Como cuidar da casa? Senta pra conversar, dá um abraço nela e diga “tudo vai ficar…”NÃO, PÉRA.

Não sou o Rodrigo Hilbert, mas acho um barato ser dono de casa. Não no sentido “amélia” do termo, muito menos tentando um “machismo as inversas”.

Transformar a administração do que você escolhe chamar de lar é um mito relativamente simples de destruir.

Mesmo com os monstros do “meus pais me criaram pra ser um bebê e casar com outra mãe / pai” e todo o universo de incômodos e reclamações implicitas.

Separo o que funciona na minha vida de “do lar” do a, de “aonde”, pro z, de “zoio no que importa”. Como gostar de cuidar da casa?

Dicas para cuidar da sua casa

essa receitinha é muito infame, não acha? tudo isso pra comprar uma casa, e o que mais?

A, de aonde: é bonito ralar feito um maluco pra vender sua vida em emprego[s] e ocupação [ocupações] que digam que você “comprou” uma casa, financiada a perder de vista [em todos os sentidos da visão].

Contudo, talvez seja mais legal gerenciar seu dinheiro de outra forma, para que suas maiores propriedades sejam:

  • contar quantas coisas fez,
  • lugares e pessoas que conheceu,
  • e como seu tempo valeu a pena.

Importante: o total de tijolos e quaisquer outras peças necessárias para um imóvel que você leva dessa vida, é zero. Pra fazer um lar você não precisa de um carnê, precisa de bons sentimentos.

Financeiramente falando, coloque na ponta do lápis se não vale a pena ter um imóvel, mesmo que alugado, mais perto do seu local de trabalho, para transformar a diferença de despesa com transporte [manutenção e depreciação de veículo, horas utilizadas] + imposto de renda + taxas [despesas] suplementares em rendimentos que te permitam um padrão de vida muito melhor do que tendo uma casa em seu nome. Aí, depois de multiplicar esse dinheiro, ter imóveis para que eles façam, ao invés de tirar dinheiro, fica interessante.

você não precisa fincar um pé num local só pra ter uma casa. A casa é onde nosso coração está, não um cep.

A, de alimentar o melhor: Lares são feitos de intenções grandiosas. Só ou em par, entre amigos ou com o amor da vez: Se você não transformar sua casa no seu templo, fica sem onde ter para fugir. Simples como isso.

Noves fora o fator organização, todos precisamos de um lugar onde nos sentimos resguardados, protegidos, seguros, em paz. E se não for no ambiente onde mais temos controle sobre como pode ser, será em qual lugar?

casas grandes são lindas, mas dão trabalho.

 

B, de bonito pode também ser barato: E barato, geralmente é sinônimo de pequeno e próximo, ou grande e longe. Escolha a necessidade que mais se encaixa na sua realidade, e tenha um casa onde cabe tudo que você realmente precisa.

Ou seja, se também couber na sua vida um D de desapego, você pode ter um cantinho aconchegante sem precisar de muitos comodos para se estressar / pagar / lidar.

já casas pequenas só servem pra quem quer aprender a desapegar.

C, de coisa. Pra fazer, pra arrumar, pra limpar… e quanto mais você tiver, mais pra mexer. Mais estresse para acumular. Mais mimimi pra fazer nas redes sociais, seja contra a diarista [parente que limpa, amigo(a) com quem divide essa responsa] que nunca deixa nada no lugar, ou para ostentar seu grande orgulho em ser organizado como um mapa de metrô para um iniciante.

Você usa 20% de todas as coisas que tem. Os outros 80%, escolha como definir, cada vez que você pensar que “queria dinheiro pra fazer tal coisa e não tenho”, “bem que aqui cabe tal coisa, mas ao invés de mexer nisso, vou para uma casa maior”. Que tal subir essa porcentagem de coisas úteis e ganhar tempo pra ser feliz num modelo mais genuíno?

por outro lado, podem ficar espetaculares.

D de “deixa, deixa, deixa”. Deixa de aprender como faz pra ter seu lar do jeito que você gosta, pra ver o que um terceiro faz com isso :)…

E, de “é aprendendo que se ensina (e se cobra)”: lavar louça, roupa, varrer um chão, tudo isso tem zero diversão e muito de ocupação, afinal, a vida não é só coisa boa. Nessas chatices é que aprendemos a cobrar quando precisarmos. É fazendo que podemos ensinar.

E é aqui que mora a mágica de ter um lugar não muito grande e pouca informação pra lidar: tudo isso fica mais simples e rápido de fazer. F para faça tudo de uma vez. Nada de surtar e querer dar uma de anvisa com o seu ambiente de relaxamento, e ficar todo dia lidando com coisinha.

simples assim!

E z, para zóio no que importa: seu estilo, sua personalidade, suas regras.

Quando pequeno, meus pais me colocaram pra fazer todas as atividades de casa para que eu soubesse me virar em quaisquer circunstâncias. Cresci vendo como fazia e ajudando parcialmente, e quando foi a hora de ter o meu canto, de fazer do meu jeito, não teve chororô. Teve o copo meio cheio de “caramba, eu posso mesmo fazer o que eu quiser aqui”, e:

  1. Morar à 25 minutos [pra menos] do local de trabalho e das principais coisas que gosto de / preciso fazer, para usar o dinheiro que sobra da despesa de transporte, justamente pra fazer aquelas coisas que gosto;
  2. Ter local pequeno e com tudo do melhor que o dinheiro pode pagar, ao invés de um lugar médio pra grande, cheio de coisas adaptadas;
  3. Separar 1 dia na semana para todos os serviços de casa, para ter 6 dias e [as vezes, até seis dias e meio] meio de autonomia;
  4. Tirar um dia no ano para faxinar de verdade, e tirar tudo do lugar pra remover a “sujeira essencial”;
  5. Sempre trocar coisas [comprar uma, doar uma], para ter um ambiente rico, e não cheio;
  6. Cabeça aberta para sonhar com um lugar maior, com espaço para novas ideias e sonhos, mas começar esse “novo lugar” por um onde se esteja satisfeito [que nada tem a ver com acomodado].

a casa pode ser como você quiser. Só não pode ser um problema.

Cozinho, lavo roupa, arrumo os guarda-roupas, lavo louça, deixo a geladeira em ordem, limpo o chão e o banheiro.

Tudo sem o nojinho ou a frustração de “poxa, como é ruim cuidar de casa”, mas com a cabeça voltada pra “se tem que fazer, bora”.

A esposa, mais que agradece: ganha tempo pra fazer outras coisas, pra ela e, quem sabe, pra mim. E juntos, fazemos o resto ser só o resto :)

 

| sem música!

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