Das inúmeras profissões disponíveis, a publicidade é uma das mais questionadas e questionáveis na nova era das comunicações e relacionamentos. Esse questionamento todo tem muito mais a ver com um passado um tanto quanto curioso, que posicionou “o mercado” como acusado de destruir as vidas alheias, numa sociedade que entre viver e trabalhar, escolheu a segunda opção, cobrando a conta dos produtos que compra e dá como recompensa moral pela sua incompetência em escolher somente o que realmente cabe em sua ambição. Vamos conversar a respeito?

Publicidade é, em poucas palavras, o uso da comunicação para comercializar produtos e serviços, a partir de diversos canais, para públicos específicos, visando que as pessoas lembrem-se daqueles no ato da compra. Os profissionais de publicidade atuam na gestão da comunicação de todos os tipos de empresa, conforme seu ramo de atividade, e o caráter da comunicação que deve ser estabelecida. É elemento diuturno da cultura moderna eee de nossa era (a da cultura do consumo).

Não é educadora de pequerruchos (os pais é que são) e velhinhas indefesas (a consciência é que é). Não é destruidora de lares, famílias e contas bancárias(as pessoas é que são). Não induz ninguém a nada: todas as técnicas e mídias utilizadas, por melhores que sejam, ainda são passivas. Dependem de uma reação para serem consideradas ações. Não tiram ninguém de casa para comprar por impulso (aqui é o marketing, valendo-se ou não de branding, que conta), e está provado. Não fazem pais e mães mimarem seus filhos, substituindo dez minutos de atenção por 5 presentes. Nem faz as pessoas ficarem carentes, isoladas, desgostosas com a vida.

É repleta de profissionais bons e ruins, agências boas e ruins, clientes horríveis e bons, e todos grandes ou pequenos, como toda área que é feita de gente. Gente que passa por um monte de perrengues. Gente que transforma a vida num inferno, de graça (ou quase). E gente que ama o que faz, como este escriba.

O papel da publicidade nesta sociedade de consumo é lembrar, é informar como o jornalismo não pode [ou não quer, desde que lhe convenha], como as relações públicas não alcançam, de um jeito que as outras ferramentas de marketing não conseguem. Lembrar que na hora em que você precisa de coisa A, que seja A da empresa X por causa disso e disso, sem falar mal da empresa Y, no máximo fazendo uma piadinha com ela e com as demais. Lembrar que é mais legal consumir serviço batatinha que serviço chuchuzinho (imagine algum slogan que te marcou. Veio algum? Pronto. Nosso trabalho foi bem feito. Lembrou de alguma propaganda bacaninha – pôneis malditos, lalalalaláááá – mas não lembra qual é o anunciante? Não foi bem feito).

O papel do profissional de publicidade é conduzir a comunicação – institucional, de varejo, de reforço de vendas, de promoção da marca – de maneira ética e integra, respeitando as leis do mercado e o senso comum, que a cada dia que passa anda menos senso e bem menos comum, cada qual na sua disciplina [atendimento, planejamento, trafego, mídia, diretor de arte, redator, diretor de criação, estagiarios]. Tem gente (a turminha do mercado mesmo) que esquece disso e acha que a vida do publicitário – e o ecossistema em torno dele – se resume ao festival de Cannes, para o bem, para o mal, ou de um jeito meramente comercial. Mas é muito, muito mais, aquele muito mais que muitas vezes eu postei aqui: é a paixão pelo trabalho, é a escolha sem medo, é o desgaste objetivo, é o alcance de pequenos sonhos em prol de grandes projetos.

E por ser algo que é inererente as demais coisas de nossa vida [encontrar-se em paixões / ocupações que deem sentido a vida], que reitero: a publicidade é muita coisa, mas nem de longe é um inimigo a ser combatido, seja por minorias organizadas, ou maiorias alienadas supostamente conscientizadas por uma – vejam só vocês! – propaganda.  É um caminho perigosíssimo o que assistimos quando outras entidades privadas pressionam o governo a regular atividades comerciais de um jeito um pouco mais incisivo que o necessário – em prol de supostas “defesas de direito” que nada mais são a transferência oficializada de responsabilidades. Todo e qualquer tipo de controle à comunicação fica intimamente ligado à censura num país que ainda não está mais enriquecido culturamente [30 anos sem ditadura ainda é pouco…], para compreender que o seu uso não deve ser posicionado como arma de combate ou de defesa, ou como instrumento de poder, vazio em si mesmo. Não existe melhor regulador que o próprio mercado consumidor. E se ainda convivemos com comunicação ruim, com direcionamentos inadequados, é porque temos muitos consumidores péssimos, e não é só achismo meu: o mundo é desigual mesmo. Tem que ter gente ruim, em todos os sentidos, pra gente reconhecer o que é bom, e valorizar. E fazer do resto só o resto.

•)) sem música!

2 thoughts on “A publicidade, de dentro pra fora.

  1. Algumas pessoas não amadurecem porque são deficientes ou doentes – A doença do consumismo vem das carências emocionais, buracos de tampa falsa, que se abrem e fecham. Já vi crianças fazerem birras em shopping para convencer os pais a lhes dar algo. A maioria consegue, das duas uma, os pais ficam com dó ou ficam envergonhados. Os pais que não dão é porque não tem dinheiro, senão se dobrariam. As crianças são o foco porque os pais são fracos, possuem buracos falsos, mas não por causa do consumismo, existem vários tipos de buracos falsos.
    Acho que vão sempre culpar a publicidade, afinal, eles precisam achar um culpado.
    Gostei bastante do vídeo da Toyota e assisti um pouco do filme “Criança – a alma do negócio” – que botei para assistir o resto depois.
    Bom fim de semana!!

  2. Today, the Consumer Financial Protection Bureau traveled to Birmingham, Ala., for our first field hearing. We gathered to discuss and collect information on payday lending. The payday lending market is a multi-billion dollar industry in the United States, and Alabama has one of the largest concentrations of payday lenders in the country.

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