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Em 1992, eu era muito novo para efetivamente prestar atenção no que estava acontecendo no que a mídia estava me vendendo da situação do Brasil.

Agora, que sou personagem da história (como residente no país, como membro da força de trabalho, do pagamento de impostos e da geração de riqueza no sistema capitalista) e sigo acompanhando o que a mídia me vende (somado ao que posso ver na cidade, em quaisquer dos momentos onde transito), a visão não é só mais densa, como tem um pouco de conteúdo.

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Sigo assistindo e vivendo esse cenário político e econômico do Brasil e o que vem primeiro à cabeça é: “como essa história será contada, daqui 20 anos? Qual dos lados predominará na edição do tempo, qual recorte será feito, como eu vou lembrar e como vou conversar sobre isso?”.

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Sobre política, não estamos vivendo nada diferente. São apenas usos mais “volumosos” do poder do interesse e do ego no poder sendo aplicados, num show de acordos de toda a sorte.

Em 2016, são pessoas que estão intimas do poder de seus cargos e da mecânica do jogo político senão desde, anteriormente ao período em que não estávamos uma democracia.

No cenário atual, assistimos bandidos encobrindo bandidos e em troca, reformulam o conceito de bandidagem em nomes X ou Y. Golpe ou uso das ferramentas jurídicas, só o tempo dirá.

Mas, na essência, encaro como o resultado da força do povo.

Afinal, nenhuma das pessoas que está lá, o faz apenas por vontade de enriquecer ilicitamente e exercer brasilidades.

Ganharam o salvo conduto de milhões de eleitores para isso.

O precedente aberto neste meio de mandato criará a perigosa cultura de “vamos tirar por mal”, tal qual se faz no futebol com treinadores.

Três jogos de paciência, não deu certo, troca. E, tal qual os aspectos psicológicos, físicos e táticos de um jogo, comandar um país é um negócio [com o perdão do trocadilho…] beeem mais complicado.

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Sobre o ciclo econômico, é como atravessar o oceano num barco.

Dias de sol, dias de tempestade, as vezes vento e remo, noutras só um balde pra tirar a agua de dentro… e enquanto empregos são perdidos e empresas vão fechando, empregados viram empreendedores e empreendedores viram milionários.

O jogo sempre está bom pra um e ruim para outro. E tem quem consiga viver sempre na coluna do meio.

As vezes a imprensa faz mais barulho com a economia, as vezes faz menos [conforme seu viés político], mas barulho sempre tem. E com a multiplicação das vozes, o barulho parece ainda maior do que realmente é. Mas é apenas o que é.

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Em 2016, o Brasil passa por um cenário de incertezas políticas e econômicas.

Um mandato será atualizado por peças já eleitas democraticamente no mesmo pacote que será (parcialmente) removido, e com essa alteração, o jogo de poder muda algumas regras que, a princípio podem conduzir o Brasil para um rumo melhor econômico, mas seguimos com perdas morais irreparáveis. Seguimos sustentando fortemente a cultura do jeitinho e do “quem pode mais chora menos”.

Um pouco menos de 2 mil pessoas acreditam que estão fazendo o certo para 200 milhões de cidadãos, desde que esses dois mil mantenham-se num “topo” [como se o caixão tivesse gavetas…].

Essa imoralidade econômica e social, somada aos “tempos de cólera” que as discussões políticas trazem, carregam em sua esteira outras coisas: nunca na história desse país se ouviu falar de tantas epidemias em conjunto.

Leia-se, epidemias de doenças que eram para estar erradicadas, não só pelos fatores climáticos, mas especialmente pelos fatores sociais (acesso à instrução, à educação formal e ao conhecimento).

A cultura do pessimismo vai arrastando mais pessoas para uma visão negativa não apenas do mundo ao seu redor, mas de si mesmas. Isso implica no aumento de “problemas médicos”. E vai criando uma espiral negativa que afunda ainda mais o Brasil.

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Não é um cenário de fácil resolução. Muitas vezes a cultura midiática escolheu heróis ou muletas para deixar o pensamento médio com uma sensação mais completa de otimismo.

Mas a maneira como a comunicação e a convivência se dá humanizou (no sentido de remover as imperfeições) as grandes e pequenas figuras de nosso cotidiano. Assim, o esporte perdeu seu papel de unificador e catalizador da alegria, em especial o futebol.

Os esportes olímpicos perderam espaço nas grades de tv aberta, e só voltarão a aparecer especificamente a cada 20 dias de 4 em quatro anos.

Artistas e personalidades não tem mais o pedestal da comunicação sem “ida e volta”.

As peças politicas hoje eleitas seguirão sendo reeleitas, pois enquanto eu escrevo, os outros 49.999 que garantem o voto de fulano ou beltrano estarão intactos por qualquer brasileirice que vai além de escolha e convicção.

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Não são tempos nem mais nem menos difíceis. São apenas tempos onde temos várias alternativas e nos cabe escolher como conduziremos os dias: se deixaremos com que a mídia e a “sociedade média” dite nossas regras e a gente simplesmente se encaixe nos modelos, ou se vamos procurar ser um pouco nós mesmos, dar a medida certa aos problemas cotidianos e assim seguir fazendo do resto, só o resto.

[] sem música!

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