Senta todo dia no mesmo lugar do ônibus, e faz o possível para ir no mesmo que o motorista careca-cara-de-tio-de-banca dirige. Está sempre lendo um livro.

Espirra pra dentro, tem a fala anasalada, e praticamente em 4 dos 5 dias úteis de frio, está com uma blusa de capuz roxa. Sempre tira o fone de ouvido para atender o telefone. (As pessoas não sabem que dá pra falar pelo aparelho e fica muito melhor de ouvir com os fones…)

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Falando neles: Fones de ouvido pequenos e na cor preta praticamente penteiam o cabelo longo, que raramente está preso e quando fica preso é espetacular.

Óculos grandes e sorriso maior ainda, mas sempre uma zumbi digital: só levanta os olhos da tela do smartphone (grande, especialmente para as mãos dela) para subir ou descer do ônibus. E quando não está sorrindo está mordendo os lábios, uma ponta / lado por vez, movimentando a mordida de um lado para o outro.

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Repara por ter tempo livre pra isso, como se não fizesse careta para cortar as unhas, organizasse o quarto quase sempre pela mesma ordem, como se não fosse o maluco das listinhas de coisas a cumprir, como se não estivesse sempre ocupado demais em dar prioridade ao que é prioridade e ficar doente quando não existe reciprocidade.

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Pergunta as mesmas coisas, umas 4 vezes, num intervalo curto de tempo. Doença ou carência? Apenas um jeito diferente de dizer “ei, converse comigo!”.

Nos mesmos dias as mesmas conversas, com tonalidades diferentes. Atende ao telefone como se estivesse morrendo. Conversa como se nunca tivesse vivido. Vive como se não tivesse mais o que viver, mas tem tantas opções que, por preguiça, prefere não escolher.

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Tem a mesma rotina para fazer as coisas, variando vez ou outra – mas só vez ou outra, afinal fazer as coisas certas tem que ser no dia certo – o dia e quase nunca os horários para fazê-lo. Rotina? Imagina. “é hábito, nada mais”.

Na teoria, “ah, isso é simples de fazer diferente”. Na prática, “O meu (jeito) é o certo, o do mundo não, então o mundo que se adapte a mim, pois eu não tenho porque mudar”.

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Escreve bastante porque antes de uma forma de se divertir, é um jeito de fugir. De uma vida aparentemente tranquila e bem resolvida, mas cheias de fantasmas que nem o dobro vezes mil de postagens serão capazes de apagar. Não enquanto não for uma escolha desapegar daquilo que não faz bem. Tem receitas para várias soluções, menos pra como enxergar de fato o que é observado, olhos nos olhos, diante do espelho. “Quero ver o que você diz / quero ver como suporta me ver tão feliz”…

[♫] “In the darkest night hour / I’ll search through the crowd

Your face is all that I see / I’ll give you everything / Baby love me lights out”

XO, Cover de John Mayer para música de Beyonce.

One thought on “Como alguém que conhecemos.

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