Encontro marcado para o final da sexta, lá parte descoberta da praça de alimentação do shopping grandão.

Naquela mesa perto dos hambúrgueres artesanais. Quando você enxergar uma menina de cabelo roxo e curto, com um tamanho de um lado e outro do outro, com tatuagens nos punhos, deixa ela sentar naquela mesa lá (aponta) e quando ela entrelaçar os dedos duas vezes, vai lá e entrega isso. Valeu, mano. Simples assim.

Dito e feito: cabelo roxo, dois tamanhos, circula a mesa até vagar, coloca a bolsa na outra cadeira, olha para os lados procurando, entrelaça os dedos uma vez, pega o celular, responde algo, entrelaça novamente.

Envelope preto, papel laranja, como o convite da festa onde se conheceram. No papel dobrado, um lado apenas escrito “pra ti”, no outro um laminado que refletia quase que perfeitamente o rosto de quem olhasse.

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Viu,

É mais fácil entregar a culpa, não? E centralizar a responsabilidade de suas escolhas. Nunca fui de festejar brigas, vestir o uniforme de palhaço e entrar no circo, mas assisti tantos shows seus que escolhi não mais pagar o ingresso.

Assisti seu egoísmo me corroer e me derrubar. Me levantei, só pra ser empurrado outra vez. E na beira do penhasco, não foi só olhar para frente e seguir, ou dar mais um passo e cair. Dei um pulo. Pra dentro de mim. E de todo amor que tinha pra fazer de um tudo um pouco, sobrou tudo de um pouco de amor próprio e aquela vontade de ser sempre mais.

Bati palma para suas escolhas, suas imposições, e adaptei minha vida a você. Que nunca via nada de bom e quando via, era só pra si. E sendo tão tão assim em si, você não precisa de alguém para ser teu acessório, teu bônus, teu plus. Não se soma nada com quem quer te ver sumir.

Pois você não tinha nada pra me oferecer e mesmo assim me ensinou tudo que eu preciso pra não ter mais ninguém igual na vida. Você não precisa de mim. Precisa é de um espelho.

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Pra ela, cara de paisagem e mais umas duas horas na mesma posição, até a amiga chegar pra sentar ali mesmo pra “saber das ideia do piá, ó o tipo do que ele me escreveu”.

Para ele, já era final de pôr do sol na praia e o sorriso tava ainda maior não por que pensava nela. Pensava nele. Enfim.

E SE TEM SÍMBOLO ACIMA, VEM DE MÚSICA. TEM MAIS AQUI.

[♫] “For all the times that you made me feel small

I fell in love now I feel nothin’ at all

I never felt so low when I was vulnerable

Was I a fool to let you break down my walls?” | Love Yourself, Justin Bieber.

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