Eis que numa terça despretensiosa, minha mãe ilustra em forma de apagão um cenário que se desenhava ao longo dos últimos dois anos e meio.

A vida nunca foi fácil pra ela, que escolheu anular-se para passar uma vida e mais um pouco ao lado de uma pessoa que não amava, mas teve três filhos; E um pouco depois de voltar para ajudar a cuidar deles, virou mãe deste que escreve há 13 anos em blog [e contando].

essa imagem aqui é uma abstração de um poster que eu fiz pra ela. Que sonhava com essa frase, dizia que sempre estava a escrevendo… ai um dia, dei em forma de quadro, que ficou pendurado na casa dela até ela não saber mais onde que estava.

De um pouco antes do meu casamento até o último mês, ela vinha num processo de muita dor nas costas, mais de 20kg perdidos e um ciclo de repetições de assuntos e fatos, somados a memória maldosamente seletiva, davam a entender que era apenas o resquicio de estar mais sozinha que o comum, agora que os 4 filhos estavam nos seus trilhos, com 2 dando pouca ou nenhuma atenção. Mas, sedada, os exames mostraram que sempre tem mais.

E tem uma doença degenerativa ainda não identificada.

Recuperável numa pessoa com 36kg, que estava dizendo há bastante tempo que “tanto faz” estar em vida ou não? O tempo que me responda… até lá, vão passando as semanas em que ela está internada entre UPA e UTI. Antes disso, tem uma mãe, que não foi perfeita, mas era é a que eu tenho.

Tem uma pessoa que cuidou de mim, e que cuido desde um pouco de tempo, pela qual também batalhei o muito que batalhei para os patamares pessoais e profissionais que atingi. Pela qual sempre prezei por realizar os desejos, que sempre eram simples, básicos, de fácil resolução. Que me inspirou sempre a buscar uma vida simples na essência do termo. E que me deu a ferramenta mais básica para fazer todo o resto ser o resto: a vida…

 

[♫] “Esse samba é pra você

Que me fez sorrir, que me fez chorar

Que me fez sonhar, que me fez feliz

Que me fez amar”, Nós, Cássia Eller.

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