no final de 2011 eu disse que não acreditava mais no termo, no uso da palavra amor, e prometi escrever. Chegou a hora. Como diria Galvão Bueno, háááááááááááájá* coração, amiiigo**.

Por quê? Em primeiro lugar, pq escrevi tanto, mas tanto sobre bobices, romanticices e tudo que um adolescente pode envelopar numa caixinha, dar esse nome e passar pra frente, que a prática do amor quando olha pra teoria, dá risada e samba em cima, descendo até o chão.

Segundo porque muita gente fez e ainda faz o mesmo, e quando leio a galerinha de 15 anos pra menos [ahhhhh como é bom falar de gente mais nova! Siiiiim, agora dá pra fazer isso sem dó!!! Essa gente que nasceu no final dos anos 90 ainda não pode falar de amor, muaa-hua-hua-huaaaa! Nada como envelhecer ;D] falando de amor como se fosse morrer dele amanha, lembro que eu pensava exatamente do mesmo jeito e tô aqui, vivinho. Mas me cai os butiá do bolso quando vejo nego barbado e marmanja que já depila a perna com cera quente que ela mesmo pode comprar sem pedir pra mãe, em pleno 2013, sem o mundo ter acabado, sofrendo absolutamente DE GRAÇA por não ter amadurecido com o que viveu, comportando-se como se tivesse 10 anos a menos. Ou mais até. Fora quem confunde com sexo, ou com outros sentimentos.

Terceiro pq a maturidade faz a gente entender que você pode escolher inúmeros conceitos para o amor, passar por eles enquanto amadurece, fazer blogagem coletiva, escrever uma série inteira ou mexer com varias mulheres ao universalizar o sentimento, mas nada, absolutamente nada disso faz sentido se você não aprender a viver o amor. Quase tudo que foge disse é banalização, e como tantas outras coisas banalizadas, o uso em excesso desgasta, corrompe, desfaz o significado original. E machuca para baralho.

Legal Tony, você fala assim de viver o amor como se fosse a coisa mais simples do mundo… bestinha!

Mas aí, me diz aí, não é uma coisa simples? Se fosse menos simples, seria fácil? Psé, psé, psé… em momento algum digo que é simples ou fácil. Comento até aqui que tenho os meus motivos para não acreditar mais no amor enquanto palavra porque está desgastada, e muito.  Amar é um ato.

Um ato de muita coragem. Uma escolha de vida, uma automática abdicação, uma doideira. Uma daquelas que todo mundo gosta de passar. Daquelas que todo mundo precisa passar. É muito mais que uma frase que cabe num tweet, num sms, numa frase solta no ar. É uma atitude. É abrir mão e abrir a mão. É encontrar em si virtudes que não reconhecia, e reencontrar-se nos olhos do[a] outro[a]. É expandir seus limites. E colocar todos os significados, para não ter nenhum para explica-lo racionalmente.

Para viver nada achando que é tudo, para viver tudo achando que sempre cabe muito mais. Pra quando encontrar alguém que a gente realmente ama, nem precisar dizer demais, por fazer o ideal / necessário / “suficiente”. Para o resto ser ainda mais o resto.

* eu sei que não tem acento maaaans, é pra ressaltar a maneira peculiar com a qual ele usa o termo.
** muita gente fala mal dele mas a partir da aposentadoria em 2014 vai sentir uma saudade imensa do caboclo…

[♫] ” Good love is on the way  / Good to go for wherever I’m needed / Bags are packed and they’re bown by the door…”, Good Love is on the way, John Mayer.

[♫] ”Tudo do avesso  / tudo certo  / tudo no começo  / te espero  / vai ser assim  / e vai ser bom-ooooommm…”, Será que você me ama?, Ana Cañas.

3 thoughts on “Descrença com o “amor”: uma explicação.

  1. Fácil amar quando o “nosso” amor casa com o amor do outro. O que faz o amor se tornar difícil é sua falta de sincronicidade – A minha medida e vontade de estar junto nunca será igual ao do outro – aprender a entender e respeitar isso é um dos caminhos para os amores e humores somarem-se!
    Bom restinho de semana!! BEijus,

    1. diria que a capacidade de relacionar-se com o outro é que fica difícil, e não o amor / ato de amar. Se não começarmos por nós, para ter a consciência do que oferecemos ao outro / nos permitirmos evoluir com o outro em relação a isso, de fato fica mais complicado para alcançar a sintonia do relacionamento :)

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