Numa passeada rápida pelo histórico deste blog, descobri que novembro sempre foi um mês de duas situações: a doçura dos eventos importantes da minha vida ao unânime cansaço extremo [o que só venho a descobrir o que de fato significa neste ano, vale ressaltar].

Um mês onde, passadas as reflexões de meio de ano, a alma está mais leve, pronta para o ano seguinte, louca para viver o que está e o que vier, colocando no papel as próximas realidades, há muito sonhadas.

Neste novembro as medidas se repetem e isso trouxe pra cá, para as palavras, essa vontadezinha de escrever um pouco de mais do mesmo.

Afinal, se através dos mesmos caminhos não nos conhecermos em coisas novas, como podemos saber que realmente são as novas coisas quando a vida nos apresentá-las?

|| eu passo por essa rua do centro de Curitiba em quase todas as voltas do meu trabalho. Consigo achar alguma coisa diferente em cada um deles (os dias), mesmo que invariavelmente esteja pensando no mesmo assunto. ||

Muito se fala, e outro tanto é possível ler, sobre a mudança de rumo diante de eventos inesperados, ou a forma de aproveitar determinados conceitos de sucesso e felicidade… sempre muito claros na efemeridade da superação de algum problema, mas rasos, ou distraídos, com o caminho que atravessamos até esta solução.

Cria-se um conceito muito bobo de que a vida é como um navegador em que temos botão de avançar e voltar, acessando o histórico através de um atalho, como se pudéssemos simplesmente “apagar ao sair”.

Como em si mesma, também é boba a afirmação de que a felicidade está no caminho que se percorre, e não onde pretendemos chegar.

Nada disso fará sentido se você não for capaz de olhar para si mesmo e enxergar alguma coisa. Alguém de quem se queira cuidar.

Um rascunho da pessoa que queria ser. Uma versão em atualização da pessoa que se pretende ser. Objetivos menores que lugares, e maiores do que nós mesmos.

|| no tempo em que tinha horas e horas para fazer desenhos assim, não pensava muito em muitas coisas. Hoje tenho que fazer coisas mais complexas em menos tempo e, as vezes, também nem dá pra pensar. ||

Por isso não devemos ter medo de sermos quem somos antes de tentar estar algo ou alguém para o “resto do mundo”.

Procurar viver um pouco menos no automatismo da rotina e nas “certezas absolutas” que construímos para fazer de conta que não duvidamos de nada daquilo que vivemos diariamente.

Pensar e repensar, nem que seja pelo exercício de encontrar novas coisas na mesma velha vida.

Questionar-se com a praticidade de uma busca, e não no comodismo da lamentação.

Pois ser é mais leve que nossas preocupações, e não pesa mais do que a própria consciência a respeito do que se escolhe viver. Muito complexo ao ler? Super simples de praticar, vai por mim, pensa só mais um pouquinho. Não fuja de si mesmo… O resto, sempre, é só o resto :)…

[♫] “eu tenho o mundo inteiro pra salvar / e pensar em você é Kriptonita…” – Kriptonita, Ludov.

8 thoughts on “A leveza de ser, repetidas vezes.

  1. Eu tenho tentado a cada dia mais deixar de fugir de mim mesma, das minhas preocupações e frustrações. Tenho me sentido mais “sendo” a Carol, do que tentando ser uma Carol que não sou eu. (ai, entendeu? hehe) Essa busca por “ser” começou, confesso, há pouco mais de ano (já te contei essa história!), mas há quase um ano tem se intensificado. Não posso dizer que já cheguei lá, e nem pretendo chegar. Perfeição total a gente nunca vai encontrar em nós mesmos, aqui em vida, pelo menos. Se encontrar, é sinal que vamos parar de buscar coisas novas, ainda que passemos todos os dias pelas mesmas ruas.
    Não é mais incrível descobrir coisas novas e lindas no que vemos todos os dias?
    beijos, milhões deles!

  2. O início do seu post me lembrou November Rain, do Guns N’ roses.
    Tudo que eu mais quero nesse momento é sair do automatismo da rotina. Porque quando saio me parece tudo mais diferente e mais bonito. Natural, né? Temos que inovar a cada dia, inovar nem que seja em um olhar diferente para as coisas.
    Beeijos.

  3. A grande maioria das pessas não gosta de repetir, de vivenciar todo dia os mesmos lugares, as mesmas pessoas… porém se esquecem que cada dia e cada momento é diferente um do outro. E são diferentes por detalhes que na grande maioria das vezes nem notamos ou fingirmos não notas por ser mais comodo.

  4. “Como em si mesma, também é boba a afirmação de que a felicidade está no caminho que se percorre, e não onde pretendemos chegar. Nada disso fará sentido se você não for capaz de olhar para si mesmo e enxergar alguma coisa.” Concordo plenamente com as suas palavras. As pessoas tem uma mania um tanto quanto esquisita de procurar a felicidade em terceiros. Fico pensando o quão burro alguém tem que ser para depositar toda a sua felicidade em outras pessoas! Acho que a felicidade, a fuga da rotina, tá dentro da gente sabe? Tá sempre com a gente, aonde quer que a gente vá. E só quando de fato as pessoas compreenderem isso talvez elas serão felizes de verdade.

  5. Sim. O equilíbrio de viver ultrapassa muitas coisas, e envolve muitos fatores como Falsa Modéstia, complexos, etc. Logo, eu acho interessante focar em algumas partes responsáveis por este equilíbrio que tanto buscamos. Começando em reflexões sobre nós mesmos.
    Beijos, Tony ;)

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