Antes e depois de começar a morar junto, a 2ª pergunta que me fazem é “e tá tendo muita briga / arranca-rabo entre vocês?”. Ou eu e 1ª dama somos tranquilamente geniosos, ou as pessoas brigam demais por bobagem. Após o “não, tá tranquilo” convicto, sempre veio uma história de tretas caseiras e/ou conselhos no modo “pois então aguarde, vai ter”. Mas precisa? Creio que não.

A base que me fora dada sempre foi de compromisso e responsabilidade com as coisas que se quer e com as que se tem. As particularidades desta curta vida me ensinaram que não existe a necessidade de fazer nada se você não almeja o melhor de algo ou com alguém: se for pra fazer de qualquer jeito, deixa que outros façam ou compartilhe sua vida com alguém que tem interesse em projeto similar. E se for pra deixar o outro fazer de qualquer jeito, deixa que faça com quem goste de desleixo / tem preguiça de se dedicar a quem ama. No meio disso, atenção, dedicação, e diálogo.

Não que seja algum tipo de crime, erro ou pecado não gostar de serviços domésticos e de criar um ambiente confortável para dois, só soa incoerente: seja por sairmos de um ambiente onde “mamãe / papai faz tudo – ou paga para quem faz” e não temos mais esta “mamata” ou porque ficamos na independência tempo suficiente para achar que só o jeito que se acostumou a fazer é o jeito certo, nada justifica a falta de interesse em construir, com excelência, todos os pontos de um ambiente em comum [ao invés de esperar sempre que o outro faça as coisas ou reconheça o que você faz meio que por mágica].

A casa de quem casa tem que ser um ambiente de dois, o lugar do “nós”, o lar na essência do termo.

A casa de quem casa pode [deve] ser um ambiente de harmonia, onde você senta pra conversar e fecha com seu par um “projeto”: viver em função da casa [espalhar ene tarefas pelos dias e transformá-la num mero ponto de descanso, de deixar bem cuidada pra visita ver, pra depois ver como aproveitá-la], ou fazer da casa um lugar para aproveitar algumas das melhores coisas da vida [concentrar o máximo de atividades em prol do máximo de um tempo de qualidade com seu par]? Ser escravo da “rotina do lar”, ou entender que as pessoas que mais precisam que uma casa seja espetacular são suas moradoras? Fazer “do jeito que eu sempre fiz” as coisas como se apenas estivesse recebendo uma visita por mais tempo que você imaginava, ou fazer “tudo e mais um pouco” para que a pessoa que divide um espaço contigo sinta-se no melhor lugar que poderia viver?

Vejo a casa de quem casa como um porto seguro. Como nosso melhor refugio. O lugar mais interessante para renovarmos a nossa melhor versão que o mundo exige [impiedosamente]. O lugar que reflita e nos traga aquilo que realmente somos. O lugar onde procuro entregar para a 1ª dama o melhor ambiente que ela poderia ter, e alimento a menor expectativa acerca de como receber isto, para que o que seja recebido tenha a medida certa [e não seja a ponta do iceberg de inúmeras discussões que ocorrem entre casais, por bobagem]. Vejo a casa de quem casa como o ambiente perfeito para fazer o resto ser só o resto.

[♫] “(Bobby asks:) What you gonna play now?

(James Brown says:) Bobby, I don’t know but what’s it ever I play. Its got to be funky!
(Bobby says:) Yeah

One-two-three (Make it funky)” / make it funky, James Brown.

3 thoughts on “a casa de quem casa.

  1. Oi, Tony!
    Quando se mora com os pais, na maioria das vezes, as pessoas se sujeitam às preferências deles, deixando o quarto em que dormem reservado como refúgio, onde é recriado o ambiente em que se sentem mais confortáveis. Quando saem da casa dos pais e moram sozinhos por longo tempo, uma nova convivência pode se tornar difícil. Mas quando a pessoa sai direto da casa dos pais para morar com alguém, a mente já vai preparada para compartilhar e dividir. Desse modo as decisões em conjunto se tornam mais fáceis. Uma amiga arquiteta especializada em casas, diz que se um casamento sobrevive a uma grande reforma, nunca mais a aliança será desfeita.
    Beijus,

  2. Também penso desse jeito. Mas dedicação e responsabilidade vem com maturidade (quem nem sempre está ligada à faixa etária). Acho que o principal problema dos casais é que eles ficam juntos sem terem algo em comum, sem um ponto que os ligue verdadeiramente. Um laço verdadeiro é o que falta. Daí, sim, as chances de uma relação dar certo morando sob o mesmo teto. Gostei imensamente do seu texto. Sua mulher tem sorte de ter alguém que pensa assim (você tem irmão? rs).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *