Não quero parecer pedante numa circunstancia tão simples como essa. Olhei nos seus olhos e poderia ter visto só as ranhuras explicitas que o tom mais claro da sua íris evidenciam. Enxerguei um pedaço, o outro pedaço do meu dia-a-dia. Enxerguei a rotina e a repetição. Enxerguei o comodismo e a morosidade. Enxerguei mais.

Um pedaço do meu dia-a-dia com “bom dia, metadinha”. “oi, bonito”, respondido com aquele sorriso aberto e que eu vi depois, que só não rivaliza com o olhar porque o conjunto da obra é de se aplaudir de pé. De pé, em pé, caminhar no dia-a-dia com as injurias bobas, com as reclamações de meio tom e enorme volume [sim, acho muito massa você ter defeitos que definitivamente não suporto. Não estamos mais na idade de amores adolescentemente perfeitos…], com o mimimi exagerado, com a loucura nas/das pequenas coisas, certa desconsideração com aquelas que não são grandes pra ti, e toda a mágoa do mundo para as coisas que você preza, mas nem todos entendem, e criticam. Meu pedaço de dia-a-dia para em cada um deles conhecer mais um pouco, e outro pouco, pra continuar pensando que sempre tem uma coisa nova pra saber. E tem mesmo. Mesmo no pedaço do dia-a-dia mais chato, quando eu é que encarno o urso reclamão e desço do salto da maturidade para ficar nu em minha humanidade. E sofrer, chorar, não gostar, desconsiderar, e dizer que “desta vez vai ser tudo diferente”.  Em todos os pedaços do meu dia-a-dia, só falar do meu assim, escrito. Dia-a-dia pode ser substituído pelo termo nós.

Na nossa rotina e repetição. Rotina de observar seus detalhes e, por eles, ter sempre um pouco mais. Rotina de descrever e reescrever nossas ideias em sonhos, e nossos sonhos em realidade. Rotina de tornar a felicidade mais interessante conforme as circunstancias, e não conforme as histórias que nos contam sobre tempos que já foram de verdade. Rotina de não ter medo de repetições, e repetir que é agindo que se consegue, que amando é que se se sente completo – e eu te amo – e vivendo é que se descobre que bons pares geralmente significam uma boa vida de verdade. Repetir que é dando sempre um pouco mais que se têm expectativas frustradas, então a gente dá mais um pouco e evita se frustrar. Porque é com um pouco mais que a gente escapa.

Escapa do dia-a-dia, daquela vida comum e sem alguém pra olhar pro lado, no ritmo de metas a cumprir e projetos a concluir, e dias a passar como se fossemos calendários sem dono. Escapa de ser um pouco mais inteiro, pra tornar-se inteiramente metade. E passa a correr atrás de se fazer entender, que não é uma péssima ideia estar apaixonado mais uma vez.

E SE TEM SÍMBOLO ACIMA, VEM DE MÚSICA. TEM MAIS AQUI.

[♫] “Spend all your time and your money

Just to find out that my love was free

So don’t act like it’s a bad thing

To fall in love with me, me” / Not a Bad Thing, Justin T.

One thought on “((♫)) aquela boa ideia

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