Após vários anos lidando com um padrão de clientes que tinham uma posição diferente no mercado, fui finalmente exposto aos “clientes padrão” do mercado publicitário: remuneração abaixo da realidade, volume de trabalho um pouco acima da realidade (porque quem não tem competência sempre faz mais do que precisa, usa mais do que precisa, e tem menos retorno do que espera), e respeito completamente fora do que considero aceitável.

As circunstâncias econômicas empurram para um cenário de regime aberto de prisão, mas o carcereiro não é quem emprega.

Somos nós mesmos, que pelas necessidades de quem depende de você possuem, pela pressão direta dentro de casa para “esse estado de coisas aqui eu não sei se é bom para você, mas pra mim tá ótimo”, e o próprio cenário externo que gera uma insegurança incondicionada, acabamos [por vezes] por escolher ficar mais vitima que o comum.

O desgaste emocional e psicológico é grande, pois com o aumento da produtividade laboral, vem a redução da sensação de validez, pois nenhum esforço parece o suficiente e o que funciona sempre está no modo “não tô vendo mais que a obrigação”.

Escrevi em outra oportunidade que uma boa parte desta vida, não vivo por mim.

Se vivesse, se não tivesse quem dependesse, se não existissem as pressões cotidianas, já estaria naquele caminho que só os empreendedores de sucesso vendem, depois de décadas de ralação, explicando que a vida é romantiquinha e bonitinha e dá sim pra ser bem sucedido, seja lá o que isso significar.

É um momento onde aquela frase absurda de “ou você trabalha ou você vive, os dois você não faz” chegou num estágio mais que incomodo. E não há nenhuma mudança que possa ser feita que não seja (a) radical ou (b) crie uma ruptura irremediável.

Escrevo não por reclamar ou para reclamar por reclamar, mas para que lembre, daqui alguns anos, que assim como a prosperidade e “agora os caminhos vão só para um passeio melhor” de outrora, tudo muda. Tudo passa.

E da proximidade do 11º ano escrevendo aqui, que em algum tempo, quando eu olhe seja para essa página aqui ou para onde os textos nascem e ficam salvos, lembre-me de que a vida é assim mesmo graças as escolhas que fazemos. E que o cotidiano sempre será como a gente realmente quiser.

Que mesmo com períodos ruins, á vida é boa. A vida é feliz sim. E a gente sempre consegue fazer do pouco um tudo e de tudo um pouco. Até fazer o resto ser sempre o resto.

[] sem música!

 

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