Manter o coração em paz num ambiente repleto de espinhos não é tarefa simples. As pessoas mais próximas e as que nada tem a ver consigo, tem o péssimo costume de enquadrar e rotular os outros para que eles caibam em seus pensamentos. O meio no qual fui formado não me deixou ser muito fã deste tipo de coisa.

Conversar sobre pessoas fez pouco parte da minha natureza. Conversar com as pessoas é mais o meu tipo. Longe da hipocrisia de dizer que não faço isso, mas acontece apenas quando sou questionado, no modo “o que você pensa a respeito de?”. Quando mais muleque, acaba rolando um ou outro tom de fofoca. Mas a convivência com quem faz isso em demasia e a natureza de não gostar, acabaram me fazendo aceitar “todo mundo” como realmente é.

Ainda que, dentre minhas imperfeições a tolerância a incoerência seja baixa, e por vezes me faz “querer mais do que as pessoas são”, entre as várias opções que existem no cotidiano para fazer, uma que evito ao máximo praticar é falar da vida alheia.

“(…) nem que tivesse fumado, pra falar de vida alheia. Mas digo sinceramente, na coisa mais feia… é gente que vive chorando de barriga cheia”.

O desafio, no final das contas, é manter-me em paz com a minha natureza, pois as pessoas gostam disso e eu não. E ao não gostar e evitar fazer, viro o diferentão quieto que ouve mais do que fala. E quando fala não parte pro negativo, pro depreciativo, pro desrespeitoso. Aí acabo sendo ofendido por pouco e por muito nada. E sigo na escolha de deixar o resto ser apenas o resto por motivos de: nenhuma vontade de gastar energia com quem não quer o seu bem.

[♫] “(…) eu não estou falando grego, eu tenho amores e amigos de fato…”, Maneiras, Zeca Pagodinho.

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