Do primeiro para o segundo terço desta curta vida, imaginava bastante um padrão de vida que, naquele momento, parecia tão distante quanto na terceira idade. Daqui, do final da construção deste primeiro modelo de uma vida de qualidade, fica o sorriso bobo por ter saído muito melhor que a encomenda.

Em outra oportunidade contei que, nesta passagem, não teria a oportunidade de viver somente por mim. Nosso senso de humanidade recomenda uma postura mais egoísta (responsável parcial por tantos desencontros nos relacionamentos de todas as naturezas. Se você não viveu uma história com isso, conhece de alguém muito próximo) e bastante mimimi, mas escolhi outro caminho.

A vida costuma nos ofertar dois modelos: o possível e o ideal. O primeiro leva ao segundo, e perder este nos devolve ao inicial. Se não possuímos o ambiente ideal, por que não extrair o melhor do possível? Foi a minha escolha. Foi a escolha que entreguei para aqueles com quem convivo.

Certamente que manter-se vítima das escolhas erradas das outras pessoas, desvalorizar os esforços que cada um pode fazer em prol de determinados objetivos e entregar a terceiros a responsabilidade por sua vida é um caminho mais simples. Dizer o que os outros devem fazer ou não, sem ser um exemplo mínimo de que aquela recomendação funciona, é mais fácil ainda. Mas se é possível ser fruta do mesmo pé, rolar um pouquinho de em baixo daquela árvore de origem para ser um fruto melhor e tornar-se uma árvore maior, por que ficar em uma sombra que não nos conforta?

Ser queimado pelo sol um pouquinho, tentar fincar raízes e ter chuva demais ou um teco de frio faz parte deste processo.  As vezes as condições são as ideais, mas o terreno não é. Ou o terreno é perfeito e o clima não ajuda. Mas veja, tudo começa com um esforço nosso. Tudo passa pela ideia de que, se não consideramos um determinado ambiente ideal, ou fazemos nele o possível, ou vamos fazer o possível em outro lugar até se enxergar num novo ambiente ideal.~

Daqui, do melhor possível que posso construir agora, fica o sentimento de que o ideal é logo ali, basta não parar de caminhar. E, não se mantendo bem acompanhado, que se esteja tranquilo o suficiente para não esquecer que as pernas continuam sendo suas, e só suas. Melhorar sempre não é uma formalidade, um exagero ou uma meta utópica: é o exercício de evolução que nos conduz para o que realmente merecemos. Para imaginar coisas novas e vivê-las em versões melhores. Para que o resto seja só o resto.

[] “Cause I give you a-a-a-all of me…” / All of Me, John Legend.

One thought on “Blog também é pra desabafar. Então,

  1. Oi, Tony!
    O importante é não se anular para satisfazer ‘desejos’ alheios. Dentro da convivência podemos nos dobrar algumas vezes, mas não sempre.
    O egoísmo nasce do desejo de satisfazer os próprios desejos, mas as pessoas se esquecem que sozinhas elas não são felizes.
    Ainda bem que conseguiu o meio termo.
    :)
    Beijus,

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