Abriu a porta de casa e nem viu a solidão se aconchegando. Acreditou que a vida em três passos e duas decisões se resolvia, mas esqueceu de que no meio do caminho tinha um viver, tem um viver no meio do caminho.

E como se vive depois de sentir-se metade? Inteiramente distraído, completamente pensativo, imaginariamente pronto. Pronto pra abrir mão de dificuldades simples, de fazer pequenas coisas sem pensar, e só ver méritos nas grandes se houver alguém para admirar.

Alguém que se faça chegar e ocupe todos os espaços, inclusive os que não estão vazios. Alguém que chegue sem perguntar se arrumamos a mesa pra um café, porque veio com o resto da vida arrumada pra estar ao nosso lado, e desarrumar tudo que já tinha ficado pronto de maneira errada. Alguém que, mais do que nos dividir com o mundo, nos completa para ele, deixando que as dúvidas da cabeça entrem em acordo com as certezas do coração ao longo dos próximos dias, anos, em cada olhar, pra cada “pq q eu fiz isso mesmo?”, em cada surpresa, positiva ou negativa. Alguém que faça toda cama de um parecer vazia, todo final de semana só ter um dia, um feriado por mês, e que só nos diga com atitudes, das mais ridículas de comuns às mais inesperadas até para ela mesma, que nos ama por tanto sentir-se amada. Que desde que tem você na vida não mais se enxergou metade. Que aceite em gestos que realmente, é só uma metade.

Uma metade completamente distraída, inteiramente distraída, imaginariamente pronta, pra ter outra metade, e ser outra metade. Também está em suas mãos, agora… ser, ou parecer? Pra fazer o resto ser só o resto, acontecer.

E SE TEM SIMBOLO ACIMA, VEM DE MÚSICA.

[] “… so I’ll leave it in your hands now, to come through. I’ll leave it in your hands now, to come through…” / In your hands, Jason Mraz.

One thought on “((♫)) do jeito mais normal

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