Duas situações fizeram parte da minha vida desde sempre: ouvir noticias sobre crise econômica e alguém reclamando que a coisa estava ruim no Brasil. Em comum, um fato: a coisa nem sempre está ruim para todos, mas ela parece ficar maior conforme o interesse de qual grupo que o noticiário está defendendo. Por que isto acontece? Em minha opinião [que diverge e meio que joga no lixo toda a teoria do estudo da economia], porque a economia é cíclica, como as pessoas.

Os ciclos econômicos acontecem da seguinte forma: a situação financeira de um país ou região permanece em níveis estáveis, contudo, nosso sistema [capitalista] de vida nos pede que o aumento deste lucro / capital nunca pode ser cessado, e preferivelmente, com crescimento em progressão geométrica. Alguém precisa lucrar mais e inventa um jeito de fazer mais dinheiro no curto prazo, sem avaliar milhares de variáveis de cenários [que, frise-se, também estou excluindo para esta afirmação]. Ou seja: uma falha humana é adicionada as circunstancias da vida e a economia se altera. Um exemplo no vídeo abaixo:

Em tese, os EUA e parte da Europa estão se recuperando desta crise, enquanto o Brasil está sendo afundado pela ultima perna da onda dela, a partir de motivos parecidos e graças àquelas ene variaveis. No período de recessão nas mesmas regiões, aconteceu o último período de crescimento “vertiginoso” da economia e da arrecadação no Brasil, que você [conforme suas convicções politicas] pode atrelar necessariamente aos governantes que lá estavam, em todas as esferas. Mas fora uma ocorrência “natural” diante de um cenário que era negativo demais lá fora, o que facilitou a equiparação de valores, a arrecadação de impostos, a competitividade de produtos e a qualificação de serviços, e alinhou (em relação a economia local) a capacidade de consumo do brasileiro. Muita gente viveu como o modelo capitalista prega: lucre ao máximo, não espere que isso vai mudar, e se mudar, transfira a culpa para alguém. Aqui, quando era a hora de falar “pera, isso pode mudar, então pé no freio e ajeita essas contas aí”, políticos foram aos seus pares e aumentaram seus orçamentos, foram para a tv e disseram “relaxem, consumam, e gozem que tá tudo certo”, e as pessoas permaneceram vivendo no limite da responsabilidade. E quando estamos na outra face da moeda deste ciclo, assumimos, vendemos e nos incomodamos com a cultura da crise.

Digo incomodamos, pois tem muita reclamação e pouca ação prática em prol de contornar a tal da crise. Pergunta pro empresário se ele vai mexer na margem de lucro dele para manter o preço competitivo, arrecadar mais, e “acertar as contas” [sem pedir sua alma em troca] com colaboradores, parceiros, e com o próprio padrão de vida? Pergunta pras grandes corporações se elas vão tomar a mesma atitude? Explica pro cidadão comum que ele ter R$30 mil de crédito para comprar o carro não significa ele ter R$30 mil para pagar uma parte deste carro; desenha pra ele que o dinheiro muda de valor e que quem quer prosperar precisa sempre gastar menos do que ganha? Como aprender dá preguiça, bora reclamar. E ai, o que tem no noticiário?

não é novidade…

O incessante aumento do endividamento das famílias brasileiras, o fantasma do desemprego [pergunta se o cara vai mexer na margem de lucro dele], e cada vez mais setores públicos com problemas, mais investidores internacionais fugindo do nosso jeitinho, entre inúmeros exemplos. Nenhuma novidade, pois isso tudo existia mesmo quando a economia “estava boa para a maioria”. E enquanto nos congelamos no mimimi diante de um cenário de atualização do ganho e custo real de vida, esta mesma vida vai passando com um clima muito mais negativo do que deveria.

Não estou sugerindo uma postura bovina diante das circunstancias do mercado. A forma como a economia está organizada afeta a todos, independendo o cenário médio. Só me pergunto se com um pouco mais de bom-senso, um tanto mais de trabalho, um tequinho de organização e planejamento, todas as esferas lidariam com este momento da economia com a proporção e a seriedade que ela realmente tem, para superá-la e, até que o próximo ganancioso apareça, a vida volte a prosperidade virtualmente estável de outrora, sem toda a enxurrada de negativismo que a imprensa propõe. Ou para um estado ainda melhor, que faça com que a maioria consiga enxergar que o resto pode ser apenas só o resto.

[] sem música!

2 thoughts on “A cultura da crise e o ciclo da economia.

  1. Oi, Tony!
    Antes de ser uma empresária reclamona que deixa o lucro para o governo na forma de impostos, eu deveria ter pensado em ser uma funcionária pública que não gera emprego e muitas vezes ganha sem trabalhar e quando trabalha faz cara feia. E também tem estabilidade no emprego, mesmo que o governo corte as pensões dos outros não funcionários públicos, que contribuem religiosamente por anos a fio e o faz de forma brusca e pela metade. O capitalismo no Brasil é diferenciado de outros países. Pensam no que arquitetam para o pós-capitalismo, pois esse já deu! Na verdade, será que precisamos de um governo? https://t.co/NjVlPX6CiN
    Beijus,

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