Dizia que nada mais tinha a esperar da vida, então pegou uma mochila e partiu.

Depois de aprender que a maior frustração que podemos adquirir em nossa jornada é a expectativa e que diante de duas chances alguém sempre pode vai escolher te decepcionar, depois de confiar que tudo passa e que em cada dia há uma história a ser escrita, partiu.

Conheceu crianças sorridentes e pais sisudos, homens chorões e mulheres seguras. Reconheceu amigos distantes e aos mais próximos sempre colocou uma carta no correio.

Viu que nas coisas mais diferentes, as mais iguais são: os políticos, a disputa por dinheiro, certas incapacidades em dizer não e sorvetes de creme, que só mudam de cor nos potes de napolitano.

Dormiu nas camas das mais belas mulheres, mas a única musa permanecia encolhendo, com os cabelos cada vez mais brancos e com os comentários cada vez mais repetidos.

Driblou um sem número de adversários, mas sabia que não estava destinado a qualquer tipo de gol de placa.

Só precisava apertar a mão de um homem para saber se podia confiar a ele qualquer coisa. Para a maioria, não podia.

Viu a história ser desfeita e ouviu muitas histórias serem refeitas, só com a paciência de um sorriso sem mostrar os dentes.

Nunca mais ficou triste. Sempre foi, de dentro para fora, mais feliz. É o tipo de coisa que não precisa ficar expondo pra ninguém. Simplesmente é.

Quando chegou aonde queria, a única coisa que fazia era assoviar, com a certeza de que o melhor a fazer era deixar o resto do tempo passar… já que ele também é só o resto.

E se o título começa com aquele símbolo, no final tem música, que é a inspiração direta do texto.

[♫] “Look like nothings gonna change, / everything still remain the same / I can’t do what ten people tell me to do… so I guess I’ll remain the same, yes…” – (Sittin’ On) The Dock Of The Bay, Otis Redding. Mais bacana que a música, só o contexto histórico dela

One thought on “((♫)) seguindo o caminho.

  1. Não importa o caminho, todos nós chegamos ao mesmo lugar! Ou melhor, para não ser tão fatalista: o que vale na vida não é o ponto de partida ou de chegada, mas sim a intensidade com que se fez a caminhada.

    Não sabia sobre a música, mas sempre a achei linda! Gosto também da versão de Marvin Gaye.

    Boa semana!!

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