resto é o resto.

[♫]“… and all I see, it´s a less-good version of a man I don´t wanna be. All I feel is you tie me down do something that just isn´t real…” – Call the police, James Morisson.

2 thoughts on “Dia-a-dia, assuntos de muitos, um texto pequeno.

  1. Tony, querido, acho que o Dunga decidiu certo.Se vamos ganhar ou nao, é outra história…
    Tony, ninguém mais que vc sabe o quanto venho lutando por meus sonhos. E, a cada dia que passa, voua vancando…Hoje, eu visitei a Universidade onde pretendo fazer Mestrado…Distante de casa, vou ter que morar sozinha. E isso veio, numa hora tao complciada da minha vida por aqui, como um bálsamo.
    estou distante 4 meses da escolha por uma vaga,.Ainda tenho um curso feroz de 3 meses, para me preparar por uma vaga…

    Mas, Tony…sempre há umaluz a nos empurrar em direcao ao melhor de nossas escolhas.
    Bjs e dias felzies

  2. Oi, lindo,

    Sou emocional até a raiz dos cabelos, mas com uma pele ( só a pele ) racional e necessária que as vêzes confunde as pessoas.
    Quanto ao Dunga e a Seleção: é só o Brasil ganhar que todos vão dizer: ” Só eu disse que ele estava certo!

    Beijão.

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