Te reencontrei aqui, do outro lado de dentro. De mim, eu só sei dizer do que senti por você. Sinto, por você, o maior dos sentimentos. Aquele vazio que só paixão preenche. Aquela paixão boa, aquele calorzinho que começa no sorriso e termina no batimento acelerado, passando por um monte de expectativas que se encerram no seu oi, esse que você tem.

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As gotas de março não fecham o verão por aqui. Essa cidade ė mais fria que isso, em todos os sentidos. E aqui no ano onde estamos, só tem uma coisa mais confusa que o clima: sentimentos de quem enterrou, sem sucesso, uma sintonia singular.

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Eu nem sei o que te explicar! Tanto tempo, que você fez da vida? Aliás, o que fizemos de nossas vidas? Eram um encontro desses que só se abre mão por algo muito maior, melhor, que nos deixe mais felizes. Completos… sigo sem palavras.

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Tudo é mais cinza, mais sisudo, menos vivo. O metrô funciona, as coisas funcionam, mesmo que a vida pareça congelar. Tantas estações, tantos vagões, tantas palavras vagas e todas as estações possíveis em muitos dias. Bastou a linha azul chegar. A porta abrir, e não haver suspense algum: cara a cara na porta que corria. Um passo pra trás como se estivessem se olhando no espelho.

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Eu vivi! Fiz o que tinha para fazer. No meu lado de dentro, teve um exercício enorme de colocar você numa prateleira onde tu ficasse sempre perto dos olhos, mas inalcançável ao coração. Você é o que de melhor tem lá atrás, mas como um serzinho espetacular sempre me disse: “sabe pra onde é a vida (faz o gesto com as maos)? Pra frente, coração.”

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O que a cidade não sabe, nem vocês, é que esses dois ai tiveram um relacionamento daqueles que até vocês ai do outro lado da tela, sonham em viver. Daqueles que a gente não explica com palavras, só precisa olhar nos olhos dos dois. Mas quem disse que essa cidade se importa? Ela não tem tempo pra isso. Nem eles.

——

Eu desço aqui. e você?

Eu fico (os olhos brilham, começando a encher d’agua)… Eu fico.

Tá certo (sim, esses olhos tambem brilharam)! Será que a gente se encontra?

cada um de um lado, fora e dentro.

Cada um no seu rumo, cada um no seu canto.

Da sacada na cobertura de um prédio de final de rua, com a vista pra cidade. Pro lado de dentro, aquele calorzinho de solidão. Do outro lado de dentro, olhar para o apartamento nem tão cheio de coisas, nem tão vazio e se enxergar numa vida com sentido, sem sentimento.

Na varanda do ático, da casa de condomínio na área seminobre, dá pra ver depois do lago, um prédio de final de rua, e uma cidade ao fundo. Pro lado de dentro, um par trazendo a refeição do horário, com sabor de “estou corrigindo algum erro que nem sei se fui eu que cometi, pois nunca cheguei perto do seu outro lado de verdade”. Do outro lado de dentro, olha para aquela vida com sentimentos, mas sem sentido.

Falta, falta aquele pedaço para completar.

Aquele, das fotos escondidas nos fichários e caixas, do fundo do cômodo, na ponta da memória. Aquele dos sonhos projetados, das ideias realizadas, da sintonia, dessas que só se faz em par. Das tardes de ansiedade para noites de si, pra si. Do sucesso inspirado em conjunto e conquistado em separado.

A noite termina de cair, e voltam aos mesmos pontos.

Na sacada e no atico, meia-noite.

Dentro deles, outras metades a conversar.

Podia ser você aqui, mas você é muito sentimento.

Podia ser você aqui mas, isso faz sentido. Você, faz sentido.

Se tem aquele símbolo, vem de música! Tem mais aqui.

||| ♫  ||| I was running from the past

My heart was bleeding

And it hurt my bones to laugh” midnight in harlem, Tedeschi trucks band. Letra aqui.

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