Comecei o ano perguntando o que ele seria. E termino respondendo: foi de coragem.

Coragem para abrir mão da segurança de um ambiente de trabalho que era a minha história, mas estava cobrando minha saúde mental para ficar de pé.

coisas grandes nunca vêm da zona de conforto.

Coragem para usar isso de norte para transformar não apenas a minha relação de trabalho, mas o que eu entendo como um bom modelo de vida.

E coragem para assumir junto um pacote novo de escolhas, para seguir transformando a minha vida. Isso tudo no cenário mentalmente mais desgastante dos ultimos 5 anos.

 

Trabalhei para ver um profissional renovado

Crente que só poderia ficar pior, ao carregar sozinho as responsabilidades por conduzir uma empresa, fui abrindo mão da minha saúde.

Ao conviver com pessoas doentes, que ou só pensam em si, ou só pensam em dinheiro, colocando o fator humano para fora de uma ocupação, estava vendo o meu senso de propósito ser consumido, e o tiquinho de fé nas pessoas, dissolvido em definitivo.

É importante frisar que num cenário assim, não há vitimas.

Se fiquei doente, é porque escolhi e aceitei simplesmente ir acumulando responsabilidades e compromissos sem pensar em como ou porque fazer isso, apenas por que “era necessário” para manter aquela que então era a ordem natural das coisas: ter uma marca que era de outra pessoa sob minha responsabilidade, viver e morrer de um único segmento de mercado, e assim enfrentar todo e qualquer alto e baixo.

Mas, houve um estalo, e a voz da intuição, aquela que fica soterrada por crenças limitantes e pelo medo de aceitar que a vida é naturalmente instável, não importando quão sólidas sejam as nossas crenças, avisou: “muda. Fecha o olho, abre o coração, e muda”.

E aí, abracei de vez os trabalhos freelancers e a autonomia de escolha de horários de trabalho. Fui presenteado pelo meu próprio plantio, e 3 meses depois de não ter uma renda fixa via emprego, já tinha um contrato fixo com remuneração maior que a anterior, e um contrato fixo que é financeiramente complementar.

Não acredito muito nessa de “se eu tivesse mudado antes, teria acontecido antes”.

Tudo ao seu tempo, e tudo, absolutamente tudo, de bom ou ruim, passa. Então tenho que plantar mais coisas boas para que as ruins, nesta área, sejam furtivas.

 

Na bagunça emocional, ainda escavo a minha versão que desejo genuinamente

Tem um menino perdido lá nos meus 14-16 anos, que passava bastante tempo sozinho, e sonhava com uma vida melhor que a que vivia. Ele envelheceu e construiu a versão beta dessa vida melhor.

Passou por um relacionamento dos sonhos e embarcou num relacionamento de realidade, com os melhores requintes de agressividade [da realidade] possíveis.

E seguiu levando o mundo dos pais e dos irmãos nas costas, por não querer mais que eles vivessem o que viviam.

Agora, não tem pai nem mãe, dependendo financeira e emocionalmente de mim. Ninguém mais vive o que vivia.

Entrei no primeiro mês de uma nova vida, pois 100% do fruto do trabalho é meu, e posso fazer com ele o que vem entender, sem que terceiros digam ou não o que é necessário.

Estou mais só do que nunca, mas procuro encarar este sentimento de solidão de maneira positiva.

Afinal, bem conversadinho, esse estado é inerente à nossa natureza. O que podemos fazer a respeito é assumir escolhas diferentes das que não nos satisfaz.

Além de reencontrar aquele guri que tinha propósitos genuinamente puros, posso ver como a vida vai funcionar quando há uma independencia real, completa, “como a de todo mundo”.

se eu tenho que matar um leão por dia, vou aprender a adestrá-los primeiro.

Não desejo voltar no tempo e fazer as adolenticices que a maior parte das pessoas fez e foi tudo bem. Mas pretendo viver um pouco do que não vivi, tendo metade dos sentimentos de evolução e o dobro de idade como experiência.

Melhorar o relacionamento mais próximo [nem que ele tenha que terminar, pra isso], construir relacionamentos novos, fazer coisas novas, alcançar resultados positivos, porém diferentes do que o limite do que era positivo dentro de uma vida com limitações. É um ano novo em muitos sentidos do termo…

E encaro como imprescindivel reconstituir uma ordem emocional, para começar a me incomodar com problemas novos, sofrencias novas, e sorrir por conquistas e alegrias diferenciadas.

 

Coragem nos ganhos, perdas, e o universo ao meu redor.

Ganhei novas relações de trabalho, conhecendo formas diferentes de fazer a mesma coisa.

Me vi dando mais “conselhos sérios” do que em outros anos, e menos paciente com as instabilidades alheias.

Ganhei reconhecimento de imagem [por causa do meu clube do coração] e de trabalho [por competência].

futebol de botão uber

Perdi o desejo de me preocupar com as pessoas que simplesmente sairam da minha vida [ou das quais saí], pra surpresa de quem me via convivendo com elas. Perdi a presença da minha mae, mas ganhei uma outra vida.

Ganhei dinheiro, perdi alguns filtros. Ganhei em terapia, perdi alguns medos. Ganhei bons quilos, perdi um pouco da saúde do joelho.

Ganhei em produção de conteúdo, perdi a preguiça de usar outra língua em muito mais tempo dos dias.

Ganhei em desapego das coisas, perdi a necessidade de posse de muito do que quem está ao meu redor, acha essencial. O espaço que isso traz na vida, não tem preço.

No universo ao meu redor, lembrarei de 2017 como ano onde me desacreditei em definitivo da política [espelho e reflexo exato do meio onde vivemos], dos modelos de imprensa, e peguei um ódio [a trabalhar, para ser desfeito] de gente gananciosamente rica [verdadeiramente pobre], que em tudo só vê preço e custo, sem entender o significado de valor.

Lembrarei de um futebol nacional mais pobre de assistir, e um futebol internacional mais gostoso como entretenimento. De esportes norte-americanos chamando muito mais minha atenção [e curiosidade] que o que já gostava de consumir. Lembrarei que eu gosto demais de ficar em casa. E que home office é minha melhor ideia em muitos anos, hehe… isso tudo faz o resto ser o resto.

Sem música!

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One thought on “As transformações de um 2017 de coragem

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