Quantas e quantas vezes, do nada, construímos em torno de nós verdadeiros impérios, sejam eles de atos, palavras ou sentimentos? Muitas, muitas mesmo. Rotulamos essa grande nação de palácios como a tal da personalidade, aquela uma que também utilizamos para nos rotular e rotular aos outros sob algumas características.

Raramente visitamos nossas construções. Vez ou outra, conforme a fase de nossas vidas, adoramos expô-las como um grande evento ou celebração à sabe-se-lá-o-quê, como se fossemos produtos em uma prateleira, com preço mas sem necessariamente algum valor. Mas só nos voltamos para elas quando algo ou alguém nos sugere que foi feita terra arrasada. Pobre mente…

… nos trai e não nos permite enxergar que, independendo quão monumentais sejam, são impérios de areia. São castelos de areia. Mente que nos trai, nos adultece, e nos faz lamentar bobagens, chorar pitangas, gastar energias com coisas tão insensatas e infames que chegam a ser engraçadas, não porque arrancam um sorriso, mas por serem surpreendentes em suas pequenezas. Deixamos as chatisses dos outros omitir nossos segredos infantis, em especial aquele de mantermo-nos construindo estes castelos como crianças, e contemplar suas destruições da mesma forma: com a serenidade de quem sabe sorrir e optar, ou por construir um novo castelo ou encontrar uma nova praia para brincar.

Escolher, sempre, é preciso. Comportarmo-nos como bichos e ficarmos arredios, amargos, vitimas daquilo que erramos e com um puta medo de pagar com a devida responsabilidade, vivendo nossas incessantes esperas pelo pior e/ou o que convier, o que acontecer primeiro. Ou sermos artesões e cultivarmos a arte da construção que, depois do aprendizado, é a principal e imprescindível tarefa que carregamos por toda a vida.

E você, está com quais castelos arrasados? Qual vai começar a [re]construir hoje?

[♫]”and it´s all because of you…” – Because of You, Ne-Yo.

Siga por aqui:

11 thoughts on “Castelos de areia.

  1. eu parei de construir castelos há um tempo. mas, não é fácil. volta e meia a areia me parece tão atraente e a vontade de criar montes e montes de lindos castelos ao meu redor bate forte.

    mas, há castelos e há castelos. adorei o texto, Tony. estava sentindo falta dos seus posts, já. beijos! *:

    1. ué, tão cedo e já parou de viver? já tá com tudo formado e aprendido na vida? :)… acredito que sim, vez ou outra paramos de construir castelos e passamos a cuidar daqueles que mais nos importam. Nem que pra isso precisemos colocar muros ao redor. Ainda assim, são de areia: basta a gente olhar outra vez para alguma coisa [ou pra nossa vida], e tudo pode estar diferente. Mas deixar de construir, jamais…

      bjo!

  2. Oi, Tony,

    Gostei da simbologia. Estou numa fase de retomada de antigos castelos, recuperando-os e implodindo alguns …sem culpa.Ainda não tive vontade de construir novos, a matéria prima está faltando no mercado…

    Beijão.

  3. Conheço alguns “murrinhas”, pessoas que não renovam seus conceitos e que em geral, não sabem escutar! Dizem que nunca vão mudar, nasceram assim e ponto. Essas pessoas eu coloco em prateleiras e deixo empoeirar! :D São pessoas bem aborrecidas!
    Bom fim de semana! Beijus,

    1. aborrecidas e “aborrecentes” :P…
      [não a toa gente que adora isso do “sou o que sou e ninguém vai me mudar” é que encabeçam a lista das mais reclamonas…]

      beijão!

  4. eu cosntruo castelos diariamente..nao vivo sem construir…Mas, tbm, visitar demais, construcoes antigas, pode ser o comeco de uma melancolia sem fim.:E isso, definitivamente, nao quero para minha vida.
    bjs e dias felizes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *